sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Artigo - Juízo monocrático e juízo coletivo

de 21/1/2007 a 27/1/2007

"Dizem que uma inverdade repetida por muitos e por muitas vezes torna-se uma verdade. Mas esta não dá para passar, apesar da excelência do migalheiro em questão: Os Recursos NÃO são os responsáveis pela morosidade do Judiciário (Migalhas 1.579 – 22/1/07 – "Imagens", Antonio Pessoa Cardoso – clique aqui). Esta culpa recai sobre a falta de estrutura proposital (que não se justifica pela falta de dinheiro, pois dinheiro há) e Juízes e serventuários não afetos ao trabalho. Na realidade, no Poder Judiciário faltam homens bons."

Rodrigo Pedroso Zarro - 22/1/2007

"A propósito do tema exposto pelo Des. Antonio Cardoso (Migalhas 1.579 – 22/1/07 – "Imagens" – clique aqui), vem a pelo lembrar o que disse o magistral Antonio Vieira, seu xará, a respeito do papel: 'Introduzir papel e tinta - ao menos tanto papel, e tanta tinta - nos conselhos e nos tribunais, foi traça de fazer o tempo curto, e os requerimentos largos, e de se acabar primeiro a paciência e a vida, que os negócios. O maior exemplo que há desta experiência em todas as histórias é a da execução deste mesmo conselho em que estamos: Ab illa autem die cogitaverunt eum interficere. A execução deste conselho foi a morte de Cristo, e é coisa, que parece excede toda a fé - se o não disseram os evangelistas - considerar o muito que se fez, e o pouco tempo que se gastou nesta execução. Foi Cristo preso às doze da noite, e crucificado às doze do dia. E que se fez, ou que se não fez nestas doze horas? Foi levado o Senhor a quatro tribunais mui distantes, e a um deles duas vezes; ajuntaram-se e fizeram-se dois conselhos; presentaram-se em duas partes as acusações; tiraram-se três inquirições de testemunhas; expediu-se a causa incidente, e perdão de Barrabás; deram-se dois libelos contra Cristo; fizeram-se arrazoados por parte do réu e por parte dos autores; alegaram-se leis; deram-se vistas; houve réplicas e tréplicas; representaram-se duas comédias: uma de Cristo profeta, com os olhos tapados, outra de Cristo rei, com cetro e coroa; foi três vezes despido, e três vestido; cinco vezes perguntado e examinado; duas vezes sentenciado; duas mostrado ao povo; ferido e afrontado tantas vezes com as mãos, tantas com a cana, cinco mil e tantas com os açoites; preveniram-se lanças, espadas, fachos, lanternas, cordas, colunas, azorragues, varas, cadeias, uma roupa branca, outra de púrpura, canas, espinhos, cruz, cravos, fel, vinagre, mirra, esponja, título com letras hebraicas, gregas e latinas, não escritas, senão entalhadas, como se mostram hoje em Roma, ladrões, que acompanhassem ao Senhor; cruzes para os mesmos ladrões, Cerineu que o ajudasse a levar a sua: pregou Cristo três vezes, uma a Caifás, outra a Pilatos, outra às filhas de Jerusalém. Finalmente caindo e levantando foi levado ao Calvário, e crucificado nele. E que tudo isto se obrasse em doze horas? E que ainda dessas doze horas sobejassem três para descanso dos ministros, que foram as últimas da madrugada? Grave caso! E como foi possível que todas estas coisas, tantas, tão diversas, e de tantas dependências, se obrassem e se pudessem obrar na brevidade de tão poucas horas, e mais sendo a metade delas de noite? Tudo foi possível e tudo se fez, porque em todos estes conselhos, em todos estes tribunais, em todas estas resoluções e execuções não entrou papel nem tinta. Se tudo isto se houvera de fazer com as tardanças, com as dilações, com os vagares, com as cerimônias que envolve qualquer papel, ainda hoje o gênero humano não estava remido. Só quatro palavras se escreveram na morte de Cristo, que foram as do título da cruz, e logo houve sobre elas embargos, e requerimentos, e altercações, e teimas, e descontentamentos. E se Pilatos não dissera resolutamente que se não havia de escrever mais: Quod scripsi, scripsi, o caso era de apelação para César, que estava em Roma, dali a quinhentas léguas, e demanda havia na meia regra para muitos anos. 249. Até Cristo teve a sua conveniência em não haver papel e tinta na sua execução, porque ao menos não pagou custas'."

Celso Soares Carneiro - 23/1/2007

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