sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Caso Renascer

de 4/2/2007 a 10/2/2007

"Diante de minhas observações a respeito dos desmandos dos irresponsáveis pela Igreja Renascer, algumas pessoas entenderam de partir para demonstração de sua irracionalidade, atacando o autor, não a observação (Migalhas dos leitores – "Caso Renascer" – clique aqui). Sugiro-lhes que leiam a reportagem de capa da revista Veja desta semana, na qual se faz uma clara distinção entre conceitos distintos: 'Deus', 'fé' e 'religião'. Há cientistas ateus que têm fé, como há pessoas que acreditam na existência de Deus e não professam religião alguma. Já os politeístas têm religião. E o Deus dos cristãos é muito diferente do Deus dos budistas. A mesma reportagem toca num ponto nevrálgico: muitas manifestações aparentemente religiosas, como as persignações de jogadores de futebol quando marcam ou quando perdem gols, estão mais para superstição do que para religião. Qual a diferença?"

Sílvio Alonso - 5/2/2007

"Acho que a Rede Gospel está deixando a Rede Globo furiosa. É como se estivesse mexendo com o inferno. A Igreja Católica, em suas reuniões carismáticas, também expulsa satanás, como fazem os evangélicos. Deveríamos lembrar e aconselhar todos a assistir ao filme Lutero, mostrando que a Igreja Católica vendia indulgência até para aleijados. E não esqueçam que o único Papa a pedir perdão pelos erros da igreja, pela Inquisição, foi o João Paulo II, mas que nada tem a ver com milagres para ser canonizado e ser eternizado como santo milagreiro, nem a igreja continuar com seu país, o Vaticano, vendendo imagens que é contra o mandamento da bíblia. E esta instituição não sabe o que fazer agora diante de tantas imagens mudas, que, como diz a bíblia, têm nariz e não cheiram, ouvidos e não escutam, têm boca e não falam. Mas respeito cada instituição e acho que os poderosos têm que pensar mais, deixando criar brigas entre os fiéis, porque dízimo e campanha são a mesma coisa. Deixem os fiéis em paz. Chega de mensalões, ambulâncias, avião Lula, etc., etc., etc., que já nos angustiam e mexem com a nossa honra de trabalhar e de se ter esperança por um povo e um país melhor."

Irenice Alves - 6/2/2007

"Bem, se para início de conversa, o migalheiro dá crédito a uma reportagem da 'Veja', como se essa revista fosse portadora da 'verdade', então realmente não é possível prosseguir o debate. A 'Veja', para o nobre colega, não tem o rabo preso com ninguém, não sofre nenhuma influência política, e jamais foi parcial em nenhum de seus editoriais, ou ainda, não tem conselheiros de capa. Será? Ou alguém acha que devemos ler qualquer publicação sem senso crítico? O nobre migalheiro precisa também aceitar ser contrariado democraticamente por meio do debate. É disso que é feita a seção de Leitores de Migalhas."

Rogério Greco Lozano - 6/2/2007

"Eu não costumo me manifestar nesse chamado 'rotativo', mas o migalheiro Sílvio parece não saber que a revista 'Veja' já se manifestou com parcialidade em outras ocasiões - nada errado nisso, ou seja, é como se os responsáveis já possuíssem um pensamento definido sobre alguns assuntos. E, pode ter certeza, a revista não é muito fã dos cristãos em geral, não, e se foi um dia, isso parece estar gradativamente mudando. A reportagem de capa desta semana não serve para explicar conceitos, mas apenas para afastar ainda mais as pessoas da genuína fé em Deus, e alcançar várias pessoas desavisadas, do tipo que lêem Dan Brown, por exemplo, que então diriam: 'Tá vendo, religião é química cerebral e só'. Pois é, tem gente que cai como um pato nesse conto. Logicamente, nenhum de nós migalheiros."

Roberto Pompeu de Aragão - 6/2/2007

"Senhores, Gostaria de corrigir de leve um dado no comentário de Sílvio Alonso, se ele me permite, quando fala do caso Renascer. Ele diz: 'o deus dos cristãos é diferente do deus dos budistas'. Na verdade, não existe diferença de um deus para outro, porque no Budismo não existe o conceito de deus. O próprio Buda não é adorado como a um deus. Buda, aliás, é um adjetivo, e não um nome, e quer dizer 'O Iluminado'. Trata-se de Sidarta Gautama, 'o Buda', que com o tempo a nossa cultura tratou de simplificar. Sei que isso é muito complicado de se dizer em rápidas palavras, que gera dúvidas, e por isso, neste caso, sugiro que leia 'As Máscaras de Deus', de Joseph Campbell, um mitologista de renome. Ali estão os conceitos de deus e os demais conceitos, inclusive do Budismo. Existem 'deuses' no Budismo, mas nós, budistas, temos consciência de que não são deuses e, sim, deidades criadas pela nossa mitologia. Abraço a todos os migalheiros, eu adoro este site."

Ana Parreira - psicóloga, especializada em Assédio Moral no Trabalho - 6/2/2007

"Quero me juntar a Irenice Alves no amor à Igreja Católica. De fato, esta instituição milenar merece nosso respeito."

Adalto Neves de Lima - 7/2/2007

"Passando ao largo do caso Renascer, a migalheira Irenice levantou a questão, não menos interessante, da divergência entre católicos e protestantes, no tocante às imagens. Bem, basta lembrar que as imagens são o mesmo que as fotos que carregamos em nossa carteira, ou temos em nossa mesa, de nossos familiares que mais amamos. Essas fotos nos recordam das pessoas que queremos bem, e que se importam conosco. Servem de sinal de amor, e ninguém idolatra fotos dos parentes. Acontece que no passado não havia fotografia, e a leitura era privilégio de poucos. As imagens funcionavam, então, como ensino didático das virtudes que poderiam ser imitadas por todos, sempre apontando para o único Deus, na pessoa de Jesus Cristo. São inúmeras, também, as passagens na Bíblia em que Deus pede a construção de imagens (veja o episódio da construção da Arca da Aliança e seus Querubins, ou a cruz com a serpente no deserto). Deus não quer a idolatria, e por isso não existe na Igreja Católica nenhum documento ensinando ou orientando fiéis a adorarem imagens. Quem diz isso mente. No entanto, a existência de imagens serve para recordarmos os exemplos de santidade que apontam para Jesus. Espero, assim, ter elucidado a dúvida desta e de outros migalheiros."

Xavier Roberto Marion - 7/2/2007

"O problema na chamada 'teologia da prosperidade' que a Renascer prega é tratar a prosperidade com a ênfase que ela não tem. Ou seja, você nunca vai ver numa igreja da Renascer uma palestra sobre o amor concreto e o exemplo de caridade para com os mais pobres, que Madre Teresa de Calcutá tinha. Ela nunca foi rica financeiramente, mesmo com a ajuda de colaboradores que tinha, numa parte miserável da Índia. No entanto, foi muito mais rica em vida do que muitas pessoas que julgam estar 'abastados' com emprego, saúde e sucesso no 'amor'. Jesus disse ao jovem rico: 'Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres, e terás um tesouro no céu'. Esta passagem bíblica de Mateus, capítulo 19, é aparentemente ignorada na Renascer, e é um convite à reflexão genuína, feito pelo próprio Cristo. A Rede Globo pode não ser flor que se cheire, mas a chamada 'teologia da prosperidade' é um conjunto de idéias que quase esvazia a profundidade do conteúdo do Evangelho, onde riqueza material raramente combina com a salvação da alma."

Roberval Pedro Feitosa - 7/2/2007

"Vou botar minha colher de plástico nesse caldeirão fervente. A julgar por algumas opiniões trazidas em Migalhas, a verdade depende do veículo que a divulga. Para algumas pessoas, se a revista Veja afirmou algo é porque isso não é verdade. Não li e não acreditei, pode-se dizer. Se houver a dúvida (talvez não seja verdade), como fazer para tirar a dúvida? Como quer que seja, para esses, Veja não merece fé. De outra banda, uma afirmação feita por um sacerdote ou uma bispa ou um apóstolo ou um ministro religioso merece fé. Logo, tudo o que um ou outro desses diz é verdade, sem necessidade de demonstrações probatórias. Pro veritate habetur, presumptio juris et de jure, diriam os juristas. Quanto ao Deus dos budistas, há a considerar que para os ocidentais é terrivelmente difícil compreender a cultura oriental. E religião é, antes e acima de tudo, um fato manifestação cultural. O que sabemos é que um Deus antropomorfo (Deus 'criou', Deus 'disse', Deus 'julgará') é algo que não passa pela cabeça de um budista. Quando, ao fim de uma palestra, um monge budista foi instado a falar de Deus, ele, como é comum com os budistas, respondeu contando uma historinha: 'imagine que uma formiga queira explicar a outra formiga qual a diferença entre um homem e uma mulher. Como ela faria para ser entendida?' E mais não disse nem lhe foi perguntado. Quando alguém pergunta a um autêntico budista 'que é a verdade?', ele responde: 'ouça o que diz o seu coração'. E certamente ele não dirá o que diz a ele o coração dele."

A. Cerviño - SP - 9/2/2007

"O migalheiro Sílvio Alonso, que reclama ter certas pessoas atacado o autor (ele próprio) e não sua observação. Realmente, a confusão não se justifica. Por outro lado, há de convir o migalheiro que também não se justifica a confusão entre a decisão do TJ/SP em manter o pagamento de indenização por dano moral ao casal Hernandes e os princípios religiosos dessa ou daquela religião ou denominação (como queiram). Não sou evangélico, não tenho procuração para defender o casal Hernandes, e nem pretendo fazê-lo. Porém, acho que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Nossa Constituição estabelece a liberdade de credo ou religião. Se muitos acham que determinada igreja é boa e outros tantos acham que não, isso não é mais que mero 'achismo' e não cabe nesse hebdomadário, penso eu, discussões teológicas ou preferências religiosas. Se alguém infringe a Lei, seja religioso ou não, seja líder de uma religião ou não, deve ser punido de acordo com o que prevê a Lei. Assim, se dinheiro é desviado para investir em negócios próprios, comprando haras, fazendas ou casas em Miami; ou para adquirir obras de arte e pagar indenizações por atos de padres pedófilos, por exemplo, isso nada tem a ver com religião ou igrejas, ou princípios religiosos. Se alguém comparece a uma igreja católica e fornece dinheiro ou bens, ou se vai a um culto de uma igreja evangélica, e oferece dinheiro ou bens, não me parece haver diferença entre esses tipos de doação, que tem sempre em vista a obtenção de alguma vantagem, terrena ou espiritual. Mas, tudo isso não cabe aqui. Advogados que somos, estamos diante de uma decisão judicial que analisou o cabimento ou não do pagamento de uma indenização por quem se julgou ofendido. E a decisão foi pelo cabimento da indenização. Não acho que possa ser considerada 'uma questão federal' o que seja religião, ou conceituar religião e, muito menos, quem são os pregadores bons ou ruins. Assim, deixada de lado a questão religiosa, já que cada qual sabe ou deve saber o que quer ou o que espera de seus cultos e/ou religiões, há que considerar que o que abriu essa discussão toda foi o fato de ter sido condenada a Globo a indenizar o casal Hernandes. E, de fato, o Tribunal a condenou. Quanto a ler ou não a revista Veja, quanto a mim deixei de lê-la, aborrecido que estava com o teor claramente tendencioso de suas matérias mas, principalmente por não estar interessado em receber uma revista que ocupa suas páginas em entrevista a uma tal 'Tati Quebra Barraco', fornecendo aos seus leitores, até mesmo, o vocabulário usado por aquela personagem."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 9/2/2007

"O migalheiro Sílvio Alonso, que reclama ter certas pessoas atacado o autor (ele próprio) e não sua observação. Realmente, a confusão não se justifica. Por outro lado, há de convir o migalheiro que também não se justifica a confusão entre a decisão do TJ/SP em manter o pagamento de indenização por dano moral ao casal Hernandes e os princípios religiosos dessa ou daquela religião ou denominação (como queiram). Não sou evangélico, não tenho procuração para defender o casal Hernandes, e nem pretendo fazê-lo. Porém, acho que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Nossa Constituição estabelece a liberdade de credo ou religião. Se muitos acham que determinada igreja é boa e outros tantos acham que não, isso não é mais que mero 'achismo' e não cabe nesse hebdomadário, penso eu, discussões teológicas ou preferências religiosas. Se alguém infringe a Lei, seja religioso ou não, seja líder de uma religião ou não, deve ser punido de acordo com o que prevê a Lei. Assim, se dinheiro é desviado para investir em negócios próprios, comprando haras, fazendas ou casas em Miami; ou para adquirir obras de arte e pagar indenizações por atos de padres pedófilos, por exemplo, isso nada tem a ver com religião ou igrejas, ou princípios religiosos. Se alguém comparece a uma igreja católica e fornece dinheiro ou bens, ou se vai a um culto de uma igreja evangélica, e oferece dinheiro ou bens, não me parece haver diferença entre esses tipos de doação, que tem sempre em vista a obtenção de alguma vantagem, terrena ou espiritual. Mas, tudo isso não cabe aqui. Advogados que somos, estamos diante de uma decisão judicial que analisou o cabimento ou não do pagamento de uma indenização por quem se julgou ofendido. E a decisão foi pelo cabimento da indenização. Não acho que possa ser considerada 'uma questão federal' o que seja religião, ou conceituar religião e, muito menos, quem são os pregadores bons ou ruins. Assim, deixada de lado a questão religiosa, já que cada qual sabe ou deve saber o que quer ou o que espera de seus cultos e/ou religiões, há que considerar que o que abriu essa discussão toda foi o fato de ter sido condenada a Globo a indenizar o casal Hernandes. E, de fato, o Tribunal a condenou. Quanto a ler ou não a revista Veja, quanto a mim deixei de lê-la, aborrecido que estava com o teor claramente tendencioso de suas matérias mas, principalmente por não estar interessado em receber uma revista que ocupa suas páginas em entrevista a uma tal 'Tati Quebra Barraco', fornecendo aos seus leitores, até mesmo, o vocabulário usado por aquela personagem."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 9/2/2007

"RENASCER (O Pajé viu tudo num sonho horrível. Seu deus Tupã, que não conhecia o dinheiro, foi morto por um outro deus e por isso os homens não mais se entendem).

Depois de tanto causo de dinheiro envolvendo religião, inclusive de um, onde um pastor foi interceptado em aeroporto tentando deixar o país com uma mala cheia, e que as ‘línguas-de-trapo’ diziam provir do tal de mensalão, fico meio cabreiro, e acabo dando razão àquele velho xamã índio, do tempo em que os guaranis proliferavam nesse chão. Isso ao surgirem os primeiros jesuítas catequizando a indiada.

Com 'permisso' de Don Jayme Caetano Braun:

..........................................

E o pajé olhava de longe

Rezando a contra-oração,

Para que um deus de outro chão

Não matasse o que existia,

Porque pra ele servia

A primeira religião!"

Mano Meira – Carazinho/RS - 9/2/2007

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