quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Frevo - 100 anos

de 4/2/2007 a 10/2/2007

"Pernambuco está em festa neste 9/2/07. O frevo faz cem anos. As prefeituras do Recife e Olinda solicitaram ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que o frevo seja declarado patrimônio cultural do povo brasileiro. Nada mais verdadeiro, pois a compreensão do frevo na sua dimensão histórica leva a declará-lo como um fenômeno de resistência popular. Segundo a antropóloga Rita de Cássia Barbosa de Araújo, do Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco: 'A origem do frevo está ligada às classes trabalhadoras urbanas e inclui, sobretudo, negros e mestiços que criam os Clubes Carnavalescos Pedestres e passam a ocupar o espaço urbano, antes dominado, apenas, pelos Clubes de Alegoria e Crítica do qual participavam a elite intelectual e econômica de Pernambuco'. Naquele tempo o carnaval das elites pernambucanas era centrado nas máscaras, alegorias e na crítica social dos costumes. A intenção era mostrar um carnaval dito bonito, inteligente e culto, mas sem haver espaço para as camadas mais pobres da população. Assim até nos nomes os clubes de frevo faziam alusão às classes trabalhadoras e ao mundo do trabalho: Vassourinhas, Pás, Espanadores, Abanadores, Suineiros, Verdureiros, Empalhadores do Feitosa, só para ficar em alguns exemplos. Os passos do frevo também iam na mesma direção: tesoura, ferrolho, parafuso, dobradiça e locomotiva. Até no nome frevo (fervo), pois o verbo ferver era pronunciado pelo povão como 'frever' é demonstrada a origem inculta dessa beleza pernambucana. E nesses cem anos o frevo é tocado, cantado, pulado ou dançado, porém, é acima de tudo, amado. Viva o frevo!"

Abílio Neto - 9/2/2007

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