quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Profissão Advogado

de 4/3/2007 a 10/3/2007

"Pela união e contra a hipocrisia dos meus pares! Tenho quatro anos de advocacia, nove atuando em escritórios de médio e grande porte e nunca, enquanto colaborador destes, vi o cumprimento total das normas postas, o que é normal porque nosso ordenamento garante também o direito de descumprir a Lei, mediante o conseqüente e evidente risco de ser penalizado com a supressão da liberdade ou com um encargo financeiro. O que me deixa absolutamente descontente com uma boa parcela dos meus pares é condenar e proferir manifestações contra colegas em reuniões, entrevistas, aulas e conversas sob fatos que evidentemente não tem conhecimento real. Tomemos o exemplo de um escritório fechado recentemente: consta de várias reportagens publicadas na mídia impressa, virtual e televisiva a existência de crimes perpetrados, dentre eles a constituição de empresas prestadoras de serviços em nome de 'laranjas', para burlar a Legislação Trabalhista e Fiscal. Quantos não são os escritórios que fazem tal prática, talvez não utilizando laranjas, mas de funcionários gabaritados como diretores ou gerentes. O fim é o mesmo, criam-se empresas em cidades de baixa alíquota de ISS que prestam serviços jurídicos e tem seu objeto forjado, tudo para burlar cristalinamente os direitos trabalhistas dos sócios destas prestadoras de serviços e ter menor carga tributária. Quantas são as evasões vendidas por colegas sob a máscara da elisão, do planejamento tributário; quantos não são os escritórios envolvidos no escândalo da propina para oficiais de justiça para o cumprimento mais rápido dos mandados de busca e apreensão e reintegração de posse; quantos não são os colegas, que vendidos para a parte contrária, prejudicam seu próprio mandatário; quantos e quantos colegas descumprem a palavra dada a um outro colega para beneficiar seu cliente. Desabafo por meio deste poderoso informativo, preservando os escritórios conhecidos por tal prática, na medida que o objetivo não é denunciar o que já está escancarado, o que almejo é a exigência da ética pelos colegas, que devem deixar de falar daquilo que não conhecem, especialmente em relação a outros colegas. A classe deve se unir, não para defender os advogados corrompidos pela criminalidade, mas para garantir que estes não sejam condenados antes do devido processo legal, premissa máxima que todo advogado deve defender. No mais, calar-se é a melhor opção diante de provas evidentes contra colegas e isto não significa protegê-los, significa olhar para o próprio umbigo e notar que quase ninguém é santo neste ramo, o que é verdadeiramente triste do meu ponto de vista. Sei da concorrência da profissão, mas esta deve ser leal e ética, a conquista do cliente deve ser feita pela demonstração de seus valores, pela qualificação profissional e não pela ressalva dos defeitos e imperícias dos concorrentes. Concorrentes sim, mas que ainda devem ser tratados como colegas de profissão. Sou apaixonado pela minha profissão, a cada dia, a cada parágrafo em petição e a cada manifestação jurisprudencial essencialmente justa, sinto-me mais certo de que escolhi a profissão correta, mas se queremos ética na sociedade, se queremos um país cujas discussões relevantes não sejam a corrupção então, caros advogados e colegas, sejamos menos hipócritas, não joguemos a primeira pedra sabedores de nossos pecados, defendam o direito da condenação a seus pares não antes de decisão final, assim como o fazem por seus clientes, porque somente nos respeitando, seremos verdadeiramente uma classe unida e poderemos verdadeiramente cumprir nossa missão descrita na Constituição Federal de colaboradores da administração da Justiça neste País. Agradeço a atenção,"

Rodrigo Evangelista Marques - advogado em São Paulo - 8/3/2007

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