sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Schin x Brahma

de 14/3/2004 a 20/3/2004

"Em marketing, a número 1; em ética... Causou-me espanto o novo comercial da cerveja Brahma, divulgado em horário nobre, nessa última sexta-feira, na abertura do JN. Lá estava o Zeca Pagodinho, o morador ilustre de Xerém, cantando um samba, bonito e até bastante criativo, que falava de um "eu" lírico que viveu uma aventura amorosa, um amor de verão, passageiro e que agora voltava aos braços da mulher amada; tudo isso fazendo alusão à propaganda que o próprio havia estrelado, no final do ano passado, para a cervejaria de Itu, a Nova Schin. Agora, estou eu aqui, tomando minha cerveja - que não é aquela e nem esta - refletindo sobre a que assisti. Como fica o consumidor, que foi levado a "experimentar" a Nova Schin em função do apelo do Zeca? Não restam dúvidas de que o pagodeiro traz consigo a fama de apreciador de cerveja. Seu convite para experimentar, seduziu a muitos, inclusive a mim, porém não me convenceu. E a ética entre as agências de propagandas? Existe? Acho que não. Questiona-se. Quando contrataram o Zeca Pagodinho, não exigiram sua fidelidade por um certo lapso temporal com a primeira cervejaria? Será que não previram a possibilidade, que agora se concretizou, de ele voltar aos "braços da cerveja amada"? Será que a atual é mesmo sua preferida? Amanhã não poderemos ser surpreendidos novamente? O que o dinheiro não faz, hein! Todos esses questionamentos certamente poderão ser elucidados pelos ilustres migalheiros que assessoram ambas as cervejarias. Que se pronunciem!"

Anderson Carvalho Barbosa, OAB/MG n. 81.008, advogado em Montes Claros - MG - 16/3/2004

"É fácil fazer propaganda, basta fazer como a Agência Africa, de Nizan Guanaes, basta copiar. Onde ficará a credibilidade de artistas que recebem fortunas para fazer propaganda desse ou daquele produto? No bolso? E os consumidores que são levados a acreditar como ficam? O que fará o Conar sobre a questão ética?"

Raimundo Nonato Lopes Souza - 17/3/2004

"Não vejo anti-ética na propaganda da Brahma. Vejo antijuridicidade, apenas: uma quebra de contrato. Em verdade, vejo com bons olhos a nova propaganda da Brahma. A Schin não amealhou participação de mercado devido à melhoria de seu produto, ou, à redução de seu preço, que são os dois principais pontos capazes de gerar aumento de satisfação ao consumidor. O aumento de participação de mercado deveu-se a uma campanha gigante, milionária (estima-se que só em Mídia, a Schincariol tenha gastado mais de R$ 10 milhões em um período de 4 meses!), cheia de mensagens subliminares e zombarias às outras marcas para a maquiagem da marca Schin, a criação da NOVA SCHIN, que de nova não tem nada. A cerveja continua ruim! Talvez, ao mostrar o Zeca Pagodinho voltando para a cerveja antiga, a propaganda da Brahma sirva para dizer o seguinte: Schin, melhore o seu produto, reduza os seus preços (enfim, seja competitiva!) para ter a fidelidade do consumidor, porque gastar com publicidade nós também podemos, e, então, aqueles que experimentaram vão voltar! Um brinde à salutar competição entre as cervejarias e Oxalá ganhem os consumidores melhores sabores e preços. Parabéns ao CONAR por não punir o estímulo à competição!"

Tiago Franco Gomes - 17/3/2004

"O país inteiro está presenciando a grande falta de ética e decoro da agência África e da Brahma na campanha publicitária com o Zeca Pagodinho, contra a Nova Schin, num desrespeito sem precedentes ao consumidor brasileiro. Vários migalheiros, como os srs. Anderson Carvalho Barbosa (882), Raimundo Nonato Lopes Souza e Dirceu Pereira de Santa-Rosa (883) também presenciaram e expressaram suas opiniões. Menos o CONAR, que nada viu, indeferindo o pedido de suspensão da famigerada campanha. Não tomo nenhuma das duas cervejas envolvidas, mas pelo visto, é melhor suspender o CONAR."

Milton Córdova Júnior - 18/3/2004

"Com relação às observações feitas pelo migalheiro Anderson Carvalho Barbosa sobre o affair Schin, Brahma e Zeca Pagodinho, penso que o caso não demanda grande reflexão. Pagodinho fez o que fez por dinheiro. E ponto. Claro que, para o consumidor, Pagodinho passou uma imagem mercantilista que, aliás, é o justo ônus decorrente deste tipo de postura. Nesta estória toda, quem se chamuscou mesmo, portanto, foi o pagodeiro de Xerém. Por outro lado, e particularmente, não penso que a atitude da Brahma tenha sido antiética, até porque, exatamente como na advocacia, o "cochilo" do ex adversus pode e deve ser explorado pelo bom advogado. A Schin sabia ou deveria saber em que tipo de negócio está atuando, um ramo em que 1% de mercado equivale a R$ 80 milhões de faturamento/ano. Tudo o que a Brahma -- na verdade AMBEV -- puder fazer para derrubar a Schin, certamente o fará. De todo modo, se é que isso serve de alento à cervejaria de Itu, o fato é que salvo alguma bobagem administrativa grossa, a Schin veio para ficar e o que ela conquistou de market share dificilmente será integralmente perdido. Em suma, a Schin não voltará a ser a cerveja caseira de priscas eras."

Antonio Minhoto - 18/3/2004

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