quinta-feira, 22 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Invasão do Iraque

de 21/3/2004 a 27/3/2004

"Com referência ao artigo escrito pelo eminente jurista Mário Gonçalves Junior sobre a Guerra do Iraque, gostaria de fazer algumas pequenas observações: A decisão tomada pelo novo governo espanhol de retirar suas tropas do Iraque não significa uma vitória do Al Quaeda, mas uma vitória da democracia e uma demonstração da evolução humana que hoje repudia a utilização da força para a solução de conflitos internacionais. Já durante a campanha eleitoral na Espanha, o Partido Socialista local afirmava sua intenção de se retirar do Iraque. Reação legítima, haja vista que a decisão de apoiar a política externa dos Estados Unidos com relação ao Iraque, fora tomada a título pessoal pelo então Primeiro Ministro José Maria Aznar que preferiu ignorar as inúmeras manifestações populares contra a guerra. Ora, além de querer aplicar a teoria ultrapassada de “l’Etat c’est moi” oposta ao que hoje entendemos por Democracia, o então governo optou, outrossim, por omitir a autoria do atentado do 11 de março, desviando a atenção da Mídia para o Grupo Separatista Basco ETA, pelo menos até o final das eleições, numa tentativa perigosa de se manter no poder. Por fim, cumpre observar que o atual Primeiro Ministro Socialista José Luis Rodriguez Zapatero afirmou pretender cooperar com o pós-guerra do Iraque caso o conflito seja delegado a quem de direito, ou seja, a Organização das Nações Unidas."

Beatriz Binello Valério - Doutoranda em Direito Internacional Público pela UCL - Bélgica - 22/3/2004

"Meu ilustre amigo Mario Gonçalves Jr. escreve sempre excelentes artigos, mas este de hoje (Migalhas 886) é especial pois sai do nosso mundinho jurídico para tratar de um assunto que aflige o mundo todo. Concordo plenamente que a guerra tenha sido um erro, mas não posso aceitar que não exista solução além de rezar. O círculo vicioso tem que ser interrompido, se não pode ser pelos terroristas, então que o resto da humanidade coloque a cabeça no lugar e pare de querer revidar. Vamos aproveitar a quaresma e tentar fazer o bem, mesmo para aqueles que nos tenham feito mal. Vamos tentar ouvir mais para compreender melhor. Vamos tentar levar a luz, mas sem impor a "nossa luz"."

Renata Neeser, Demarest e Almeida - Nova York - 23/3/2004

"A falta de informação quase completa que se tem no Brasil sobre os motivos por trás dos chamados atos terroristas não deixa entrever a realidade absurdamente cruel a que estão submetidos os povos do Iraque, Afeganistão e Palestina. Quando vemos na tv que houve outra explosão de homem bomba e engolimos passivamente o estereótipo do muçulmano bárbaro dificilmente conseguimos nos dar conta do quanto a informação foi manipulada e apresentada para nos manter na total ignorância da realidade daqueles povos, simplesmente porque vemos esses acontecimentos a partir da ótica do contador da história, geralmente, ocidental. Existem, no entanto, fontes como o jornalista Robert Fisk, que muito bem testemunhou a invasão no Iraque e dia após dia relatava a crueldade desumana inimaginável que os "ataques inteligentes" da tecnologia ocidental causavam a cidades inteiras no Iraque. Bombas com estilhaços altamente tecnológicas que partiam os membros das pessoas, onde quer que elas estivessem, até mesmo dentro de casa; destruir o Iraque para depois vender o direito de reconstruí-lo para a Halliburton; os planos de tomada de posições estratégicas no Oriente Médio há muitos anos elaborados; a parceria Al Qaeda - Casa Branca, Washington - Israel; todas as incongruências do 11 de setembro; as acusações precipitadas, enfim são tantas coisas, mas tudo isso passa ao largo da consciência do brasileiro que recebe a maior parte de suas informações da Rede Globo.. O recente atentado de Madri, o 'ataque' ao WTC, tudo isso é revestido de uma mítica que acaba convencendo que 'se os aliados recuarem, os desumanos métodos das organizações terroristas serão coroados de êxito pleno', como se aqueles povos encontrassem grande prazer em se explodirem e viverem sob embargos, opressão e ameaça. É exatamente isso que eles querem que pensemos. Só que o terrorismo de estado, a morte de milhares de inocentes nos países do Oriente (estima-se 50.000 civis iraquianos), a agressão diária de total desrespeito aos direitos humanos básicos (no caso da Palestina, Afeganistão, Iraque etc) são zelosamente mascarados. Afinal, o que os olhos não vêem, o coração não sente. O terrorismo existe quando há opressão e desrespeito pela pessoa humana, um desespero em grau tão intenso que da ótica ocidental talvez não conseguiremos entender. É necessário que saiamos de nossa posição confortável para olhar através do ponto de vista do outro. E talvez vamos então descobrir a grande Matrix em que estamos vivendo."

Cecília Martone Moreira - 23/3/2004

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