domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Migalhas de peso

de 21/3/2004 a 27/3/2004

"Com referência ao artigo escrito pelo eminente jurista Mário Gonçalves Junior sobre a Guerra do Iraque, gostaria de fazer algumas pequenas observações: A decisão tomada pelo novo governo espanhol de retirar suas tropas do Iraque não significa uma vitória do Al Quaeda, mas uma vitória da democracia e uma demonstração da evolução humana que hoje repudia a utilização da força para a solução de conflitos internacionais. Já durante a campanha eleitoral na Espanha, o Partido Socialista local afirmava sua intenção de se retirar do Iraque. Reação legítima, haja vista que a decisão de apoiar a política externa dos EUA com relação ao Iraque, fora tomada a título pessoal pelo então Primeiro Ministro José Maria Aznar que preferiu ignorar as inúmeras manifestações populares contra a guerra. Ora, além de querer aplicar a teoria ultrapassada de "l'Etat c'est moi" oposta ao que hoje entendemos por Democracia, o então governo optou outrossim por omitir a autoria do atentado do 11 de março, desviando a atenção da Mídia para o Grupo Separatista Basco ETA, pelo menos até o final das eleições, numa tentativa perigosa de se manter no poder. Por fim, cumpre observar que o atual Primeiro Ministro Socialista José Luis Rodriguez Zapatero afirmou pretender cooperar com o pós-guerra do Iraque caso o conflito seja delegado a quem de direito, ou seja, a Organização das Nações Unidas."

Beatriz Binello Valério Doutoranda em Direito Internacional Público pela UCL-Bélgica - 25/3/2004

"Meu ilustre amigo Mário Gonçalves Jr. escreve sempre excelentes artigos, mas este de hoje (Migalhas 886) é especial pois sai do nosso mundinho jurídico para tratar de um assunto que aflige o mundo todo. Concordo plenamente que a guerra tenha sido um erro, mas não posso aceitar que não exista solução além de rezar. O círculo vicioso tem que ser interrompido, se não pode ser pelos terroristas, então que o resto da humanidade coloque a cabeça no lugar e pare de querer revidar. Vamos aproveitar a quaresma e tentar fazer o bem, mesmo para aqueles que nos tenham feito mal. Vamos tentar ouvir mais para compreender melhor. Vamos tentar levar a luz, mas sem impor a 'nossa luz'."

Renata Neeser - escritório Demarest e Almeida - Nova York - 25/3/2004

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