sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Crises no governo

de 28/3/2004 a 3/4/2004

"Não sei bem qual a fábula que nosso governo segue (Migalhas 890, Guilherme Zagallo), recordo-me neste instante daquela do "O Louco e o Sábio" de La Fontaine. Porém, tenho ciência apenas de que o crescimento do PIB em 2003 foi negativo e de que os índices de desemprego atingiram patamares da década de 80 do século passado (período da moratória). Há algum tempo, fiquei muito impressionado quando soube que o rei da Suécia aportou com a família no Galeão vindo em um vôo de carreira; primeiro, porque o país nórdico é um pouquinho "mais melhor de bom" (em vernáculo atual) do que o nosso e, em segundo, porque para os viquingues deve ser mais econômico alugar, a cada viagem, alguns assentos em um aviãozinho da SAS do que mandar fazer um todo personalizado pela singela bagatela de quase US$ 60 milhões de dólares norte-americanos. O técnico Zagalo disse certa vez que "temos que perder para apreender", talvez tenhamos que passar pelo PT (Partido Teratológico ou dos Tributos, como queiram) para poder entender que governar é colocar a culpa nos governantes anteriores (coitado do Pedro, ele mesmo, o Álvares Cabral!) a tentar, ao menos, realizar efetivamente algo, ao invés de prometer, prometer, prometer... E não nos esqueçamos do IGPP (Índice Geral de Promessas Presidenciais)!"

Alexandre Thiollier, escritório Thiollier Advogados - 29/3/2004

"Será que é muito importante para o progresso de uma Nação tanta viagens? Desculpe-me divergir do nobre migalheiro Guilherme Zagallo neste ponto, mas a Nação não precisa de avião novo - ela precisa de alimentação, estudo, segurança e habitação. E isto está cada vez mais difícil..."

Gilsinei Gesteira Floriano - 29/3/2004

"O Brasil é o país das eternas reformas. Primeiro, precisamos mudar a Constituição, que inclusive foi alvo de travessura. A Constituição (obviamente) não funcionou. Então precisamos reformá-la (começam as emendas). Nada mudou. Ah, é por culpa da Previdência Social. Dá-lhe reforma. Não, a culpa é da carga tributária. Então vamos reformar! Mas o Judiciário não funciona. Precisamos reformar urgente! Mas a solução depende também de reformar o sistema eleitoral. Reforma nele! E assim os mandatários do povo se sucedem no poder e nada de novo acontece. Enquanto os Três Poderes discutem o que e como reformar, e a forma de se conseguir apoio ou compensar este apoio, o trabalhador chega em casa e mal tem o que comer; o nordestino reza para não faltar chuva e assim colher o milho e o feijão de corda para se alimentar; as favelas se multiplicam; inocentes morrem pela mão da polícia; bancos anunciam lucros vibrantes... e o Governo? O Governo, quer reforma! O Presidente viaja, o Congresso quer CPI, O Judiciário não quer controle. E o povo? E o desempregado? E o favelado? E os velhinhos doentes? Meu Deus, está tudo errado. Legislativo e Judiciário deveriam utilizar o tempo para pensar soluções para combater o tráfico de entorpecentes, para fixar o homem do campo onde ele pode ser produtivo, para produzir alimento barato e com abundância, para combater a especulação. O Judiciário, por sua vez, deveria pensar soluções para agilizar a prestação jurisdicional. O Brasil não precisa de tantas reformas, o Brasil precisa de planejamento e ação. Mas como os detentores do Poder são incompetentes para isso, jogam a culpa na "herança maldita", na necessidade de reformas. Uma ou outra questão poderão depender de mudança na legislação, mas para desapropriar terras à margem do Rio Tietê (onde não mais é poluído) e alí desenvolver um projeto sério de fixação do homem no campo, dando lhe condições de produzir alimentos, não depende de reforma, mas de boa vontade, tal qual deixando de investir 1 bilhão de reais na compra de aviões de guerra e destiná-lo à reforma agrária. E se os Mandatários não souberem fazer isso, então que peçam demissão."

Emerson José do Couto - escritório Fernando Corrêa da Silva Advogados Associados - 30/3/2004

"O General Charles de Gaulle, em seu túmulo na Colombey-les-Deux-Églises, depois de ler várias notícias sobre o Brasil (por exemplo, a junção do PDT com o PFL, o impedimento de CPI pelo PT etc.) deve estar eufórico por haver descoberto que "O Brasil não é um país sério". Atenciosamente,"

José Maria Filardo Bassalo, físico - Belém/PA - 30/3/2004

"Antes de Clinton vir às terras tupiniquins, um relatório do governo americano afirmou que vivíamos em corrupção endêmica. Já Charles de Gaulle não falava somente dos militares quando disse que este não era um país sério. Ao invés de ficar fechado sobre o próprio conceito elevado de si mesmo, o Jornal do Brasil (Migalhas 892 - 29/3/04 - Para inglês ver), assim como grandes técnicos brasileiros em todas as áreas, deveriam escutar mais os países que dão certo. Nosso problema não é intelectual, é moral."

Lucas Sampaio - 31/3/2004

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