quinta-feira, 22 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Salário-mínimo

de 9/5/2004 a 15/5/2004

"O que você faria se tivesse à disposição mais R$ 0,66 (sessenta e seis centavos) por dia na sua conta? Daria esmola? Compraria um chiclete? Esqueceria de lado? Perderia talvez? Não consigo pensar em muita coisa para fazer com 66 centavos diários a mais na minha conta. Pois – pasmem – é este o aumento que o governo que no poder se encontra está dando para os trabalhadores que dão nome ao seu partido. Não sei não, mas acho que a bomba relógio em que o governo a cada dia que passa põe mais pólvora, está prestes a explodir. Talvez o Presidente só sinta o impacto que causará sua explosão (da bomba relógio) em outubro, quando precisará dos trabalhadores que tanto defendeu e que hoje em dia humilha, ao conceder um aumento real de 1,7% no salário mínimo. Não me surpreenderá uma decepção do partido dos humilhados, digo, dos trabalhadores, em outubro quando haverá um mini-quase-plebiscito, que se confundirá com as eleições municipais. O Senador Arthur Virgílio quando discursando na tribuna hoje (04.V.04) mostrou uma foto publicada pelo jornal Correio Braziliense onde aparecem os principais caciques da atual cúpula do poder, menosprezando ou ironizando o aumento dado pelo governo anterior ao salário mínimo que foi de 5,8% de aumento real, isto é, o quíntuplo do que aumentou o governo a cinco dias. Não defendemos aqui um aumento irresponsável que prejudicasse as contas do governo, mas, por saber que fontes de recursos não faltariam, defendemos um aumento no mínimo justo, que elevasse o mínimo para no mínimo $100 (cem dólares), o que mesmo assim representa um valor ínfimo, visto que vizinhos nossos mais pobres possuem salários de cento e cinqüenta dólares ($150), como é o caso da Argentina, e de $130 (cento e trinta dólares), caso este do paupérrimo Paraguai. Por acreditar que é possível um país mais justo, defendo – como forma de dar o primeiro passo para tal justiça – um aumento justo e que realmente ajude no duro dia-a-dia do trabalhador."

Alcimor Rocha - 10/5/2004

"A Lombriga da minha barriga adverte: com o novo salário mínimo, vou continuar solitária."

Sídnei Vasconcelos - 10/5/2004

"Gobel, o “marketeiro” de Hitler, que foi o responsável por convencer a opinião pública alemã de que a raça ariana era realmente superior às demais, justificando assim a matança selvagem, perversa e desenfreada de judeus antes, durante e (para alguns) depois da Segunda Guerra Mundial, dizia que uma mentira contada diversas vezes acaba sendo tida como uma verdade. Endosso o que o Duda Mendonça da época dizia. O faço porque venho vivenciando a verbalização – por parte da atual cúpula do governo – de uma mentira que temo ser tida como verdade. “É demagogia a defesa de um salário mínimo maior que R$ 260”, “O orçamento não permite aumento real maior que o de 1,7% no mínimo”. As duas últimas frases são exemplos de mentiras que vêm sendo ventiladas muitas vezes nas últimas semanas e que para alguns têm se tornado verdade. Mas eu digo: ESTA MENTIRA NÃO É VERDADE. Esmiuçando ou “garimpando” o orçamento aprovado no Congresso para o corrente ano, a Senadora Heloísa Helena facilmente encontrou R$ 5.000.000.000,00 (cinco bilhões de reais) que poderiam ser perfeitamente direcionados para o aumento do mínimo para o valor de R$315,08 (trezentos e quinze reais e oito centavos). Assim chegamos à conclusão de que vontade política é o fator que falta para que os sofridos trabalhadores tenham no fim do mês R$ 55,00 (cinqüenta e cinco reais) a mais para os seus sustentos e o de suas famílias. Pressionemos e façamos coro contra as falácias governamentais, para salvar o trocado a mais daqueles que mais precisam, pois se não formos nós privilegiados por termos acesso as verdadeiras informações, quem irá desmascarar para a opinião pública os caciques que no poder se encontram?"

Alcimor Rocha - acadêmico de Direito da UNIFOR - 12/5/2004

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