terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Ryan Gracie

de 16/12/2007 a 22/12/2007

"Ainda poderia estar vivo, se, da delegacia, tivesse sido encaminhado a um hospital. Inconcebível que um psiquiatra receite 6 medicamentos tarja preta a um paciente que passa por um surto alucinatório paranóico. Ainda que tenha orientado para só tomar os remédios quando a síndrome da abstinência se instalasse. Nunca deveria ter confiado em alguém que padece de um 'equilíbrio' tão delicado. No mínimo, foi imprudente."

Conrado de Paulo - 18/12/2007

"Agora é que vamos ver como é que fica aquela história da 'máfia de branco', quando vários médicos aparecem, mostrando a cara, na televisão, afirmando que o 'tratamento' foi claramente inadequado. Aliás, até o Rafael Ilha, o Polegar, um dos últimos famosos tratados pelo mesmo psiquiatra, está nos jornais, pondo a boca no trombone, contra a clínica do tal psiquiatra, denunciando-o. Ryan, antes de ser preso, tinha usado cocaína, crack, maconha e dois tranquilizantes: Frontal e Dormonid. Na cadeia, o psiquiatra prescreveu, segundo as notícias, Haldol (antipsicótico), Fenergan (antialérgico/calmante), Topamax (antiepilético/anticonvulsivo), Leporex (antipsicótico, Dienpax (tranquilizante), Capoten (para pressão arterial) e Prozac (antidepressivo). O coquetel, na opinião de especialistas, é uma bomba que poderia matar qualquer pessoa. Marcos Coelho, professor de psicofarmacologia da Universidade Federal de Minas Gerais, informa que não há indicação na literatura médica do uso de tantos medicamentos ao mesmo tempo. Agora, é ver o que acontece, nesse país no qual nada acontece."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 19/12/2007

"Em complemento ao coquetel da morte aplicada por um estranho e sinistro psiquiatra, vamos às quantidades administradas no problemático lutador: 3 ampolas de Haldol (antipsicótico poderoso), 2 ampolas de Fenergan (potente antihistamínico), mais 2 ou 3 comprimidos de vários outros psicoativos. À feijoada medicamentosa o celerado ainda juntou antidepressivos e tranquilizantes. A chamada 'ética médica', que não é, muitas vezes, mais do que corporativismo malsão, está freando e amanciando os 'pareceres' dos outros doutos Hipócrates. A conduta do fulano de branco constitui uma manifesta demonstração de ignorância e irresponsabilidade. Por favor, parem-se todos os processos de prática ilegal de medicina. O CRM parece ser uma licença para matar e mutilar. Aliás, quem viu imagens do 'psiquiatra' na TV e tenha um mínimo de vivência do comportamento humano conclui que o sujeito mostra nítidos contornos de 'border line'. Como ainda funciona a tal Clínica Maxwell ? Por muito menos fecharam o Hotel e a boite de conhecido homem da noite. Como chamar esse psiquiatra ?"

Alexandre de Macedo Marques - 19/12/2007

"Ryan Gracie não era um cidadão exemplar, mas estava sob a custódia do Estado. Portanto, na forma da CF/88 tinha direito à preservação de sua integridade física e moral. Por outro lado, o Delegado tinha o dever de mantê-lo preso e não poderia soltá-lo só porque ele estava alucinado em razão das drogas que ele utilizou. A autoridade somente poderia permitir sua saída da Delegacia mediante: a) comprovação de uma justificativa médica; b) a existência de um hospital que pudesse receber a internação de um preso violento. O Delegado chamou um especialista. Sua conduta, portanto, foi perfeitamente adequada. O especialista avaliou e medicou o paciente. Se houve ou não erro na dosagem isto dependerá da avaliação dos resultados laboratoriais. Por ora, só podemos concluir que a morte do lutador 'tranqueira' numa Delegacia foi mais uma fatalidade que dá visibilidade a precária situação do Estado. Quantos são os presidiários pobres e doentes que sofrem tanto ou mais que Ryan nas Delegacias e Presídios Paulistas sem que seus casos sejam tão explorados pela mídia ?"

Fábio de Oliveira Ribeiro - advogado - 21/12/2007

"Eu não ia comentar, mas já que o colega migalheiro Alexandre de Macedo Marques o fez, me junto a ele, para dizer que, com certeza, não compraria um carro usado do tal psiquiatra. Muito menos tomaria um medicamento por ele prescrito. Sei não, mas ao vê-lo na televisão, tal como Gonzaguinha, dizendo que 'começaria tudo outra vez', caso tivesse oportunidade, desgrenhado, ou como definiu o colega com nítidos contornos de border line – Lombroso diria 'Stigmata' – também pensei que alguém, o CRM, talvez, deveria impedi-lo de repetir a façanha anunciada."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 21/12/2007

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