domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Governo Lula

de 16/12/2007 a 22/12/2007

"Não consigo conceber bem a questão do pecado. Porém, ao meu juízo, se pecado realmente existe creio que o tal bispo de Barra/BA, esteja praticando um dos mais gritantes, quiçá com a exata dimensão do 'velho Chico'. Ainda por cima, contrariando frontalmente a sua igreja, justamente quando se nega a Partilhar com os necessitados um pouco da fartura hídrica do São Francisco a escorrer dia e noite para o mar. Por esta razão o bispo Cappio se transforma de vez, num antifranciscano na 'cuia grande' como se diz aqui no Cariri. Penso, contudo, que o sacerdote deve ter se encantado com a repercussão midiática da sua primeira ação. Ora, na época a mídia queria desestabilizar o governo Lula. Agora não está nem aí para o fato, posto que não tem mais interesse nesta pantomima insossa. Ao longo da história, inúmeros foram os nordestinos que sucumbiram de inanição e fome, vítimas do flagelo repetitivo das secas. Portanto, a fome nos nossos grotões é uma realidade nua e crua até hoje. De modo que este negócio de 'greve' é uma balela à vista do drama a muito vivido pela nossa gente. O próprio presidente Lula um dia, como muitos ainda hoje o fazem, foi obrigado a fugir do Nordeste para não morrer de fome. Quanto muito o fantasma da seca tem feito historicamente de milhões de sertanejo-nordestinos verdadeiros exilados na sua própria pátria. Ora, bolas! Greve de fome é coisa da elite, da burguesia. Fome mesmo é a que secularmente assola o sertanejo forte e resistente dos rincões dos esquecidos. São Francisco, o santo da natureza, e padre Cícero o patriarca do Nordeste estão do lado dos mais fracos. Viva a transposição!"

José Cícero da Silva - Professor - Aurora/CE - 18/12/2007

"Noticia-se na imprensa que decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu ao presidente da Bolívia, Evo Morales, o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais importante comenda nacional, criada para homenagear as pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras que se tenham tornado dignas do reconhecimento do Brasil. Pergunto ao presidente de meu país: o que Evo Morales fez, de bom, para a nossa nação e que deva ser reconhecido pelos nossos compatriotas ? Qual a justificativa para esse ato ? Lamentável! Saudações humanísticas e democráticas."

Paulo R. Duarte Lima – advogado, OAB/RN 6.175, Natal/RN - 18/12/2007

"Antes de ser religioso, o bispo Luis Flavio Cappio é um ser humano. Em razão de sua natureza frágil e contraditória, ele também é suscetível a se tornar vítima da vaidade. A mim me parece que foi exatamente isto que ocorreu. Quando há conflito entre a vontade individual e o interesse da coletividade, a ética diz que deve prevalecer o segundo. Mas a vaidade admite submeter tudo, até o interesse da coletividade, à vontade individual. Estas questões relevantes parecem ter sido esquecidas pelo pároco. O tal acredita pia ou maldosamente que é o único capaz de interpretar o que é melhor para a coletividade. É por isto que pretende submeter a vontade do poder público. Ele age como se o Estado fosse um indivíduo e não o legítimo representante da coletividade. Quem o tal bispo pensa que representa ? Ele não foi eleito, portanto, não tem mandato da coletividade, nem tampouco exerce um cargo público. Mesmo que exercesse um teria que se submeter à Lei. Afinal, é o princípio genérico, que foi objeto de ampla discussão e deliberação (inclusive pela população já que constava do programa de governo do candidato Lula), que determina a realização da obra e não a vontade de uma pessoa determinada. O bispo tem um cargo na hierarquia da Igreja, que é uma instituição temporal. Ele já foi desautorizado pelos seus pares em Roma, mas não se curvou a recomendação para suspender a greve de fome. Continua sem comer porque acredita representar Deus ? Se este for o caso me parece que está pisando em areia movediça. Afinal, quem é um mortal para sondar a vontade do altíssimo ou constrange-la ? Na qualidade de contribuinte ajudo a custear o Estado e acredito que as obras de transposição do São Francisco devem continuar. Se o bispo resolver morrer de fome, paciência. A vida é dele e o altíssimo (se é que existe um) saberá como tratá-lo."

Fábio de Oliveira Ribeiro - advogado - 18/12/2007

"Sr. Diretor de Migalhas, leio na Internet. Lula pede a chefe de gabinete que negocie com dom Cappio. Isso eu não entendo! Quer dizer que um simples Bispo pode paralisar uma obra, que Lula acha imprescindível. Vamos supor que isso acontecesse, por exemplo, em Israel, que fez modificações enormes, no deserto, para melhoria, o Governo de lá suspenderia se um religioso entrasse em greve de fome ? Que me desculpe o Bispo, mas ele deve intrometer-se em questão religiosa, não política, mesmo porque o próprio Vaticano está se opondo a essa greve e deveria internar o Bispo, na pior das hipóteses. Será data vênia que esse Bispo não deveria ser analisado psiquiatricamente ? Ademais, jamais o Judiciário deveria intrometer-se, numa decisão política do Executivo, suspendendo arbitrariamente a obra. Essa é a minha opinião."

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 18/12/2007

"Oh Luiz Inácio!

Não te apavore por nada!

A quincha não desaba

Da taba Tupiniquim,

Sempre hay camoatim

E banana dando cacho,

Entonces mui despacio

Campeie na invernada;

Vai vê, inda tem marmelada

Na rapa desse tacho!"

Mano Meira – Carazinho/RS - 19/12/2007

"Sobre a transposição do Rio São Francisco, saiu publicado no editorial da Folha de 7/12/07 um texto de autoria de João Alves Filho, ex-governador de Sergipe por três mandatos, e engenheiro civil, que dizia o seguinte: Com a retomada da greve de fome de Dom Luiz Flávio Cappio, o presidente Lula e seus áulicos tentam passar a imagem de que ele é um fanático religioso. O ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, ousa desrespeitosamente associar a imagem do bispo a uma espécie de fundamentalismo islâmico. Na verdade, Dom Cappio é um líder religioso profundamente comprometido com sua principal missão, que é divulgar a fé aos sertanejos e levar a eles os eternos ensinamentos de Deus, mas sem desconectá-los do mundo injusto em que habitam. Daí por que, convencido de que quem convive com a miséria não tem serenidade para cultivar dignamente a religião, se empenha em extirpar a miséria, defendendo os sertanejos daqueles que tentam legitimá-la com demagogia e promessas enganosas. Trata-se de um sábio, culto, avesso à demagogia, conhecedor do sertão nas suas entranhas e, em especial, do Velho Chico, cujas margens percorreu a pé denunciando sua degradação bem antes de se falar em transposição. Um estudioso das técnicas de convivência com as secas e equacionamento dos recursos hídricos locais - tão simples e baratas que os chineses e os indianos as praticam com sucesso há milênios em regiões de climas bem mais hostis do que o nosso. D. Cappio tem consciência também de quatro fatos dos quais a nação precisa tomar conhecimento. Primeiro, a transposição não é destinada a salvar os nordestinos da seca, pois apenas uma minoria irrelevante do semi-árido receberá água na porta, mas se destina ao agro negócio, que utilizará uma água caríssima, levada a 700 km, que terá que ser subsidiada a vida inteira. Porém, temos milhões de hectares de terras à beira do rio cuja irrigação, sem subsídio, proporcionaria alimentos baratos e geraria 1 milhão de empregos. Segundo, o governo, maquiavelicamente, esconde uma realidade que surpreenderia a nação: não há falta de água no Nordeste setentrional, mas, isto sim, ela existe em abundância tal que, teoricamente, daria para abastecer 100% dos nordestinos. Terceiro, o rio São Francisco está na UTI e a transposição ameaça provocar sua morte, gerando o maior desastre ecológico e socioeconômico da história brasileira. Quarto, Lula mentiu para conseguir a interrupção da primeira greve de fome de Dom Cappio, certamente com receio das conseqüências para a reeleição, com promessas enganosas de que iria parar a obra da transposição para discutir com ele, com membros da sociedade civil e ecologistas que têm propostas alternativas, demonstrando tecnicamente projetos racionais para levar água na porta pela metade dos custos para a totalidade dos dez Estados do semi-árido nordestino e mineiro. Por dois anos, o bispo esperou pacientemente a abertura do prometido diálogo, mas a resposta de Lula foi ameaçadoramente mandar o Exército iniciar a obra. [...]. Entre o povo que não quer a transposição e as pressões de autoridades civis e eclesiásticas, dom Luiz ficará do lado do povo. Irá até o fim. Então a transposição será aquela da maldição, feita à custa da vida de um bispo santo e evangélico. Estará o governo disposto a carregar essa pecha pelo futuro afora ?"

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 19/12/2007

"Em La Paz, Lula diz que o Brasil tem obrigação de ajudar o país vizinho. E o presidente pretende investir 1 bilhão de dólares na Bolívia de Evo Morales. Como é bom fazer cortesia com o dinheiro dos outros. Talvez fosse bom o presidente perguntar aos brasileiros se eles também acham que tem obrigação de ajudar a Bolívia. Ou se preferem investir 1 bilhão de dólares no Brasil. Na saúde, por exemplo. Ou na educação. Ou para minimizar a pobreza aqui."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 19/12/2007

"Em certo site de entretenimento (clique aqui) há uma montagem na qual o Ministro Mantega 'reclama' o seguinte, desesperado: 'A oposição acabou com a CPMF. Agora, só podemos contar com o IOF, ISS, IR, IPI, ICMS, IPVA, CIDE, ITR, IPTU, PIS, PASEP, CAFRMM, CFNDCT, CRC, CPURB, FAER, FGTS, FUST, FUNDAF, FISTEL, FUNTTEL, IEP, ITBI, ITCMD, TATE, IECG, TCFA, TCCVM, TCLP, PPU, OGP, JOPERB, IR, DUDA, MARTAXA e outros cinqüenta. Como é que vai dar para governar só com isso ?'."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 19/12/2007

"O lulo-petismo é uma patuscada às avessas. A arenga 'esquerdista' dessa gente encapotava o único obejetivo: chegar ao poder. Não passava de mero lero-lero para marcar presença. No fundo, com raras exceções, esse 'fenômeno' se nutre da porcariada policalheira: despreparo, cinismo e parasitismo."

Ary Carlos Moura Cardoso - professor da Universidade Federal de Tocantins (UFT) - 19/12/2007

"Pois é, agora o desespero do governo frente à greve de fome do Bispo já chega a influenciar editoriais de revista de renome, que a todo custo (e com a mais absoluta má fé) tentam, inutilmente, desmoralizar aquilo que não pode ser desmoralizado."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 20/12/2007

"Se o governo brasileiro fosse democrático, daria atenção à maioria cristã e católica, governo de 'baixo para cima', verdadeira democracia, do povo e pelo povo e para o povo. E seus interesses não seriam 'ocultos' do povo."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 20/12/2007

"Diz ele em sua carta: a CNBB nos devolveu a 'esperança' de vê-la voltar a ser o que sempre foi em seus tempos áureos. Ora, esperança só existe para o futuro, e também 'voltar a ser' é futuro.  Nada mais lógico que interpretar que o bispo Cappio está afirmando que a CNBB está vivendo tempos, digamos, opacos, para não usarmos a expressão escuridão.  Mais ainda, mesmo ofuscado pela inanição provocada por 24 dias de jejum, conseguiu galhardamente agradecer  a solidariedade de todos que o apoiaram, exortando-os a enterrar este projeto que chama de morte, mas  em nenhum instante conseguiu  mostrar ter o mínimo  respeito aos que divergem de sua forma de pensar. Faltou em sua ilustração a famosa frase: 'posso não concordar com nenhuma palavra  que seja dita, mas respeitarei sempre o direito de que a digam'. Não sei se é para rir ou para chorar com o episódio que mais uma vez ele protagonizou. Talvez a resposta venha de Itaicí."

Arthur Vieira de Moraes Neto - São Paulo/SP - 21/12/2007

"O papel aceita tudo, dizem. Mas ao menos tem de chegar no papel para, depois, sair do papel. Se não – até parece título de filme – não passam de palavras ao vento. Todas as medidas anunciadas pelo ministro Jobim, em alto e bom som, que fariam a felicidade dos passageiros de aviões nesse final de ano, ou se perderam no vento, ou não saíram do papel. Aquela história das multas de 5% a 50% do valor do bilhete por atraso, e o dobro no caso de cancelamento, por exemplo, não saiu do papel. A prometida medida provisória que faria o ressarcimento vigorar de imediato sequer foi editada. Enquanto isso, e mesmo antes do natal, a cada 4 vôos, 1 atrasa e 7% foram cancelados, o que anuncia mais um final de ano de caos, agora o caos do Jobim, que não tem a quem culpar."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 21/12/2007

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