domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Cotas

de 6/6/2004 a 12/6/2004

"É muito simples, tapa-se o sol com a peneira: ao invés de investir nas escolas públicas para possibilitar ao marginalizado economicamente, independente de sua cor, etnia ou credo, cria-se um sistema de cotas que somente vai servir, como mencionado muito bem pelo sr. José Goldemberg, de baixar o nível dos universitários e das universidades. Enquanto o ensino de base não for reformado, não irá haver melhora nenhuma: corremos o risco de alunos repetentes que, como nunca tiveram acesso à educação de qualidade, serão aprovados unicamente para excluir qualquer possibilidade de "discriminação". O próximo passo, provavelmente, será um movimento das sub-facções religiosas reclamando que não há "discriminação positiva" ou "cotas" para seus crentes."

Cesar L. Pasold Jr. - escritório Advocacia Pasold e Associados S/S - 8/6/2004

"Compreendo que se discuta a respeito das cotas para afro-brasileiros pelo prisma da isonomia, mas não compreendo quando se lança mão do argumento de que tal medida resultará em "rebaixamento do nível" do ensino ministrado nas universidades. Quer dizer que os negros, ocupando vagas em tais instituições, reduzirão o nível? Por quê? Por que são negros? Não consigo deixar de ver, nessa argumentação, uma clara manifestação de preconceito. Quanto ao princípio da isonomia, este não pode ser compreendido pela falsa noção de que "todos são iguais perante a lei". Ao contrário, trata-se de princípio inspirador do papel que cabe à lei, qual seja, o de instrumento que conduza a que todos sejam efetivamente iguais, em direitos e obrigações. Em suma, trata-se não de um "princípio de igualdade", mas de "igualização", se me permitem o abuso da linguagem. No caso das cotas, elas certamente contribuirão para esse "processo de igualização". Ademais, o que se busca é um meio de indenizar toda a população descendente daqueles homens e mulheres que, seqüestrados em seu país, foram submetidos ao mais desumano regime de submissão de um ser vivo a outro, em função da cor diferenciada. Se se indenizam os judeus pelo holocausto que os vitimou, por que não os descendentes de africanos?"

Luís Antônio Albiero, do escritório Albiero & Morais, de Capivari – SP - 9/6/2004

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