quinta-feira, 22 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

EUA

de 6/1/2008 a 12/1/2008

"Foi dada a largada. Os jumentos partiram em desabalada carreira. Estão cabeça a cabeça e ainda não se sabe quem chegará primeiro na linha final. Se acha que estou a narrar uma corrida no sertão do Ceará enganou-se. Estou a falar da disputa pelo controle dos EUA. O fim do império já foi declarado pelo NYT, agora resta saber quem vai apagar a luz e fechar a porta da Casa Branca. Os corredores são: Hillary Clinton. Defeito: Esposa do Bill Clinton, aquele que fumou maconha e não tragou e depois deu o pirulito para uma estagiária chupar no Salão Oval. Apesar da história do pirulito do marido ir parar na boca de outra, ela não deu as contas para ele. O esposo da candidata mandou, com a aquiescência dela, bombardear a fábrica de remédios de Al Shifa no Sudão. Barack Obama. Defeito: É um candidato muito sorridente. Está rindo do que, ‘bestão’? Da desgraça que os EUA espalharam ao redor do globo sob Bush II? Este candidato tem o apoio dos afro-americanos famosos, como aquele lutador que arrancou com os dentes a orelha de um companheiro de trabalho. Também é apoiado pelo jogador de futebol americano que mandou a mulher para o cemitério. John Edwards. Defeito: É advogado. O mundo seria melhor se tivesse menos advogados. Se eleito vai defender os interesses americanos com base na Lei do mais forte. Mike Huckabee. Defeito: É fundamentalista cristão, contra o aborto, a favor do comércio livre de armas, apóia a pena de morte e pretende intensificar a guerra no Iraque para onde quer enviar mais tropas. É tão feio e tão escroto quanto o Bush II, mas comete menos gafes. Rudolph Giuliani. Defeito: Defensor da tolerância zero. Com ele na Casa Branca todo mundo vai levar porrada: os terroristas, os não terroristas, os inimigos e os aliados. Este candidato defende o uso da 'tortura humanitária' nos interrogatórios. Mitt Romney. Defeito: Este candidato é o que existe de mais grosso em matéria de finura. Mórmon e ultraconservador, Romney não bebe (álcool, café e chá), não fuma. É contra o aborto, portanto, sua mãe cometeu um engano ao ter rejeitado a oportunidade de mandá-lo para Deus antes do parto. Com tanto jumento na disputa pela Presidência dos EUA o resultado bem que poderia ser um empate técnico, não acham?"

Fábio de Oliveira Ribeiro - advogado - 8/1/2008

"Fui cooptado. Não, não se assuste Migalheiro amigo. Não foi o presidente Luiz Inácio que me encantou. Também não foi o governador Serra e muito menos o burgomestre paulistano, Kassab. Quem me convenceu foi advogado, formado em Harvard, Barack Obama. Acabo de ler 'A audácia da esperança' escrito, em 2007, pelo senador democrata de Illinois. Recomendo fortemente a todos o livro para que possam compreender o porquê desse pré-candidato, filho de pai negro e mãe branca, com uma irmã meio indonésia e uma sobrinha de ascendência chinesa, poder ser o indicado, pelo Partido Democrata, para concorrer à presidência dos Estados Unidos. Se confirmado, aposto, é pule de dez."

Alexandre Thiollier - escritório Thiollier e Advogados - 8/1/2008

"Já debatemos aqui mesmo as prévias sob a ótica dos jumentos. Agora discutiremos as prévias sob outro ponto de vista. 'Agora que os conglomerados podem dominar as expressões de opinião que enchem a mente dos cidadãos e selecionar as idéias que serão mais amplificadas, de modo a abafar as outras que, sejam lá quais forem suas validades, não têm patronos ricos, o resultado é um golpe de Estado de fato, derrubando o domínio da razão. A cobiça e a riqueza hoje alocam poder na nossa sociedade, e esse poder, por sua vez, é usado para fazer aumentar e concentrar ainda mais a riqueza e o poder nas mãos de poucos. Se isso lhe parece histérico demais, por favor continue a ler, porque apresentarei exemplos'. O fragmento acima não foi escrito por alguém desinformado, maníaco depressivo ou dominado por síndrome persecutória. O texto é da lavra de Al Gore (O Ataque à Razão, editora Manole, 2007), Vice-Presidente na gestão Bill Clinton e reconhecido mundialmente por causa de seu ativismo ecológico. Você se pergunta quem são os candidatos a Presidente dos EUA. Neste caso específico, acho que a pergunta poderia ser outra. Afinal, me parece que pouco importa quem será o próximo ocupante da Casa Branca. Há um século a 'Besta de Jefferson' tem sido comandada de fato pelas corporações petrolíferas, pelos mega-instituições bancárias, pelo complexo industrial-militar e, é claro, pela mídia monopolista. Não dá para acreditar que a política externa americana será modificada só porque Hillary Clinton ou Barack Obama tem outras prioridades. Há alguns anos publiquei na internet o texto Império do Medo, do qual gostaria de destacar a seguinte passagem: 'A cada década fica mais claro que os EUA é uma democracia capitalista que depende fundamentalmente da guerra externa para sustentar seu modelo político e crescimento econômico. As empresas que estão envolvidas direta ou indiretamente com a produção de armas de destruição em massa contribuem para a eleição do Presidente e obtém autorização seletiva para a exportação de seus produtos. Os contratos rendem trilhões de dólares e impostos que são utilizados para manter os contratos de fornecimento de equipamento aos militares americanos. Quando os aliados/compradores de armas e matérias primas e bens de capital necessários à fabricação destas se rebelam (caso específico de Saddam Hussein), a Casa Branca declara-os inimigos. Segue-se uma campanha diplomática para legitimar a nova guerra externa. A campanha militar acarreta a destruição dos estoques estratégicos e novos contratos de fornecimento são celebrados entre o Pentágono e os fabricantes de armas. Além disto, a destruição do inimigo cria novas possibilidades econômicas. E a reconstrução será realizada preferencialmente pelas subsidiárias das empresas americanas que operam na Europa ou que se instalarão no local logo após o fim das hostilidades. O discurso oficial da ONU e dos aliados dos EUA (Inglaterra, Canadá e França) se encarrega de disfarçar o imperialismo romano-americano e obter apoio e silêncio obsequioso da comunidade internacional. Por fim, o império do medo pratica o terror de Estado ao redor do mundo e se nutre da rebeldia dos aliados/compradores de armas e dos atentados praticados por terroristas desesperados. Será que Saddam Hussein, Bin Laden e seus seguidores suspeitam que são inimigos úteis aos interesses dos EUA?'. A história é impassível e nos fornece exemplos suficientes para concluir que quando uma sociedade adquire determinada dinâmica esta só é interrompida com uma derrota avassaladora. Desde os anos 1970 declina a participação da economia americana no PIB mundial. Sem as guerras este declínio teria sido mais rápido e acentuado. Por fim devemos lembrar que a 'Guerra ao Terror' anunciada por Bush II já originou duas batalhas extremamente rentáveis (Afeganistão e Iraque). Os principais atores econômicos norte-americanos que abocanharam bilhões de dólares com a destruição daqueles dois países contam com os lucros que a 'Guerra ao Terror' ainda pode render. Certamente farão o que for necessário para que dure por tempo indeterminado. Se algum presidente quiser interrompê-la atrairá o ódio mortal da elite econômica e militar americana."

Fábio de Oliveira Ribeiro - advogado - 9/1/2008

"Adoro essas discussões frutíferas. Um monte de coisa acontecendo no Brasil e gente ligada na corrida presidencial dos EUA. O mais engraçado é que os mais antenados são os que querem a menor influência possível dos EUA no Brasil. Eu sinceramente gostaria de saber dos 'salve salve' ilustres brasileiros, senhores de alta cultura, o que diriam se vissem um grupinho de 3 americanos publicarem na internet, em plena campanha de 2002 que o Lula era um semi-analfabeto incapaz de governar um país, que Serra era um exemplo patético da esquerda 'não mija e nem desocupa a moita', que Ciro Gomes é simplesmente um jegue, que Enéas é um biruta e que o Brasil seria melhor governado se tivesse um dos muitos jacarés que habitam a Amazônia no Palácio do Planalto? A triste realidade é que todos iriam se enfurecer e até processariam os americanos, mandado-os calar a boca e não se meter nos assuntos brasileiros para logo em seguida criticar os americanos de povo sem cultura que acha que a capital do Brasil é Buenos Aires."

Daniel Silva - 9/1/2008

"Aproveitando a questão da corrida presidencial dos EUA, será que algum dos que adoram o Partido dos Democratas (EUA, não o brasileiro) pode me dizer por que eles urravam que Bush deveria tirar as tropas do Iraque e quando conseguiram a maioria no Congresso resolveram deixar as tropas por lá mesmo?"

Daniel Silva - 9/1/2008

"Como minha migalha sobre o desperdício de tempo e de assunto - travestido de pseuda informação - cometido pelo advogado Ribeiro foi censurada, volto ao assunto perguntando humildemente: - Não existem, sob o céu azul cor de anil, assuntos mais relevantes, desgraças políticas, pestilências éticas, malignas incompetências e lodosas mentiras para preocupá-lo? Ou será o prezado um cidadão brasileiro invejoso por não ser norte-americano e, freudianamente, fala mal do objeto dos seus desejos?"

Alexandre de Macedo Marques - 9/1/2008

"Mais uma vez Migalhas me dá informações que eu não tinha, sobre a campanha eleitoral dos Estados Unidos. Acompanho a campanha com interesse, mas por conta do meu inglês, (ou até agora ninguém abriu o jogo) estava sem saber quem era Barack Obama. Li o e-mail de Alexandre Thiollier (Migalhas 1.814 – 9/1/08 – "Migalhas dos leitores – EUA") e minha cultura sobre ele ganhou perfil, antes estava neutra, só sabia quem era a Hillary (afinal moro no seu Estado) e torço por um democrata. Obrigada Migalhas"

Susana Menda - Little Rock, Arkansas - 9/1/2008

"Agora, cadê o sorriso estudado do Obama?"

Armando Silva do Prado - 10/1/2008

"Se meu amigo Thiollier já é cabo eleitoral de Obama (Migalhas 1.814 – 9/1/08 – "Migalhas dos leitores – EUA"), a Hilária candidata que se cuide!"

Sidney Saraiva Apocalypse – escritório Neumann, Salusse, Marangoni Advogados - 10/1/2008

"Talvez a melhor opção, para os EUA e para a Terra, seja o libertário Ron Paul, dos últimos remanescentes da 'Old Right' (Velha Direita) norte-americana. 'Menos Estado, Mais Liberdade' é, em resumo, o seu lema. Retorno das tropas do Iraque, não à guerra contra o Irã, fim da bajulação à Israel, fim das barreiras comerciais, sim ao livre-comércio, fim da imigração descontrolada, fim dos abusos estatais, sim ao direito às armas de fogo pelos indivíduos, sim à 'Constitution', sim ao Federalismo, não ao centralismo etc. etc. Se fosse um cidadão norte-americano, teria o meu apoio."

Daniel Freixieiro Sampaio - 11/1/2008

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