terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Desabafo - pai de Liana Friedenbach critica tratamento dado ao Champinha na unidade de saúde da Fundação Casa

de 6/1/2008 a 12/1/2008

"Concordo perfeitamente com o que disse o Dr. Ari Friedenbach, pai da jovem Liana Friedenbach (Migalhas 1.814 – 9/1/08 – "Revolta" – clique aqui). Também assisti à reportagem na televisão e vi o tamanho absurdo! É inaceitável o Estado prover tudo isso simplesmente porque os relatórios 'constatam doença de ordem neurológica de natureza grave e incurável'. Tadinho do Champinha... Acho que o Estado deve estar com 'dózinha' dele... Não estou querendo com isso incentivar tratamentos desumanos, enfim, o que levaria a um outro debate. O que é de se indignar é exatamente esse tratamento que estão dando para o Champinha, educando-o a ser um completo 'vagabundo'. Ué, para que serve então essa 'Unidade de Saúde'? Ah tá... entendi, o caso do Champinha é incurável (diz o relatório)... Agora sim entendi, como no Brasil não podemos matar e exterminar esse tipo de gente (não estou dizendo que sou e nem que não sou favorável), a gente finge que cumpre as Leis, demonstra que respeita os direitos humanos (e como, heim?), tudo fica lindo, o povo (só para variar) engole e o Champinha fica feliz!"

Fernanda Garcia Noronha - 10/1/2008

"O grito de Ari Friedenbach (Migalhas 1.814 – 9/1/08 – "Revolta" – clique aqui) será, com certeza, motivo de diversas migalhas. Basta ser pai para viver nas linhas de sua revolta o sofrimento experimentado pelo brutal assassinato de Liana, sua filha de 16 anos. Infelizmente, nós, os doutos, não deixamos os brasileiros, o tal de povo, se manifestar - em plebiscito - sobre a forma como devem ser tratados crimes dessa natureza. A periferia de São Paulo, de Recife ou de qualquer outra cidade está repleta de casos como os de Liane e de Felipe. Do alto do baixo Leblon ou do roseiral dos jardins, nós, os sábios iluminados, achando, que o povo acha, 'e quem acha vive se perdendo (Noel Rosa)', evitamos aprofundar a discussão de assuntos controversos. Por exemplo, a pena de morte ou o direito da mulher interromper a gravidez não devem ser objeto de consulta popular... Não escrevemos, mas cochichamos... Deixemos de ser hipócritas e aproveitemos as eleições de outubro para ouvir o berro das ruas. Antes de me fuzilarem reafirmo que sou absolutamente contra a pena de morte até porque, se morte fosse pena, seríamos todos culpados."

Alexandre Thiollier – escritório Thiollier e Advogados - 10/1/2008

"Brasil, mostra sua cara! A cada dia que passa, fico abismado com a imbecil mania que nosso povo tem de fazer de conta que nada está acontecendo. Precisamos gritar por mudanças! Caramba, para não dizer 'car...', vamos levantar! Não é possível que você, cidadão de bem, meu amigo que recebe estes e-mails, possa fazer de conta que não é contigo, precisamos gritar, para não dizer arrebentar. Não agüento mais os abusos cometidos pelos 'três poderes'! A violência nos dias autuais é incomensurável. Menores... vejam o desabafo de Ari Friedenbach (Migalhas 1.814 – 9/1/08 – "Revolta" – clique aqui). E nestas eleições, você votará em quem? O que você tem feito para mudar a situação? Ou você acredita que isso não é problema seu? Acorda!"

Fabiano Rabaneda - 10/1/2008

"Comungo das palavras do dr. Ari, a sua indignação é minha (Migalhas 1.814 – 9/1/08 – "Revolta" – clique aqui). Mas ele está sozinho nisso, enquanto, nós, membros da sociedade não formos para cima dos nossos objetivos de forma coesa, jamais viveremos numa sociedade mais justa e perfeita. Vamos nos unir, ainda é tempo."

Luiz Antonio Muniz de Souza e Castro - 10/1/2008

"'...se morte fosse pena, seríamos todos culpados'. Brilhantes e sempre pertinentes os comentários do Dr. Alexandre Thiollier sobre a tragédia vivida pelo Dr. Ari Friedenbach (Migalhas 1.815 – 10/1/08 – "Migalhas dos leitores – Repercussão"). Infelizmente, a tragédia atinge a todos nós (guardadas as óbvias proporções) vítimas da violência e escravos do medo. O começo de uma possível solução, como muito bem apontado, está nas eleições - um dos poucos instrumentos de real democracia disponível ao alcance das mãos - um outro, talvez, é jamais perder a capacidade de indignação, pois, perdida esta, nada mais incomoda."

Marcel de Melo Santos - depto. Jurídico, Goodyear do Brasil - 10/1/2008

"Caro Dr. Thiollier, em princípio estamos de acordo (afinal, é para isso que os princípios servem) (Migalhas 1.815 – 10/1/08 – "Migalhas dos leitores – Repercussão"). E concordo que a resistência cultural às formas mais diretas do exercício da democracia muitas vezes estão vinculadas a um ranço elitista. Mas o que queremos dizer quando recorremos ao lugar-comum da vontade do povo? De um lado, será que questões tão controversas como essas podem ser decididas na base binária do sim-ou-não, que parece ser o máximo que o plebiscito proporciona? Veja o caso do desarmamento, no qual uma questão complexa de segurança pública foi reduzida a chavões lamentáveis como 'armamento de bandidos x desarmamento de homens de bens'. De outro lado, até que ponto estamos dispostos a amparar a violação de direitos humanos fundamentais (como a vedação da pena de morte) em nome de princípios democráticos? Saudações migalheiras."

Tiago Zapater - escritório Dinamarco e Rossi Advocacia - 11/1/2008

"A Migalha é o texto que escrevi no ano passado, no qual menciono o caso da filha dele; mas, o texto diz respeito ao brutal assassinato do menino João Hélio, aqui no RJ. Ver abaixo.

'JOÃO, AGORA DE DEUS

No Rio de Janeiro há milícias. De acordo com o que li hoje, “voto em área de milícias ajudou a eleger policiais”. Li também, na página seguinte, que “cresce o apetite por cargos em Brasília”, que é só no que os donos do País pensam: cargos, poder e muito, muito dinheiro. Na outra página, vi o Presidente segurando um pé de mamona e dizendo que o PT não está rachado. Em seguida, vem a carta dos leitores, e estes só falam no “horror dos horrores”. Lá, na página 19, a matéria “a sociedade está no limite”, que fala de João Hélio, a vítima inocente do “horror dos horrores”.

Nesta matéria há opiniões de profissionais respeitados, no sentido de que a adoção da pena de morte em nosso País não é para ser discutida num contexto marcado pela emoção, e que o Estado não pode operar motivado pelas paixões. Outra opinião é no sentido de que “o caminho de querer fazer justiça com as próprias mãos é perigoso”, que passado o momento da comoção as pessoas refletem melhor, e que a pena de morte é discutível, sendo necessária uma legislação penal que puna.

Resumindo o que penso de tudo isto: as milícias vieram para ficar, e já ligaram o “que se dane” para as autoridades e para todos nós: ex-autoridades do executivo estão agora no poder legislativo, e ninguém vai tirá-las de lá! Vamos ser mais honestos e menos hipócritas! Esta “movimentação” anti-milícias vai durar exatamente o tempo necessário para começar o Carnaval, e depois o Pan. Quanto à “podridão” que é a luta por cargos, poder e dinheiro em Brasília... bem, é apenas a velha história: mudam as moscas... Mas, será que mudam? Enquanto a podridão avança em Brasília, e em quase todas as casas legislativas do Brasil, o Presidente planta mamona: o resultado do trabalho de muitos de nossos congressistas talvez sirva de adubo para a árvore do nosso “Guia”. Bem, ele só pode nos levar para um lugar melhor, porque, pior do que nós já estamos, é impossível!

E, depois, vêm as opiniões dos doutores, corretas sem dúvida, mas se forem aplicadas lá na Suíça, ou na Suécia... com todo o respeito! Dizer que não se pode discutir a pena de morte num contexto marcado pela emoção, é a mesma coisa que dizer que não podemos discutir a pena de morte nunca, porque é uma emoção atrás da outra, dia após dia, hora após hora. A violência desmedida é presença permanente em nosso cotidiano, emoção que nos aflige em cada esquina que dobramos, em cada olhar estranho que recebemos, a cada vez que entramos em um veículo e começamos a rezar, para chegar vivos depois de percorrer a assustadora distância de cinco quarteirões.

Outra opinião é no sentido de que não podemos fazer justiça com as próprias mãos – Lindo, bíblico! – que a pena de morte é discutível – é óbvio – e que o necessário é uma legislação que puna. Legislação que puna não, “doutores”, autoridades que punam. Leis há! Só não são aplicadas, ou são aplicadas de forma branda demais. Mas, opinião é opinião, e é para ser respeitada; mas, pode ser combatida. Por ora, não vou combater mais nada, apenas pretendo falar de João.

João foi um dos primeiros discípulos chamados por Jesus, e teria sido um dos incumbidos de preparar a ceia da Páscoa, a Última Ceia, na véspera da crucificação de Jesus. Dizem que ele tinha o temperamento inflamado, e que uma vez havia “expulsado demônios” em nome de Jesus, porque eles se recusavam a fazer o bem. Pois bem, os demônios voltaram, e eram cinco, e resolveram se vingar de outro João, este menor, indefeso... mas também João. E não eram adolescentes não! Eram adultos! Imaginar, ou cogitar, que estes “menores” já não são adultos há muitos anos, é um absurdo tão grande quanto imaginar que em Brasília não há corruptos, que lá eles se preocupam conosco, e que as milícias vão acabar (não vão acabar as milícias, nem os que elas elegeram).

Estes “demônios” menores já são maiores de idade desde os 12, 13 ou 14 anos. Cresceram, se educaram e se profissionalizaram em um ambiente propício à sua má educação e aos seus péssimos instintos. Culpa de todos nós, eu sei, mas a realidade é esta! Eles são adultos, e como adultos devem pagar pelos crimes que cometem. Hoje, muitos se insurgem contra a hipótese de crime, quando meninas de 12, 13 ou 14 anos transam com homens maiores de 18 anos, no sentido de que elas já são mulheres e que já sabem o que fazem. É a pura verdade! Eu mesmo tenho um cliente, com 20 anos de idade, condenado a seis anos de cadeia por transar com uma “mulher” de 14 anos, que nem virgem mais era quando transou com ele; e olha que ela gostava dele, e que foi tudo “no amor”. Mas, a lei ainda considera “estupro” transar com menor de 14 anos, embora a sociedade diga que não é mais. Claro que, cada caso é um caso!

Logo, guardadas as proporções com a hipótese acima, um menor de 18 anos, com as características dos “demônios” que mataram João, tem que pagar como adulto pelo crime que cometeu. Há poucos anos, um “demônio” apelidado de “Champinha” assassinou um casal com requintes de crueldade, “comandando” os outros assassinos. Quem ousar dizer que ele tem que ser tratado como menor, com o máximo respeito, é porque perdeu todo o bom senso e a razão. As leis têm que mudar! Se uma menina de 12 que quer transar pode ser considerada mulher, um menino de 12 que quer matar pode ser considerado homem. Ainda mais esses assassinos com mais de 14 anos! Simples assim, e a sociedade quer assim! É uma pena que, uma vez na cadeia, eles vão engrossar a pior estatística da reincidência, mas esta já é outra história! Lembrando rapidamente, em “prisões” de menores, a reincidência gira em torno de 20%; em prisões de adultos, já chega a 80%.

Voltando ao João, que tinha nome de um dos discípulos de Cristo e do Papa mais querido, este nosso João pequenino foi martirizado. Se fosse vivo, João Batista – outro João – já teria cortado a machadadas os “demônios” que assassinaram seu homônimo João, pois ele dizia que “o machado já está posto à raiz das árvores; e toda a árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo”. Esta é a vontade que todos nós temos: lançar os demônios ao fogo, o tal “Champinha, e os assassinos de João! Mas, tudo o que nos resta é apelar – Olha que ironia? – para os eleitos pelas “Milícias” e para o plantador de "mamona”, para que façam algo pelo nosso povo, para que possamos tentar sobreviver. Aliás, hoje no Rio e em São Paulo morrer é muito fácil; difícil é viver! O tempo aqui nos trata sem piedade, pouco importando a nossa tristeza.

...

- Eu sei, João, que o que a lagarta interpreta como o fim do mundo, é o que denominamos borboleta! Voa então menino, para bem longe daqui, que este lugar não te merece... Nós vamos continuar rastejando como lagartas, procurando folhas verdes de esperança para nos escondermos de tanta miséria, de tanta desigualdade e de tanta, tanta violência. Até o dia em que também nos tornaremos borboletas, e poderemos voar para perto de ti!

WANDERLEY REBELLO FILHO
Membro do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro.
Diretor Presidente do Instituto de Estudos dos Direitos Humanos e do Meio Ambiente.
Diretor da Sociedade Brasileira de Vitimologia.
11 de Fevereiro de 2007'."

Wanderley Rebello Filho - 11/1/2008

"Prezados senhores. Com respeito ao desabafo do dr. Ari Friedenbach, quero deixar a ele o registro de minha total solidariedade (Migalhas 1.814 – 9/1/08 – "Revolta" – clique aqui). Também pertenço à área do Direito. Mas vou mais longe: Qualquer aberração, na óptica da monstruosidade, deveria ser tratada de maneira diferencial. Explico: 1. Os monstros não podem viver na sociedade. 2. A sociedade não pode pagar a sua permanência reclusa ou tratamental, já que são taras, paranóis, etc., tipo câncer com metastas. 3. A eliminação física é fator primordial para estes casos. Ponto final. Perdoem-me, os céus, quando eu chegar lá, mas é a pura realidade das coisas."

José Roberto Guedes de Oliveira - 11/1/2008

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