quinta-feira, 22 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

FARC

de 13/1/2008 a 19/1/2008

"O assunto do momento é a atuação das FARC – forças armadas revolucionárias da Colômbia. E a novidade que causa espanto é o conceito que para elas postula o presidente venezuelano Hugo Chávez. Depois de resolvida a questão do terceiro refém que, na realidade, há muito tempo não mais era um refém, as colombianas, Clara Rojas e Consuelo Gonzáles foram devolvidas para seu país, onde poderão exercer as liberdades decorrentes dos direitos humanos de que são titulares. Para tanto, sabemos, foi atravessador das negociações o presidente Chávez. No momento em que elas deixaram de estar nas mãos dos seus seqüestradores, encerrou-se esse cativeiro. Enfim; e a bom termo: vivas. Isso assentado, com duas reféns libertadas, o presidente Chávez pretende que as FARC sejam retiradas da lista global das entidades terroristas e que lhes seja dado o reconhecimento de que seriam meras forças insurgentes com um projeto político que se identifica com o tal projeto 'bolivariano' do Chávez para os países da América espanhola, projeto esse do qual é apologista. Ora, que diferença fará isso? Modificar a classificação conceitual das FARC não vai alterar o conceito dominante que desfruta: as FARC são o que são e o que demonstram ser. Modificar o nome, ou a sua qualificação, não vai acarretar mudança da sua natureza. É isso que o enorme Shakespeare demonstra de forma precisa na sua tragédia Júlio César. A forma como o personagem título morreu é fato deveras conhecido: foi assassinado por seus pares, no Senado Romano, caindo e morrendo aos pés da estátua de Pompeu. Um dos conspiradores era Cássio, seu desafeto, invejoso, e dissimulado, e traiçoeiro, que instou Brútus, o preferido de Júlio César, a participar da conspiração. E para convencê-lo a participar da conspiração (o que acabou conseguindo), um de seus argumentos não foi outro senão este: ''Brútus' e 'César'; mas o que há neste nome 'César'? Por que deveria ressoar mais que o seu? Escreva os dois juntos: o seu é nome igualmente belo. Pronuncie-os, e eles cabem na boca igualmente bem. Pese-os, e eles têm o mesmo peso. Use-os para invocar espíritos, e 'César' não será mais rápido que 'Brutus'' (Tradução de Beatriz Viégas-Faria). Aí está escrito: uma vez FARC, sempre FARC, segundo o conceito de terroristas ao que se acresceu o de narcotraficantes. Esta é a imagem que as FARC construíram para si próprias e que os últimos acontecimentos revelaram que nada mudou. Assim, como ainda estão, vir a qualificá-las como 'forças insurgentes' em nada vai alterar sua natureza já assentada, nem mesmo com o patrocínio do ditador democrático Hugo Chávez. Demonstração evidente da natureza que exala das FARC veio de ser ressaltado pela ex-refém (refém = pessoa que, contra sua vontade, está em poder de outrem como garantia de alguma coisa) Clara Rojas ao afirmar em sua entrevista pós libertação que o delito de seqüestro é de lesa-humanidade. Preocupa-me muito que eles digam que são um exército do povo, e a gente vê que treinam gente para seqüestrar. Em princípio, parece ser uma organização criminosa' (in O Estado de S. Paulo - 12/1/2008 – e também em outros jornais). E, ainda, com relação às declarações da ex-refém, seqüestrada que ficou durante seis anos, sem considerar a constante pressão psicológica, destaca-se sua revelação de que reféns, utilizáveis como moeda de troca, ficavam acorrentados pelos pés e pelo pescoço, sendo todos mantidos, como ressalta, em 'prisões coletivas', em ‘áreas cercadas por arame farpado'. É a revelação de uma história que guarda semelhança com deploráveis histórias recentes. Ademais, ela disse que os reféns não têm nenhuma assistência efetivamente médica quando adoentados. Portanto, dar às FARC o nome de 'forças beligerantes', além de ser uma aberração conceitual, em nada vai modificar a sua natureza de grupo guerrilheiro estreitamente vinculado, como dizem, ao narcotráfico. Resulta, daí, ser lastimável que, apesar do empenho na libertação das reféns, o presidente venezuelano demonstre uma nada moderada simpatia pelas FARC. E considerado o tom de desagravo dado pela concessão das FARC com a libertação das políticas colombianas, considerada a existência de reféns venezuelanos, considerada a pretensão do presidente venezuelano de se manter indefinidamente no Poder mediante reeleição sem limites, será que sua política para a América espanhola não está inspirada na política germânica do terceiro reich do anschluss, a começar pela vizinha Colômbia?"

Pedro Luís de Campos Vergueiro - advogado e Procurador do Estado de São Paulo aposentado - 14/1/2008

"Então, senhor Chávez: o que diz dos seus 'companheiros' das FARC? Piratear um barco com 19 turistas e, na condição de seqüestrados (por enquanto é claro pois futuramente eles poderão ser transformados em moeda de troca), ficar com 6 e soltar os demais, isso, senhor Chávez, é comportamento de uma 'força beligerante'? Sua explicação é importante para o mundo que gostará de compreender bem os meandros do seu raciocínio e os fundamentos da sua proposta. Enquanto não esclarecer, todos quantos acompanham os dramas dos mais de 700 reféns em poder das FARC têm a visão de que há quase 800 motivos/reféns para se manter o status do grupo como terroristas subsidiados pelo narcotráfico. Aliás, dada sua insistência, é importante conhecer ainda que diferença fará mudar a classificação do grupo para os cidadãos bolivianos e para o governo boliviano (seja ele qual for, ou quem for o presidente, uma vez que as FARC foram organizadas há já algumas décadas). Será que considerá-las uma 'força beligerante', seus membros deixarão de seqüestrar? Consta que venezuelanos foram seqüestrados pelas FARC. O que tem feito por eles? Se sua indiferença é porque não os considera como tendo sido seqüestrados e que nem são reféns, o que são eles, então? Ou será que eles estão fadados a ser o motivo para uma operação resgate venezuelana no território colombiano? É para isso que vem comprando armamentos do outro lado do mundo? Quando o ouvimos gritar, sr. Chávez, 'acuso o presidente da Colômbia de mentir e dinamitar o processo de troca humanitária', ficou pendente (1) o esclarecimento de qual era a verdadeira mentira e (2) de que forma de troca iria ocorrer (da parte das FARC a entrega dos reféns; de sua parte, sr. Chávez, a entrega do quê?). A mentira não era a notícia de que a criança refém não estava em poder das FARC; e, com relação à troca, hoje sabemos que a entrega proposta pelas FARC foi cumprida, de forma que ainda falta saber qual foi a sua parte e se cumprida foi. Coragem! Não se cale e informe o mundo."

Pedro Luís de Campos Vergueiro - advogado e Procurador do Estado de São Paulo aposentado - 16/1/2008

"Magnífico Editor, Parece-me bastante estranho que uma pessoa, depois de seis, cinco ou quatro anos de seqüestro, no meio do mato, surja com uma aparência de 'miss', pele ótima, cabelo super tratado e com corte moderninho, roupitas da moda, óculos super novos e na moda, etc. etc. etc. Será que tem alguma coisa por aí que não nos contaram? Lembra da cara do Abílio Diniz quando foi libertado do seqüestro realizado pelo PT? Lembra dos demais seqüestrados que tiveram que ser submetidos a tratamento psiquiátrico? Receba um forte abraço e os meus votos de um ótimo 2008."

Fernando B. Pinheiro – escritório Fernando Pinheiro - Advogados - 17/1/2008

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