Migalheiros

25/2/2008
Romeu A. L. Prisco

"A tolerância ao ilícito, entre nós, vem crescendo de modo preocupante. Como exemplo da mais antiga tolerância ao ilícito, está o chamado jogo do bicho, que se pratica em todos os cantos e esquinas do nosso imenso território. O velho (no melhor sentido), famoso e temido professor de Direito Romano, Alexandre Correia, costumava dizer que o Brasil possuía três grandes instituições nacionais: futebol, cola e jogo do bicho. Em seguida vêm os camelôs, ditos ambulantes, que ocupam, indevidamente, áreas públicas, para venda de mercadorias e produtos falsificados e contrabandeados, sob a não menos falsa desculpa de assim procederem para enfrentar o desemprego, como se esta situação servisse para descaracterizar e/ou justificar a prática do ilícito, salvo em casos excepcionais. No mesmo patamar do ilícito, encontram-se os pichadores, que emporcalham casas, prédios e monumentos públicos. Apresentando-se como jovens apenas rebeldes e supostos amantes da arte da grafitagem, tais pichadores raramente são flagrados, seja por descuido, seja por omissão, pelas autoridades policiais, para receberem a dura reprimenda a que deveriam ser submetidos. Depois dos pichadores e quiçá por estes parcialmente integrados, vêm os estudantes universitários, que, até mesmo em algumas poucas ocasiões, apresentam justas reivindicações, mas, nem por isso, abonadoras de invasões, ocupações e depredações de reitorias dos estabelecimentos de ensino superior por eles freqüentados. O ilícito aqui referido assume proporções alarmantes, quando tais estudantes ainda se fazem acompanhar por grupos de pessoas com interesses totalmente alheios ao ambiente universitário, num autêntico festival de imbecilidade. Algumas igrejas evangélicas também não escapam do ilícito, com a realização de milagres antes impensáveis, prática de curandeirismo, exercício irregular de várias profissões regulamentadas e, até mesmo, estelionato, tudo a custa do dízimo dos seus ingênuos fieis. Nada a estranhar se, depois, em curto espaço de tempo, tais igrejas se transformam em verdadeiros impérios empresariais. Por fim, estão os diversos movimentos 'sem', como os 'sem terra' e 'sem teto', cujas atividades sempre extrapolam seus objetivos, indo e vindo, sucessivamente, do ilícito civil ao ilícito penal, sob o olhar governamental complacente e conivente, digno da 'sem-vergonhice' da política brasileira! Sem mais, subscrevo-me,"

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