quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Células-tronco

de 25/5/2008 a 31/5/2008

"Embrião humano: pessoa ou coisa? Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal deve retomar o julgamento. Na quarta-feira, dia 28 de maio de 2008, o Supremo Tribunal Federal deve retomar um julgamento que tem por réu o embrião humano. Trata-se da Ação Direta de Inconstitucionalidade 3510 (ADI 3510), ajuizada pelo Ministério Público Federal contra o artigo 5ª da Lei de Biossegurança, que permite a destruição de embriões humanos para fins de pesquisa ou terapia. Os meios de comunicação social parecem uniformemente tendenciosos. Não se fala de uma ação judicial em defesa do ser humano em estágio embrionário, mas de uma ação 'contra as pesquisas com células-tronco embrionárias'. Segundo tais veículos de notícia, essa ação teria tão-somente o fim malvado de deixar sem esperança os deficientes físicos, em especial os que sofrem doenças neurológicas. Sobre esse assunto, a maneira de noticiar também é confusa. Fala-se dos milagres operados com a terapia celular, sem especificar que todos os resultados mirabolantes até hoje foram obtidos com as células-tronco adultas (que não requerem a destruição do embrião humano), ao passo que as células-tronco embrionárias só produziram tumores, rejeição imunológica, desperdício de dinheiro e de vidas humanas. E isso desde 1981, quando foram isoladas as primeiras células-tronco em embriões de camundongos. Ao todo, mais de 25 anos de absoluto fracasso! Quando se faz uma enquete não se pergunta, como seria honesto: 'Você é contrário ou favorável à destruição de seres humanos congelados em nitrogênio líquido?' Em vez disso, pergunta-se: 'Você é contrário ou favorável à pesquisa com células-tronco embrionárias?' O modo de perguntar põe a ênfase no suposto fim bom ('as pesquisas') e não no meio mau (a morte de inocentes) que se deseja utilizar para a obtenção desse fim. Curioso é, por exemplo, o título da matéria 'Cientistas e advogados divulgam documento contra pesquisas com células-tronco', publicado pelo Correio Braziliense em 5 de maio de 2008, e ainda disponível (clique aqui) Na verdade, o documento entregue aos Ministros não era 'contra pesquisas com células-tronco', como dizia o título, mas contra a pesquisa com células-tronco embrionárias, as únicas que requerem a morte de embriões humanos, e que até hoje nada de útil produziram em termos de terapia. Os subscritores do documento, denominado 'Declaração de Brasília', atacam na verdade, não a 'pesquisa' em si, mas o meio anti-humano empregado para realizá-la: a morte de inocentes. Exaltam as pesquisas com células-tronco adultas, não só pelos seus resultados promissores, mas sobretudo porque, extraídas do próprio paciente, não são resultantes de um homicídio. Espalha-se o argumento (falso) de que os embriões humanos 'excedentes' das clínicas de fertilização 'in vitro', se não forem 'doados' para pesquisas, serão inevitavelmente jogados no lixo. Não falam da possibilidade de adotar tais embriões abandonados pelos pais, tal como se faz nos Estados Unidos e como foi recomendado pelo Comitê Nacional de Bioética do governo italiano. Espalha-se a notícia (falsa) de que os embriões com mais de três anos de congelamento se tornam 'inviáveis' para a implantação no útero. Para desmentir essa afirmação, bastaria examinar quantas crianças nasceram depois de terem permanecido congeladas por muitíssimos anos, no Brasil e no exterior. Também o Comitê de Bioética do governo italiano explica que essa afirmação não tem base científica. No Brasil, 'cientistas' reúnem deficientes físicos em cadeiras de rodas, enchem-nos de falsas esperanças e levam-no ao Congresso ou ao Supremo para pressionar a liberação da morte dos embriões. Não têm coragem de explicar aos doentes que a história das pesquisas com células-tronco embrionárias já tem mais de um quarto de século de fracasso completo. E os pobres deficientes não percebem que, assim como hoje se declara que um embrião com alguns dias de concebido não é humano, amanhã poderão dizer que um paralítico não é pessoa, que um portador do mal de Alzheimer não tem direitos, que os anciãos podem ser 'doados' para fins de pesquisa. O que está em jogo no julgamento de quarta-feira não são as pesquisas com células-tronco. Elas vão muito bem, obrigado, sem precisar molestar os embriões humanos. O que está em jogo verdadeiramente é o valor da vida humana. Os Ministros decidirão se um membro da espécie humana só tem direitos após uma determinada idade (por exemplo, 14 dias), após um determinado acontecimento (por exemplo, a implantação no útero ou o nascimento) ou após adquirir um determinado tamanho (como a estatura daqueles que hoje ocupam os tribunais). Os beneficiários diretos de uma decisão favorável à morte dos embriões serão os abortistas. De fato, se o Supremo decidir que os embriões humanos não são sujeitos de direitos, as portas estarão abertas para a liberação do aborto durante dos nove meses de gestação. A opinião pública, em sua grande maioria contrária ao aborto, está sendo manipulada pelos abortistas que se dizem defensores das 'pesquisas' e da 'ciência'. Como sempre, a desinformação é a grande arma dos fautores da cultura da morte."

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz - 26/5/2008

"Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, parabéns pelos excelentes e preciosos comentários trazidos ao Migalhas, sobre as famigeradas pesquisas assassinas com células-tronco embrionárias. Estou com você (e aviso que há aqui, dentre os colegas migalheiros, quem ainda não tenha compreendido a gravidade da situação, como você perceberá)."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 26/5/2008

"Gostaria de acrescentar ao tema a notícia (clique aqui) de uma mulher que voltou à vida após 10 minutos de ter sido declarada morta. Foi constatada a sua morte cerebral, desligados os aparelhos e um pouco antes da retirada dos órgãos ela voltou à vida. Como é que aqueles que defendem o aborto com base na atividade cerebral se portarão perante este fato? Irão dizer que a mulher pode ser enterrada porque já declararam a sua morte cerebral? Ou vão finalmente entender que a 'morte cerebral' é apenas um conceito da Medicina, que demarca o seu limite técnico e científico para curar uma pessoa e não um marco absoluto para determinar quem está vivo e quem está morto?"

Daniel Silva - 26/5/2008

"Com todo o respeito que certamente merece o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, gostaria de tecer os seguintes comentários aos seus argumentos: O sr. afirma que 'O que está em jogo no julgamento de quarta-feira não são as pesquisas com células-tronco. Elas vão muito bem, obrigado, sem precisar molestar os embriões humanos. O que está em jogo verdadeiramente é o valor da vida humana'. Ora, se o que está em jogo é o valor da vida humana talvez o sr. possa explicar o seguinte: A Igreja é (compreensivelmente) contra o aborto e (irresponsavelmente) contra quaisquer métodos contraceptivos, incluindo a 'camisinha'. Numa época em que a AIDS atinge dimensões de pandemia, a Igreja proibir seus fiéis usar preservativos mesmo estando ciente da enorme força pulsional da sexualidade aliada à liberalidade dos costumes nestes tempos modernos, é uma atitude irresponsável sim – desculpe-me dizê-lo. Mas o que me fez refletir sobre seus argumentos sobre o caso em tela foi o seguinte: a vida – todos nós reconhecemos – é o nosso maior bem. Literalmente, só Deus sabe os difíceis, fantásticos, insondáveis caminhos que o Cosmos percorreu para gerar a vida e, desde então, a luta titânica que trava para mantê-la. Talvez seja exatamente o fenômeno da vida – e o seu coroamento, a vida humana – a manifestação mais evidente de uma ordem divina. No longo processo de sua maturação a vida gerou a consciência humana que percebe, no mínimo, uma hipótese de Deus. O Homem é a natureza tendo consciência de si mesma! Por tudo isso, eu nunca consegui entender a lógica do 'voto de castidade' imposto pela Igreja aos padres e freiras. Repetindo: o universo inteiro lutou, desde sempre, para criar a vida e, depois de criá-la, luta intensamente para mantê-la. Como nenhum ser vivo é perene na sua singularidade, a vida pereniza-se na universalidade das espécies. A espécie humana pereniza-se na reprodução dos seus membros individuais. A própria Ordem cuidou para que as fêmeas produzissem o óvulo e os machos o espermatozóide. Pelo fato de um e outro existirem na interioridade do corpo, a sabedoria cósmica cuidou para que houvesse justamente o impulso instintivo, a pulsão sexual para viabilizar a união do óvulo e do espermatozóide e assim perenizar a vida para além dos indivíduos particulares. Por tudo isso, a recusa consciente ao contato sexual genital é uma negação da vida e, portanto, uma negação da ordem cósmica ou, se preferir, da ordem divina. O filósofo alemão F. Nietzsche (1844–1900) zangava-se com a tradição socrático-platônica que julgava a vida doença e a morte o remédio. Zangava-se também com o cristianismo instituído, esse paulinismo que ele chamava de 'platonismo para o povo', pelo culto à morte e ao sofrimento – esse 'não' à vida que se traduz, inclusive, numa 'divinização da morte'. Ao impor a prática da castidade a Igreja está na verdade incentivando um aborto, a saber, o aborto da pulsão da sexualidade que pereniza a vida e, portanto, negando à vida a sua finalidade cósmica, divina, a saber, a perenização da própria vida. Assim, vista a partir dessa perspectiva, a castidade é pecado - aliás, mais que pecado é crime e talvez o pior de todos: o crime de lesa-natureza."

Nelson Castelo Branco Eulálio Filho - mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará – UFC - 28/5/2008

"(Migalhas 1.905 - 28/5/08 - "É esperar para ver") O voto do Ministro Menezes, além de refutar ponto a ponto o voto do Ministro anterior, é o mais completo e científico já elaborado pelo Supremo Tribunal Federal em tempos recentes (e possivelmente na história do STF, salvo melhor juízo). Faz a gente acreditar novamente no Brasil livre da pressão dos grupos abortistas que utilizam argumentos emocionais e mentem para os deficientes que levam à Brasília, sem contá-los sobre o genocídio dos embriões, o que faria que os próprios doentes mudassem de idéia e preferissem a pesquisa com células-tronco adultas. A manipulação de setores da mídia pode até vencer, mas será uma mentira, e a própria mídia que manipulou sempre carregará isso em sua consciência (se é que tem uma)."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 28/5/2008

"Bom, sabedor de que o Padre Lodi é extremamente ocupado em sua missão de defesa da vida e evangelizadora, proponho-me a responder, se puder, as questões trazidas pelo nobre colega migalheiro Nelson Castelo Branco. Em primeiro lugar, é preciso fazer uma diferenciação entre ser contra e ser a favor. A Igreja é a favor da vida, e ela sabe que o pecado (como dito anteriormente, que é a desobediência às leis de Deus e às leis naturais) leva à morte. Ora, é sabido que libertinagem é diferente de liberdade. A liberdade é uma bênção, conduzida segundo os princípios religiosos, éticos e morais mais elementares. A libertinagem, uma maldição: o homem pensa que pode fazer o que quer, como bem entender. Todas as sociedades em que a libertinagem foi levada 'em consideração' como 'lema, regra', e a moral e a religião, sobretudo a cristã, foi relegada a um plano pejorativo, colaboraram empiricamente e historicamente para a disseminação das doenças com a AIDS. Seria um absurdo pretender argumentar que a Igreja quer esta ou qualquer doença. Ao contrário, ao proibir ou não indicar métodos contraceptivos, a Igreja chama a atenção para o que está por trás da procriação humana, idealmente: o amor e o respeito à dignidade da mulher. O sexo não pode ser visto como acessório comportamental egoísta, nem como mercadoria de consumo. O sexo é maravilhoso, justamente porque é sagrado, ao propiciar a possibilidade de uma nova vida, e representar a expressão máxima do amor entre um casal (de modo geral), expressão representada pelo surgimento de um bebê. Não se pode, respeitosamente se diz, afirmar que os métodos contraceptivos são necessários pela razão de que hoje 'a AIDS atinge dimensões de pandemia', porque este tipo de raciocínio não individualiza as pessoas que envolvem-se, ou não, nas situações de libertinagem que destroem a si mesmas e aos outros com quem entram em contato. A melhor prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é a abstinência sexual. E alguém irá dizer: bom, isso é impossível. Por quê? Impossível, por quê? Quer dizer, a pessoa emprega energias para atacar a Igreja, mas não consegue empregar essas mesmas energias para amar alguém corretamente, sem usá-lo(a)? E onde ficam valores como a fidelidade? Quer dizer, o nobre migalheiro quer que a Igreja se curve ante a - como foi dito – 'força pulsional da sexualidade aliada à liberalidade dos costumes' ? A Igreja deve ser conivente com o mal, para impedir outros males? Ou deve respeitar sempre sua identidade de lutar pela verdade e pela vida, como Cristo ensina? Por outro lado, o voto de castidade tem três conotações: uma Bíblica, outra pastoral, e outra vocacional. A Bíblica é o próprio Senhor Jesus. Ele não se casou, e dedicou toda a sua vida à salvação da humanidade. A pastoral é evidente: o sacerdote ou a freira que não se casam podem dedicar tempo exclusivo às obras eclesiais e de caridade. A terceira, enfim, é vocacional: há pessoas, deste modo, que possuem essa vocação e sentem-se realizados em não casar. Sobre a alegação de que a recusa ao contato sexual genital seria uma negação da vida, talvez não concordem com este sofisma a maioria dos Papas da história, e mesmo o próprio Cristo, que não se casaram, e defenderam a vida inclusive com a sua própria. É incrivelmente falsa a 'colocação' de que o cristianismo seria um cultura de morte. De onde veio isso? Toda a tradição cristã, partindo do 'Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida', prosseguindo para a Ressurreição, o exemplo dos santos e todas as Encíclicas papais, exaltam o valor vida. É tal a confusão conceitual, que beira uma revolta irrefletida contra algo que não se conhece verdadeiramente, a saber, a história da Igreja e a realidade de Jesus Vivo agora. Você não encontrará entre os dez mandamentos a expressão 'não farás sexo', mas encontrará, em contrapartida, o sexto mandamento bem claro: 'não pecar contra a castidade'. A castidade não é um pecado, é um valor que se traduz no respeito profundo à pureza e a conseqüente aversão à libertinagem. Por isso, recomendo ao nobre colega filósofo - também fiz Filosofia - a meditar sobre cada palavra do voto proferido hoje no STF pelo Ministro Menezes Direito. Isto, sim, é ciência."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 28/5/2008

"Sr. Diretor: sobre o voto do Ministro Menezes Direito (único que tive oportunidade de acompanhar na sessão plenária, na madrugada da TV Justiça), tenho a dizer o seguinte: que o embrião é um ser humano em potência é algo inegável e, creio, ninguém nunca disse o contrário (Migalhas 1.906 - 30/5/08 - "Células-tronco" - clique aqui). Ocorre que 'potencialidade de pessoa' não é uma 'pessoa'. Uma pessoa, em uma perspectiva laica, somente existe quando viva, e pessoa viva só existe a partir da existência de atividade cardíaca (por isso que se fala em 'morte cerebral', porque a pessoa continua viva sob o ponto de vista cardíaco). O Ministro fala que a analogia com a morte cerebral decorreria de uma pré-compreensão de vida a essa situação de consciência. Mas o que dizer dessa posição de que haveria vida humana desde a concepção (apenas pela potencialidade de desenvolvimento genético à condição de pessoa), não decorreria de uma 'pré-compreensão'? É evidente que sim – e uma pré-compreensão metafísica, transcendental, portanto sem comprovação (ao menos atualmente), o que é inadmissível em um Estado Laico – pois somente uma fé pode levar a esta pré-compreensão de vida desde a concepção. Um Estado que se paute pela racionalidade e não por subjetivismos não pode aceitar posições baseadas em pura fé. Por isso que, sem atividade cardíaca, não se pode considerar uma pessoa viva (ainda que a alma esteja lá, vida humana, neste mundo material, não há), assim como, ao menos, afigura-se plenamente razoável e proporcional que a ausência de atividade cerebral justifica a ausência de vida em sua acepção jurídica (pois a morte cerebral faz com que a pessoa não possa voltar à vida relacional de forma viável/autônoma, assim como a ausência de atividade cerebral impossibilita uma vida viável/autônoma, na havendo sofrimento em quem não possui atividade cerebral). Ainda, curioso o Ministro afirmar que não se pode prometer curas porque não se sabe se estas serão possíveis pelas pesquisas de células-tronco embrionárias: ora, se não forem feitas pesquisas, nunca se saberá... Descabido, portanto, o argumento. Concordo que valores éticos laicos devem servir de limites à atividade científica (o Ministro falou em 'valores éticos'), mas não há afronta à ética na pesquisa com embriões visto que estes não formam vida humana, mas mera potencialidade de vida. Em suma: a lei é constitucional, como os votos dos Ministros Ayres Britto e Ellen Gracie já demonstraram."

Paulo Roberto Iotti Vecchiatti - OAB/SP 242.668 - 29/5/2008

"O ministro Carlos Ayres Britto, relator do processo que julga no Supremo Tribunal Federal - STF o uso de embriões humanos em pesquisas de células-tronco, resolveu contestar com argumentos curiosos o voto do ministro Carlos Alberto Menezes Direito, lido ontem (28.5.08). Afirmou que os embriões previstos liberar para pesquisas, pela Lei de Biossegurança, são os fertilizados in vitro em laboratório os quais, para terem sobrevida, precisariam de um útero para se desenvolver. Ora bolas, é exatamente isso que as clínicas de fertilização e reprodução humana fazem para os casais que têm dificuldades de ter filhos: fertiliza óvulos, implanta no útero e congela os embriões excedentes para próximas tentativas. O que se implanta é um embrião de poucos dias que tem toda a estrutura de um ser humano, inclusive DNA próprio e único, que permanecerá nele até a morte. Necessidades para sobrevivência, sempre tivemos e sempre teremos. Seja de útero, água, ar, alimento, cuidados maternos, respeito e entendimento do que seja uma vida humana - nas suas diversas aparências - desde a fecundação até a morte."

José Renato M. de Almeida Salvador - Bahia - 29/5/2008

"A manifestação do sr. Nelson me fez questionar algumas coisas que sinceramente não entendo. A Igreja (e não sou seu fã) é contra o sexo antes do casamento e apenas aceita o sexo para fins reprodutivos, ou seja, rejeita a transformação do ato de geração da vida em um mero prazer carnal reduzido à banalidade. Se esse é o pensamento da Igreja, nada mais correto do que ser contra métodos contraceptivos. Se o sexo é o único caminho para a vida, faz todo o sentido ser contra algo que impeça a geração de vida. O que não entendo é: Ninguém é católico na hora de realizar o ato sexual, ou seja, ignoram a questão do casamento, fidelidade e respeito pelos ensinamentos da Igreja com relação ao sexo, mas numa súbita reviravolta se tornam católicos fervorosos na hora de usar camisinha. Desrespeitar a Igreja e fazer sexo antes do casamento, traindo a mulher ou o marido, apenas para comemorar a vitória do time em campeonato, aí tudo bem. Ninguém é de ferro. 'Depois eu confesso...' Agora usar camisinha? Ah isso não. Se usar camisinha vai para o inferno! E quanto à questão da AIDS eu acho que as provas estão mais contra do que a favor do Sr. Nelson. Uganda por exemplo, conseguiu diminuir de forma espantosa os casos de AIDS do país disseminando exatamente os ensinamentos católicos que descrevi acima. E outro ponto: Acho que não preciso dizer que o prestígio e influência da Igreja católica tem caído cada vez mais e em contrapartida os casos de AIDS têm aumentado. E com relação à questão da castidade, também não entendi qual é a birra. Como o próprio Sr. Nelson mencionou a Igreja exige a castidade só dos padres e freiras e não do mundo inteiro. Ora é uma opção: Se quer seguir o sacerdócio, tem que fazer voto de castidade. Não sei se é correto, mas me parece muito lógico. O ser humano vive intensamente numa tensão entre o corporal e o espiritual. Acho que só o ser humano consegue 'segurar' os seus impulsos 'pelo espírito'. Se alguém vai se dedicar ao sacerdócio, imagino que é para trabalhar exatamente o lado espiritual e explorar o verdadeiro poder que ele guarda. Nada mais lógico, então, para demonstração do poder espiritual do que renunciar a um dos mais básicos instintos de todo animal: o ato sexual. E faz bastante sentido. Sendo o padre uma pessoa que se busca para iluminação espiritual, ele próprio deve demonstrar o poder do espírito, lhe dando autoridade para orientar às pessoas o que fazer e o poder que o lado espiritual possui. Assim como não se busca um cirurgião num açougue, um motorista de ônibus num boteco não vai se querer um padre que vive em um prostíbulo. Imagine um religioso pedir ajuda espiritual à alguém que não consegue manter o zíper da calça fechado? Ora se um padre não consegue controlar os seus impulsos, o que ele pode ensinar para uma pessoa que não consegue controlar os dela? E apenas uma nota final: Nietzsche é legal, mas tem que ser dosado. Há quem diga que nem filósofo era, embora tivesse uma intuição filosófica. Digo isso por causa da citação feita. A Igreja diviniza o pós-morte e não a morte. Se a Igreja divinizasse a morte, o suicídio seria sacramento."

Daniel Silva - 29/5/2008

"É uma pena que, no caso das células-tronco, citando o famigerado estado que quer ser manifestamente contra a Igreja Católica - leia-se laico - o artigo 19 da Constituição Federal jamais tenha sido apresentado à nação católica brasileira, para sua análise e rejeição. É uma pena que o poder não emane do povo, como deveria ser."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 30/5/2008

"Eu poderia, portanto, perguntar ao nobre colega Paulo Roberto Iotti Vecchiatti, neste tema das células-tronco, o que significa a expressão 'subjetivismos' a que ele se refere reiteradamente."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 30/5/2008

"Embora não concorde com a maioria dos argumentos dos ilustres colegas migalheiros Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior e Daniel Silva, agradeço a atenção que dispensaram às minhas considerações e respeito os seus pontos de vista. A propósito, devo esclarecer que não sou 'filósofo'; sou licenciado (professor) e Mestre em Filosofia -meros títulos acadêmicos. Mas as questões que levantei são, sim, questões filosóficas (e não religiosas) e devem ser tratadas como tais. Para não tomar muito o tempo dos senhores devo dizer que o que questionei, implicitamente, foi o tão propalado 'direito à vida' que, no meu entender (filosófico, e não jurídico), abrange, para além do já vivente, do ser, do que já é, também o vir-a-ser - o direito de existir; e é este último que, acho, é negado pela negação (deliberada) da procriação. 'Há tantas auroras que não brilharam ainda', diz o RigVeda e que Nietzsche utilizou como epígrafe do seu 'Aurora'. Que autoridade pensa ter o homem (religioso ou não) para negar, deliberadamente, o vir-a-ser ontológico, esse mar desconhecido? Para negar a reprodução da vida? Qual a diferença (sob a perspectiva da eternidade) entre descartar um embrião (o ser) e impedir a existência de um embrião (o vir-a-ser)? Do ponto de vista do Absoluto é, penso, a mesma coisa; até pelo fato de que no Absoluto não há a questão do tempo, e ambos - o ser e o vir-a-ser existem, desde sempre, no Grande Ser. Questões morais são sociais; construções sociais; já a vida, e seu imperativo de continuidade, está na esfera ontológica na qual não nos cabe optar, mas simplesmente obedecer, entregar-se."

Nelson Castelo Branco Eulálio Filho - mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará – UFC - 30/5/2008

"A decisão do STF confirmou a nossa melhor expectativa e abre as portas para o desenvolvimento das pesquisas com células-tronco no Brasil. Espero que, tão breve quanto possível, as pesquisas possam aliviar o sofrimento daqueles que depositam suas esperanças no avanço da medicina. Expresso o meu mais respeitoso sentimento em relação às pessoas que tinham entendimento contrário, mas a vida democrática é feita do convívio civilizado entre os que pensam diferente."

Luís Roberto Barroso - escritório Luís Roberto Barroso & Associados - 30/5/2008

"'Células-tronco'. Volto à cena, pois o assunto merece:

'O STF e os embriões

(Ad magnam gloriam Dei

atque perpetuam rei memoriam)

Cerso de Melo mostrô

que nem a Ingreja se entende.

Digo isso com pavô

pois tem gente que se ofende.

Aristóte diz que a arma

demora pra aparecê.

Na muié, que é mais carma,

são dois meses, podes crê.

Nus hómi nu' é ansim não,

óia aqui como se conta:

um mêis da concepissão

e a nossa arma tá pronta.

Uns Papa fala que sim,

já otros dizem que não.

Mas se eles age ansim

que dizê de nóis, irmão?

Não querendo sê prolicho,

o Cerso é que tem razão:

será justo pô no lixo

os imprestave embrião?

O Supremo decidiu

uma causa munto dura

e tanta gente sorriu

vendo em breve a sua cura.

Antes dele ir embora

ele dixe pros presente:

este causo é a aurora

pra milhares de doente!

Chegado esse momento,

o clima ficô confuso,

quis mudar o jurgamento

o Ontonho Cézar Peluso.

Sabe o qui ele queria?

- é coisa de que discordo –

que a tese da minoria

fosse a minuta do acórdo!

Coisa feia, eu lhe diria,

onde arguém já tentô isto?

Ganhá na secretaria?

Isso é coisa de ministro?

O Cerso antão fica bravo,

bota o colega na linha:

"samos nóis da lei escravo,

não me venhas com gracinha.

Nosso povo isso merece:

que o juiz seja prudente."

E o resurtado foi esse:

a ação é improcedente.'"

A. Cervino - SP - 30/5/2008

"Tréplica ao sr. Nelson. Vida e Existência não são a mesma coisa. Uma pedra existe, mas não está viva. Uma pedra também violaria o vir-a-ser por não fazer sexo? E se a questão é ontológica, o ser humano está contido na Existência, no Ser. Então o que faz ou deixa de fazer é expressão do Ser e não sua negação. A diferença entre descartar um embrião e 'impedir' a sua existência seria semelhante a dar um tiro em um pessoa e esperar que ela morra de causas naturais. Digo semelhante porque não aceito a questão de 'impedir a existência'. Não há como impedí-la. Ou existe ou não existe. E o vir-a-ser se aplica tão bem ao vir-a-não-reproduzir. A negativa de reprodução é algo que irá existir. O contrário seria afirmar que o ato de não procriar é algo que não existe e que não pode vir-a-existir, o que contradiz o próprio Sr. Nelson. Não é válido alegar o 'direito de existência' de algo (criança) e excluí-lo de outro (ato de não procriar). Se os dois podem vir-a-ser, por que um tem prevalência sobre o outro? O que acabou ocorrendo, na minha opinião, foi uma confusão de conceitos, na qual a vida foi elevada a uma categoria superior ao Ser, pois tudo o que existe que crie obstáculos à vida deve ser negado. Desculpe, mas não é questão de obediência ou entrega. É atribuir à parte um poder maior do que o todo. O que é perfeitamente incabível."

Daniel Silva - 30/5/2008

"Migalheiro Dávio, o poder emana do povo através de seus representantes legitimamente eleitos, não diretamente. A democracia é representativa, não direta. Do contrário, toda e qualquer lei aprovada teria que ser submetida a referendo, o que inviabilizaria o já lento processo legislativo. Assim, o artigo 19 (a laicidade estatal) e todos os outros da Constituição Federal de 1988 são legítimos sob o enfoque democrático. Estado Laico não é contra sua igreja católica nem contra nenhuma outra, é apenas um Estado que não se deixa influenciar pelas religiões e instituições religiosas, que a história já provou que sabem ser totalitárias com suas imposições dogmáticas (seus dogmas). 'Data maxima venia', parecem ser totalitários aqueles religiosos que querem impor a todos, mesmo os não-religiosos (ou aqueles de outras crenças que não a sua) os dogmas de sua religião, o que é inadmissível ante os princípios constitucionais da pluralidade, da liberdade de consciência e da autonomia privada, que garante a todos a autonomia moral para fazerem o que quiserem de suas vidas, desde que terceiros não sejam prejudicados. O critério da maioria não serve para este tema, pois, do contrário, a vontade majoritária poderia nefastamente legitimar o nazismo mesmo contra o teor constitucional, o que é evidentemente incorreto (democracia não é ditadura da maioria, mas o regime jurídico dos direitos fundamentais, constitucionalizados). Quanto a subjetivismo, costumo traduzi-lo para o popular 'achismo', ou seja, mera opinião desprovida de comprovação científica. Neste ponto, reitero que é evidente que o embrião já possui todo o aparato (genes etc) necessário para a criação da vida humana, mas 'vida humana' só passa a existir com a atividade cardíaca, sendo que mesmo teístas (como eu) que acreditam na existência da alma (por pura fé, ou seja, por subjetivismo) devem reconhecer que a alma não garante vida humana, neste mundo material, pois esta vida só existe com a atividade cardíaca."

Paulo Roberto Iotti Vecchiatti - OAB/SP 242.668 - 30/5/2008

"Células-tronco. Ainda bem que a ciência, a inteligência e a vida venceram. Poeira na Idade Média."

Armando Silva do Prado - 30/5/2008

"Migalheiro Paulo Vecchiatti, neste tema das células-tronco embrionárias, levantei a questão acerca do subjetivismo, e você respondeu que este seria o "popular 'achismo', ou seja, mera opinião desprovida de comprovação científica". Eu não sei se você conhece a Academia de Ciências do Vaticano. A Igreja não apenas verifica se a fé encontra eco na prova empírica - destinando recursos e pesquisas neste sentido - como também houve quem pedisse perdão público a Galileu, justamente em nome da verdade científica. É lógico que a Igreja também verifica o saber "empírico", como você gosta de colocar. Mas filosoficamente falando, o empirismo não é superior às outras manifestações de conhecimento : é somente uma delas. A fé, deste modo, não é inferior ao saber científico, porque este último limita-se ao que o ser humano pode perceber através dos sentidos da visão, tato, paladar, audição e olfato. Tudo o que não pode ser encontrado no campo fenomenológico empírico, por uma questão intelectual amplamente dissertada por infindáveis filósofos, teólogos e cientistas ao longo dos séculos, não pode ser relegado a um plano "inferior", em adoração antropocêntrica. Em outras palavras - e a exemplo do que já havíamos debatido anteriormente -, só porque é impossível provar a existência do amor, empiricamente, sendo unicamente possível provar a existência de seus frutos concretos, não quer dizer que o amor não exista. E o amor é bem mais importante do que seus efeitos práticos, porque lhes é anterior. Da mesma forma, a fé em Deus tem o próprio Deus como anterior à moção intelectual - e portanto da razão - que leva à fé, ou seja, a crença naquilo que não se testa em laboratório, mas que se percebe pela experiência mundial transcendental (recorde-se os inúmeros casos de pacientes que "voltaram" de um estado de morte cerebral, pelo mundo todo, narrando que estiveram em dois tipos mais comuns de local, com incrível proximidade de relatos ao que a Igreja ensina sobre o Céu e o Inferno, sem que essas pessoas jamais tenham entrado em contato umas com as outras, e já tendo a ciência dado tais fatos como inexplicáveis). Bem, mas isto é apenas um exemplo. De forma que a fé não é um "achismo", um "subjetivismo", como se a pessoa "inventasse" algo. Bem pelo contrário. A fé é não apenas experimentada e comprovada em seus efeitos, da mesma forma que o amor, mas também encontra eco na vivência de bilhões - não apenas milhões - de pessoas no mundo todo. É verdade que interessa a muitas aglomerações do poder econômico tirar a fé das pessoas, porque ela interfere em seu lucro sujo. Isso também são outros quinhentos. Mas a coordenação harmônica de testemunhos históricos ao longo dos séculos sobre a existência de Deus (mesmo fora da Igreja, observe-se bem), corroborada inclusive por cientistas de peso como o diretor do Projeto Genoma deste milênio, não deixa mais qualquer dúvida sobre o sobrenatural. É claro, a fé sempre será um enigma para quem se esforça em não querer crer (um medo de que Deus exista, medo este que é infundado, diga-se de passagem), porque existindo Deus, os planos ocultos de muita gente teriam o questionamento de sua própria consciência, dada a natureza de Amor e Justiça divinas. Sobre a laicidade, parece que o nobre migalheiro continua alimentando a ilusão de que os representantes eleitos pelo povo foram eleitos por 180 milhões de pessoas cultas, de nível superior, que conhecem o passado histórico de cada candidato, e inclusive suas participações em sociedades diversas. Parece o nobre migalheiro desconhecer a força da propaganda, livros de manipulação política, ou mesmo a vontade da elite dominante. A democracia pura não existe no Brasil: existe a vontade, de poucas pessoas, de que a democracia realmente seja o poder do povo, pelo povo e para o povo. Até hoje, sem mencionar o salário mínimo flagrantemente inconstitucional (não atende às necessidades mínimas de habitação, saúde, alimentação etc.), o governo brasileiro não cumpriu os artigos iniciais da Constituição Federal nos quais a solidariedade e a redução das desigualdades são objetivos primordiais da nação. A laicidade, neste sentido, é sim um ato direto contra a Igreja Católica, e não uma "coisa democrática respeitosa". Por quê? Porque a Igreja é a maior influenciadora mundial dos movimentos de solidariedade, princípio constitucional desrespeitado sistematicamente pelos governos do Brasil, desde a época colonial. A história provou a fomentação solidária e pacificadora da Igreja, por meio de inúmeras encíclicas papais e demais documentos relativos a estas. Dogma é uma expressão muito deturpada hoje em dia. Ele tem relação com elementos de fé que não podem ser contestados. Mas não podem ser contestados para a segurança do homem, e não para a sua destruição. Um dogma, seja ele qual for, nunca é para o mal do ser humano, mas somente para o mal dos falsos amigos do homem, aqueles que querem destruir a pureza, a fé, o amor, a vida desde a concepção etc. Para estes, os "dogmas" são um "peso", ao passo que para todos os defensores da vida humana em todas as suas fases, bem como dos valores mais elementares do ser humano, como a solidariedade acima destacada, "dogma" é "orientação do bem e para o bem". E só. Hoje a pseudo-ciência alimentada pela indústria abortista também cria "dogmas". Fala-se em segmentar o crescimento embrionário para se estabelecer uma origem da vida humana a partir deste ou daquele momento, como se todos nós - eu, o migalheiro Paulo, a Ministra Elen, o morador de rua, o Papa, o Diretor de Migalhas - em algum momento de nosso passado, não tivéssemos sido vida humana. Essa afirmação não possui nenhuma base científica. As conclusões a que chegou o relator da ADIN são, aquelas sim, "achismos" e "dogmas" desprovidos de qualquer base empírica séria, ao contrário dos estudos do maior geneticista do mundo, Jerome Lejeune (França), nos quais é cientificamente comprovado o início da vida com a concepção, a fecundação, posição seguida por muitos outros cientistas. Não se pode invocar coisas nobres como a pluralidade, a liberdade de consciência e da autonomia privada, para se dogmatizar - sempre contra a Igreja, por preconceito a tudo o que é religioso, como se fosse mau ou inferior - o início da vida em "estágios". Recentemente uma mulher se levantou da cama após o diagnóstico de morte cerebral, como bem lembrou o migalheiro Daniel Silva, provando cientificamente o absurdo de se qualificar a morte como sendo exclusivamente o término do funcionamento dos sistemas nervoso e cardíaco. O homem não é apenas um animal. Possui alma, para arrepio dos dogmáticos cientistas ateus, que não crêem porque não querem crer, desafiando suas próprias consciências diante dos fatos. Eu compreendo que o caro migalheiro Paulo Roberto Iotti Vecchiatti, que declarou ser homossexual recentemente - sem nenhum problema nisso - não consiga tomar uma posição que possa ferir seus sentimentos pessoais à custa da razão. De fato, é bandeira do movimento gay, estampada nos jornais do último final de semana, "por um estado laico de verdade", ou algo assim. Desta forma, a cortina do "estado laico" aos poucos vai se abrindo, e se vislumbra a mentira científica e o interesse econômico, manipulados para fins altamente escusos de controle da população, como molas propulsoras de uma aversão coordenada a tudo o que seja sagrado. É espantoso que um especialista em direito constitucional confunda democracia com "ditadura da maioria". Ora, a maioria é católica e não quer decisões bizarras na Corte Superior. A não ser que pesquisas criminosas manipulem a opinião pública - prática largamente utilizada no território tupiniquim. Em suma, o país poderá pagar muito caro, no futuro, por sua declaração, através de "representantes ilustres", de desprezo aos direitos indisponíveis, sobretudo ao direito à vida. Vida que tem dimensão humana e espiritual. Deus e alma, na matéria. Amor sem prova, e existente !".

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 30/5/2008

"Para quem ainda pensa que a Igreja está na Idade Média - por ignorância, ou maldade, talvez - vejamos o seguinte artigo do jurista Ives Gandra da Silva Martins, publicado no site da Associação ACEA :

"A Pontífice Academia de Ciências do Vaticano completou 400 anos em 2003. Atualmente, conta com 61 acadêmicos, dos quais 29 são vencedores do Prêmio Nobel. Trata-se de uma relação de notáveis cientistas, premiados por suas pesquisas no campo da medicina, química, física, etc. Na sessão de 9 de novembro de 2003, na abertura dos trabalhos daquele ano, o Santo Padre incentivou os participantes, nos diversos grupos de trabalho, à reflexão sobre investigações de "células-tronco e outras terapias inovadoras", encorajando as pesquisas com "os tecidos humanos, adultos ou supérfluos para o desenvolvimento fetal", lembrando, todavia, que "qualquer tratamento que clama pela salvação de seres humanos através da destruição de vidas humanas, em sua forma embrionária, é ilógico e moralmente contraditório". Em 1998, J. Thomson isolou do embrião humano as CTEh (células tronco embrionárias), gerando grande expectativa na comunidade científica, pois apesar de provirem da destruição de seres humanos no seu estágio embrionário, poderiam ser utilizadas na medicina regenerativa de inúmeras doenças. Até hoje, todavia, após 10 anos de estudos e pesquisas em países que ainda permitem a destruição de embriões humanos – muitos países civilizados já estão deixando de lado tais investigações – não se conseguiu nenhum resultado positivo, apesar dos bilhões de dólares neles aplicados. O grande argumento é de que tais células seriam "pluripotentes", e, quando as investigações forem bem sucedidas, poderiam curar um número maior de doenças. As investigações com células-tronco adultas, apesar de já apresentarem resultados positivos, sendo utilizadas por mais de 20.000 pessoas em estudos clínicos e terapias de 73 tipos de doenças, eram consideradas pela comunidade acadêmica de espectro menos abrangente, pois apenas "multipotentes". Ocorre que em novembro de 2007, o mesmo J. Thomson, nos EUA, e Yamanaka, no Japão, conseguiram produzir células-tronco adultas pluripotentes induzidas, passando a ter espectro aplicacional semelhante àquele prometido e até hoje não obtido com células-tronco embrionárias. E em 14/2/08, Yamanaka anunciou a produção de células-tronco pluripotentes induzidas sem riscos de gerar tumores. As embrionárias importam tal risco, assim como o da rejeição. A declaração de Yamanaka é suficientemente expressiva "Quando vi o embrião, eu repentinamente percebi que não havia muita diferença entre ele e minhas filhas. Eu pensei, nós não podemos continuar destruindo embriões para nossa pesquisa. Deve haver outro meio (NY times, dez 2007). Minha meta é EVITAR usar células embrionárias". Não sem razão, do site do Governo do Canadá, consta relatório com a seguinte conclusão : "Recentemente, o debate sobre o uso de embriões como uma fonte de células-tronco pode tornar-se desnecessário à medida em que as pesquisas vêm mostrando significativos sucessos na demonstração da pluripotencialidade das células-tronco adultas, originárias de músculos, cérebro e sangue". Compreendo, pois, a posição dos cientistas brasileiros, Professores Alice Teixeira, Cláudia Batista, Dalton de Paula Ramos, Elizabeth Kipman, Herbert Praxedes, Lenise Martins Garcia, Lilian Piñero Eça, Marcelo Vaccari, Rodolfo Acatauassú, Antônio Eça, e Rogério Pazetti, que declaram que a esperança da medicina regenerativa encontra-se na pluripotencialidade induzida das células tronco adultas. Artigo publicado no Jornal do Brasil, em 25/3/2008".

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - 30/5/2008

"Estranho. Sindicalistas fazem lobby por seus interesses ; verdes pressionam o judiciário e legislativo para a legitimação de suas bandeiras ; o pessoal da saúde impõe novo tributo ; os índios protestam ; os sem-terra vão a Brasília ; os dirigentes de clubes de futebol adulam deputados para o voto da timemania. Mas quando os católicos pretendem defender seus ideais e influir no jogo político de modo legítimo, para fazer valer o que entendem como correto, logo são acusados de obscurantistas, logo são acusados de querer impor seus conceitos religiosos ao 'restante' da sociedade. Então tudo bem. Fica declarado que os católicos não têm o direito de ver seus interesses representados no jogo democrático. Eu sou o único que nota alguma coisa errada nesse raciocínio ?"

Fabricio Ferreira Neves - 30/5/2008

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