terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Isabella

de 1/6/2008 a 7/6/2008

"Morte solitária do direito de defesa. Lá se vai um par de meses. Um pai grita, implora a imediata interdição de todo um edifício, para que se procurasse, em apartamentos, suposto assassino de sua filha. Jogada do sexto andar, a menina repousava solitariamente morta ao chão. O país se chocava, chorava. O pai desesperava-se. Pedia ao Tenente na chefia da operação, que há pouco chegara a pé ao local, interditasse todo o prédio. Procurasse o 'alguém', ou que ao menos tentasse procurar, ao menos... O oficial nega-lhe o direito. Esse mesmo Tenente se suicida, dias atrás, após ser acusado de participar de uma rede de pedofilia. Mata-se por fazer mulheres de crianças. Será que num daqueles apartamentos, não investigados, poderia existir um aparelho, uma célula pedófila? Por que não se determinou o arrombamento de todos os apartamentos do Ed. London? Coincidências tristes, para todos que não aceitam ser guiados por uma investigação que nunca quis nada investigar. Direcionada pela 'otoridade' televisiva, o inquérito visou, ao que parece, apenas provar a tese de uma delegada que, à primeira hora, sem nada saber, já decretava, aos berros, ser o pai o assassino. Enquanto isso, a mídia podre, asquerosamente fétida, vendia horários, anúncios, e o país tal qual manada dizia amém. Amem o direito de defesa,  mesmo porque esse amor legitimaria até a eventual condenação do dito pai homicida."

Alexandre Thiollier - escritório Thiollier e Advogados - 2/6/2008

"Juro que não entendi o último comentário do colega Thiollier. O que o migalheiro quis dizer é que a investigação foi mal conduzida, e a imprensa fétida foi na onda, assim como a multidão, como manada, e ninguém se deu conta de que naquele apartamento poderia funcionar uma sede de uma rede de pedofilia que, inclusive, abusava da menina e acabou por 'defenestrá-la'? Naquele ou em um dos outros apartamentos do mesmo edifício? Tudo por causa da coincidência do tal policial que atendeu o chamado e que chegou depois do crime? Que todos os juízes, até agora, erraram, miseravelmente, e como manada, têm mantido o casal na prisão? Que o circo montado, agora, pelo risível Sanguinetti lhe parece de melhor qualidade do que foi feito até então? A manada, como se diz, está cansada de assistir a crimes sem castigo, criminosos impunes e crianças assassinadas. A manada, como é chamada a população de uma forma em geral, tem uma certa urgência em ver a justiça ser aplicada, de ver um julgamento acontecer em tempo em que o resultado ainda se possa conhecer e não seja procrastinado por dezenas de recursos estranhos e firulas jurídicas que sempre impedem que alguns, estranhamente os que não pertencem à manada, nunca encaram a prisão, aquela feita só para a manada. Aliás, o uso dessa palavra, manada, deve ofender uma grande parcela da população. Quanto à imprensa, não será essa imprensa, a mesma que tanto se louva quando acusa livremente nos dias de hoje os políticos, por exemplo, e todo mundo fica alegre, pois que 'nos anos de chumbo' era amordaçada? Agora, que é livre, e pode dizer o que quer e o que pensa, deve ser calada, por ser fétida e podre? Era isso o que achavam os que antes gostariam que a imprensa se calasse e não falasse o que não agradasse. Quanto ao povo, ora o povo, já disse alguém que é a voz de Deus. Pode ser, até pode ser. Mas, pode ser também, que todo mundo esteja enganado. Também pode ser. Só o julgamento dos acusados dirá. Se forem culpados, a imprensa terá prestado um bom serviço fazendo desse caso um caso exemplar, para que outros Pimenta Neves, Farahs etc. não enxovalhem a justiça e a denigram perante o povo, a manada, que tem o direito de ver a prestação jurisdicional ser aplicada a todos. Se o contrário se der, ficará a imprensa podre e fétida exposta e a capacidade malévola desse quarto poder sem defesa, caso em que a censura dos meios de comunicação, como defendem alguns, deverá ser, então, voltar a ser estudada... como antes? É isso? Coisa difícil contentar todo mundo, a manada e os intelectuais."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/6/2008

"No crime do Edifício London (que provincianismo, dessa classe média!), realça a todo o momento, a síndrome de Raskolnikov de certa mídia, e a fuga da tal da verdade real. E veleidades, muitas veleidades."

 

Armando Silva do Prado - 2/6/2008

"E onde estará, afinal, a verdade, senão no fim do julgamento dos acusados? Rodion Românovitch Raskólnikov, personagem principal do livro 'Crime e Castigo', de Dostoiévski, de cujo nome se originou o da 'Síndrome de Raskolnikov', só acreditava em seus próprios princípios, sem escutar os alheios, inclusive, é claro, a opinião da fétida imprensa, no entender de Álvaro de Campos (ao menos quanto a imprensa portuguesa, mas por certo aplicável na sua generalidade)

'Ora porra

Então a imprensa portuguesa é

que é a imprensa portuguesa?

Então é essa merda que temos

que beber os olhos?

Filhos da puta. Não, que nem

Há puta que os parisse'.

Há uma verdade real, e outra? A imprensa, como Raskolnikov, não deve satisfações a ninguém? Ou necessita ser monitorada, censurada e coibida, para evitar que passe à manada notícias que a façam pensar como manada. Isso, por exemplo, nas eleições, é um perigo, pois a manada elege também. E, na imprensa, como em tudo, aliás, veleidades não faltam. Com síndromes ou não. Vamos ter que decidir se a imprensa livre é uma coisa boa ou se só é boa quando não é fétida, a nosso critério. Aliás, Raskólnokov, ou Ródia, ou Rodka, como o chamavam na intimidade, acreditava que as pessoas estavam divididas entre 'ordinárias' e 'extraordinárias', as primeiras que deveriam viver nas obediências das leis e não tinham o direito de as transgredir, enquanto que as segundas tinham o direito, embora não declarado, de cometer crimes e violar as leis, desde que suas intenções, se fossem úteis à humanidade como um todo, o exigissem. Talvez o conceito de manada também tenha vindo daí, da população que não tem o 'direito' de delinqüir e que, agora, começa a exigir que a justiça seja cumprida de maneira igual, para todos. Porque tem acesso à imprensa fétida e podre, mas livre, como não era antes."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/6/2008

"Inicio meu comentário pela seguinte frase, do advogado Thiollier: 'Por que não se determinou o arrombamento de todos os apartamentos do edifício London?' (Migalhas 1.908 - 2/6/08 - "Migalhas dos leitores - Caso Isabella"). Com o devido respeito, 'arrombar apartamentos'? À meia-noite, meia-noite e pouco? Só se fosse nas imediações da Praça Mário Covas (ou será Praça Thiollier?). Atenciosamente,"

Jose Roberto Antonio Lins - 3/6/2008

"(Migalhas 1.908 - 2/6/08 - "Migalhas dos leitores - Caso Isabella") A mídia assume o papel da promotoria e do juiz. A defesa é circundada pela manada insuflada. Isso não acontece apenas no caso Isabella, mas se transformou num roteiro repetitivo. Trata-se de um fenômeno dos nossos tempos ou de uma frouxidão dos órgãos e pessoas aos quais cabe a defesa da democracia e dos direitos individuais de todos os cidadãos, inclusive aqueles acusados de crimes, sejam quais forem? Parabéns por ser uma das vozes isoladas em defesa da defesa das garantias constitucionais mais elementares."

Antônio Sérgio Martins - 3/6/2008

"Uma lástima ler nesse informativo comentários como o do dr. Alexandre Thiollier (Migalhas 1.908 - 2/6/08 - "Migalhas dos leitores - Caso Isabella"), bom senso é mesmo cada vez mais raro."

Rafael Cherem - 3/6/2008

"O dr. Thiollier sempre achou crime arrombar escritórios de advogados, mesmo a PF tendo autorização da Justiça (Migalhas 1.908 - 2/6/08 - "Migalhas dos leitores - Caso Isabella"). Agora defende o arrombamento de apartamentos do edifício London. Ah, esses democratas!"

Abílio Neto - 4/6/2008

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