Jovens, o futuro do Brasil

25/6/2008
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"No tópico Migalheiros, Romeu A. L. Prisco postou um intrigante comentário sobre o tema, considerando que nós, adultos de hoje, somos os jovens de ontem, como aquela história da vodka. E lançou a pergunta: Se é verdade que o futuro do Brasil está nas mãos dos jovens, e se já esteve, então, nas nossas, fizemos o suficiente, ou o que deveríamos ter feito, para que o Brasil de hoje fosse diferente do que é, sem corrupção, sem violência, sem miséria e sem pobreza? E, não satisfeito, o colega ainda pergunta: Será que os jovens da atual geração estão fazendo o suficiente, ou o que devem fazer, para que o futuro do Brasil seja diferente do que a eles foi, ou está sendo legado? Perguntinhas danadas de difíceis, não? Nós, os adultos de hoje – não, não vou dizer os 'velhos', prefiro, como o colega Romeu, o eufemismo 'os da minha geração que já fomos jovens...' – já estamos mais para aquela outra frase, a de que, no meu tempo as coisas eram melhores, principalmente nos quatro tópicos escolhidos pelo migalheiro: corrupção, violência, miséria e pobreza. Mas, como foi lançado um desafio para responder às inquietações do colega, nada melhor do que consultar uma pesquisa jovem, levada a efeito pela MTV, uma rede de televisão jovem, que entrevistou dois mil jovens (de 15 a 30 anos das classes A, B e C) para conhecer seus 'valores'. O resultado? O jovem brasileiro é vaidoso, consumista, individualista, acomodado e impaciente.

'Os rótulos não partem de nenhum psicólogo ou especialista em juventude, mas sim da própria geração. É uma parcela da população habituada a conviver com internet, celular e tantas outras maravilhas da tecnologia e que encara com naturalidade (e certa experiência) questões referentes à sexualidade e consumo de drogas.

"O que nós temos no estudo é como essa geração se autodefine, quais são os temas que realmente fazem diferença. E a vaidade se sobressaiu".

A beleza virou definitivamente um valor assumido, uma questão de conquista, e ganhou foco entre as atenções dos jovens:

37% definiram como a principal característica de sua geração "ser vaidosa", preocupada demais com a aparência.

Entre os jovens entrevistados, 60% "acredita que pessoas mais bonitas têm mais oportunidade na vida".

"Consumo" vem em segundo lugar com 26%.'

Já segundo dados do IBGE, 16% da população brasileira é de jovens entre 15 e 22 anos e entre suas prioridades estão: ser um empresário bem sucedido (1%), ser jogador de futebol (26%), ser ator ou atriz (22%), ser modelo internacional (17%)... Há outros dados de interesse, não para responder às perguntas do colega, mas talvez para orientar respostas: os jovens são os que mais matam e os que mais morrem em acidentes de trânsito no Brasil; os homicídios são a principal causa de morte dos jovens; os jovens de 18 a 24 anos representam 2/3 da população carcerária do país; de cada 15 jovens brasileiros, apenas 5 conseguem chegar ao ensino médio e só 1 ao ensino superior; 87% dos jovens nunca foram ao teatro ou a museus; 60% não freqüentam cinemas ou bibliotecas; 59% não vão a estádios nem a ginásios esportivos; 46% dos desempregados do país são jovens de 15 a 24 anos. Finalmente, uma pesquisa do projeto 'Este jovem brasileiro', que teve a participação de adolescentes de 54 escolas particulares, em 17 Estados, e abordou temas como violência, preconceito, honestidade e princípios, individualismo e meio ambiente, nos mostram como pensam, de fato, os jovens de hoje, em cujas mãos, como dizem, está o futuro do Brasil (clique aqui). Então, caro amigo Prisco, suas perguntas não têm respostas muito fáceis. Mas, vou tentar facilitar. Na minha opinião, acho que não, para a primeira pergunta. Não fizemos, nós da nossa geração, o suficiente e nem o que deveríamos ter feito. E, também não para a segunda pergunta. Os jovens não estão fazendo o suficiente, até porque não podem, ou não querem, e os que eventualmente podem – porque para alguns nós fizemos – são poucos. Poucos, talvez, como nós, que acabamos não conseguindo fazer nada, ou quase nada."

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