domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Circus

de 29/6/2008 a 5/7/2008

"Caro Adauto Suannes, tudo bem? Sou leitor assíduo de sua coluna Circus através do site Migalhas e não pude deixar de prestar atenção no seguinte trecho de seu boletim nº. 92 (- 27/6/08 - "Lição de coisas" - clique aqui):

'Igapirense é quem nasce na cidade de Álvares Florence'. Ela ficará encantada com tua cultura, muito embora nenhum de nós três tenha a menor idéia sobre onde fica essa cidade. Nem como de Álvares e de Florence foi nascer um palavrão desses.'

Como moro em Catanduva, interior de São Paulo, ambas cidades próxima de São José do Rio Preto, e meu trabalho exige contato com a região, tentei descobrir com um morador a origem da palavra. Em 1940, a denominação mudou para Igapira e, em 30 de novembro de 1944, o distrito foi transferido para o município de Votuporanga. Somente em 24 de dezembro de 1948, quando o distrito foi elevado a município, recebeu o nome atual, Álvares Florence. Coisas de Brasil. Espero ter ajudado. Obrigado. Grande abraço."

Leandro Câmara - 30/6/2008

"(Circus 92 - 27/6/08 - "Lição de coisas" - clique aqui) Caro Leandro Câmera. Só o mestre Adauto pode nos dizer se o que penso está certo. Minha opinião sobre a origem do nome Igapirense, por supuesto, como diz o castelhano, vem do guarani, Iga (água) + pira (peixe), o que forma Igapira ou água do peixe ou rio do peixe. Sei lá, algo assim? Não sei se estou certo? Me ajude mestre!"

Eldo Dias de Meira - migalheiro de Carazinho/RS - 1/7/2008

"(Circus 92 - 27/6/08 - "Lição de coisas" - clique aqui) Naquele tempo era chique ...

... Os homens andarem impecavelmente trajados, com ternos de finos tecidos, confeccionados sob medida por bons alfaiates. Descobrirem-se do elegante chapéu de feltro, para cumprimentar as senhoras, a quem cediam, cavalheirescamente, seus lugares nos transportes coletivos. Usarem, na chuva, galochas sobre os calçados e vistosas capas de shantung, com a parte posterior da gola levantada, 'à la' Humphrey Bogart. Sustentarem as calças com eficientes suspensórios de couro e as meias com ligas elásticas, usando, por baixo, as famosas cuecas Jean Sablon.

... E respeitoso, comparecer, nos domingos, à missa das 11, permanecendo de pé na igreja lotada, ocasiões em que, no término do culto, rapazes e garotas, estas sempre sob rígida escolta paterna, trocavam seus flertes.

... E divertido, freqüentar vesperais e soirées de cinemas, para assistir a dois filmes, um documentário e um seriado. Para quem gostava, e não eram poucos, ir às salas de exibição aos domingos de manhã, para assistir aos desenhos animados de Tom e Jerry, do marinheiro Popeye, sua namorada Olívia Palito e o vilão Brutus.

... E saudável, tomar o chá, ou café da tarde, em finas leiterias e confeitarias, onde algumas até proporcionavam música ao vivo.

... E romântico, assistir ao desfile de lindas donzelas, aos domingos à noite, nas calçadas do Parque Trianon, ou da Rua Direita, esta elegante e educadamente ocupada pelos representantes da raça negra.

... E agradável, freqüentar bons salões de baile, solicitar às damas a honra de uma contra-dança e deslizar suavemente sob os acordes do Tico-tico no Fubá, da Valsa dos Patinadores, do tango Mano a Mano, ou do bolero Perfídia. Para quem gostava, comparecer às ótimas gafieiras, com a presença pacífica de brancos e negros, nelas prevalecendo, claro é, os sambas e exímios sambistas.

... E descontraído, passear no Jardim da Luz de mãos dadas com seu par, deixando-se fotografar por um lambe-lambe, tal como eram conhecidos os fotógrafos portadores de máquinas tipo caixão e improvisados laboratórios de revelação dos negativos. Existia, ainda, a possibilidade de se fazer um pic-nic familiar, nas dependências do Parque Água Branca, regado com o tradicional chope de barril.

... E decente, casar no civil e no religioso, ter uma prole numerosa, criar os filhos sob rigorosos padrões de educação, permitindo-lhes, todavia, que se comportassem como crianças, as meninas com suas bonecas de pano e casinhas, os meninos com suas pipas artesanais, carrinhos de rolemã e bolas de futebol, feitas com meias femininas de seda, forradas de papel-jornal.

Naquele tempo..."

Romeu A. L. Prisco - 1/7/2008

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