terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Artigo - Entre as políticas públicas salutares e o autoritarismo estatal

de 29/6/2008 a 5/7/2008

"Muito bem (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui)! Concordo plenamente! Mais uma restrição à liberdade, o meio termo sempre é o melhor caminho, houve exagero, poucos acabarão pagando pelos demais - o que é comum no Brasil - infelizmente!"

Maria Luiza Martins Soto - 30/6/2008

"Excelente o texto do dr. Gabriel Rocha (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui) que traça com realismo cortante as incongruências da famigerada 'Lei Seca'. Parabéns ao informativo por permitir tais expressões de puro pragmatismo e verdade."

Diego de Paula - 30/6/2008

"Muito bem fundamentada a opinião do advogado Gabriel da Rocha (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui). A lei nº 11.705/08 provavelmente trará reduções nos números de acidentes automobilísticos no Brasil, todavia a restrição a direitos e à liberdade do cidadão é bastante exagerada. Faltou razoabilidade e proporcionalidade na edição da referida lei. Não há políticas públicas como alternativa para aquele quer sair e ingerir bebida alcoólica e nem para diminuir o consumo desta no país. Resultado: menos acidentes no trânsito e mais gastos (com táxi, por exemplo). Além de um possível aumento na violência (com maior acesso a transporte público durante à noite a na madrugada, em que a segurança é fraquíssima), não esquecendo do muito provável 'drible' a ser feito pelos que não atenderão ao cumprimento da lei."

Bruno Sampaio - 30/6/2008

"(Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui) Meu avô dizia que 'brasileiro só funciona sob espora e tacão.' E ele tinha razão. Se a coisa não for na base da violência, (em qualquer de suas modalidades e formas), não se conseguirá qualquer resultado. Haja à vista as irresponsáveis entrevistas dadas por populares e reproduzidas nas TV's de domingo à noite. E, para finalizar, o velho adágio: 'não se faz omeletes sem quebrar ovos'. Invés de vagarmos sobre minúcias desnecessárias, vamos dar as mãos para salvar nossos filhos e netos."

Antonio Cândido Dinamarco - 30/6/2008

"Parabéns ao dr. Gabriel Rocha pelo sapiente artigo publicado sobre as novas sanções para quem dirigir alcoolizado  (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui). Comungo da mesma opinião!"

Marina Rodrigues Vieira - 30/6/2008

"Li com atenção o artigo do dr. Gabriel da Rocha sobre o assunto do momento: motoristas X álcool (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui). Sim, o problema se resume a essa equação. Mas, o artigo em questão levanta a 'tragédia' do 'casal cumpridor da lei' (sic), mas que é chegado numa bebidinha 'misturada' com automóvel. E o culpado é a falta de um 'eficiente sistema de transporte público'! Ora, ora, convenhamos doutor, o problema pode ser resolvido em qualquer clínica para usuários de álcool, mas, neste caso, deixemos o 'sistema de transporte público', ou sua falta, em paz."

Armando Silva do Prado - 30/6/2008

"Não obstante a finalidade louvável da Lei em comento, qual seja, diminuir os acidentes de trânsitos, reputo inconstitucional e anti-democrática a criminalização do ato de dirigir com doses ínfimas de álcool no sangue sem que tenha ocorrido qualquer dano efetivo (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui). Não se está aqui defendendo os bêbados ou irresponsáveis do trânsito, que barbaramente matam e causam lesões e ceifam vidas por todo o Brasil. Destaca-se que a política pública anti-álcool deve, de fato, punir os atos que causaram lesão à vida ou patrimônio alheio se foram comprovadamente realizados sob efeito de álcool. Porém, a tolerância zero ao álcool sem que tenha ocorrido o dano efetivo a qualquer bem jurídico é tipificação de crime de perigo abstrato de forma inconstitucional, por desrespeitar o princípio da razoabilidade (sobretudo quanto aos aspectos da necessidade e da proporcionalidade em sentido estrito) e violar a liberdade humana, em oposição à intervenção penal mínima ou o caráter subsidiário do Direito Penal, meio termo entre as teorias da lei e da ordem e as abolicionistas. O Estado Democrático de Direito deve tutelar a liberdade e reprimir após o fato delituoso. Os métodos de controle preventivos devem ficar à cargo do Direito Administrativo Sancionador. Não pode ser considerado criminoso, com todas as pechas que vêm junto a tal qualificação, um ser humano que bebe dois ou três chopps (suficientes para ser tachado de bêbado pela mídia e de criminoso pela lei) após assistir diariamente os desvios de conduta dos representantes do povo e dos Estados, após pagar tributos escorchantes embutidos em tudo ou quando assiste o jogo de futebol do seu time favorito. Leis anti-democráticas (violadora da liberdade humana) e inconstitucionais (por ser irrrazoável e prever crime de perigo abstrato) como essa não devem existir num Estado que deseja ser efetivamente Democrático e de Direito."

Leonardo Henrique Ferreira da Silva - 30/6/2008

"Não concordo com o dr. Gabriel (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui). A lei seca é um marco que deve ser comemorado por todos os brasileiros. Muitas famílias já foram destruídas porque um irresponsável bebeu e dirigiu. O táxi que o casal pagará sairá muito mais barato do que a vida dos brasileiros que sai e não sabe se irá voltar, neste trânsito maluco que mata mais que países em guerra. Parabéns legislativo."

André Brawerman - 30/6/2008

"(Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui) O que causa espécie é o fato de o consumo de drogas ilícitas ser despenalizado e o de álcool (droga lícita) ser apenado. Então, a pergunta que não quer calar: Não se pode dirigir após o consumo de álcool, sob pena de prisão, mas não há previsão de prisão para aqueles que dirigem após o consumo de drogas ilícitas? (Incoerência)"

Tude José Cavalcante Brum de Oliveira - 30/6/2008

"(Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui) Por que essa lei veio em ótima hora? Pelo visto, tem gente achando que lugar de pobre que bebe é em casa. Rico tem motorista e pode facilmente pagar um táxi e está se lixando para essa porcaria de lei. Como muitos dos eventos sociais também incluem uma bebida ou outra, estes passarão a ficar vazios ou, imaginem que lindo, uma comemoração com água com gás. Já vejo um monte de estatísticos dizendo que a lei diminuiu o número de acidentes sem se dar conta que o número de acidentes diminuiu não porque as pessoas bebem menos, mas simplesmente porque elas não saem mais de casa. Como também o Estado está se lixando para a segurança, ninguém se sente seguro para pegar um ônibus à noite e alguns táxis também não passam confiança. Mais um motivo para pessoas ficarem em casa. A cada dia que passa a realidade se aproxima cada vez mais de 1984 de Orwell. 'Humanistas' deixam que a moleza dos seus corações atinjam os seus cérebros e chegam à conclusão de que a melhor maneira de salvar pessoas é botar todas elas trancafiadas dentro de suas casas, recheadas de fechaduras para garantir a segurança que o Estado não fornece. O dinheiro será abolido, pois ele permite que as pessoas comprem armas e drogas sem serem identificadas, e será substituído por um cartão eletrônico que rastreará toda compra feita e mandará imediatamente para a cadeia qualquer pessoa que compre uma quantidade 'excedente' de remédios, mas claro, tudo dentro de um Estado Democrático de Direito (ou então seria um absurdo). Sociopatas que não conseguem controlar a própria vida rolaram de prazer ao sugerir o controle da vida alheia. As pessoas são muito burras para... (complete com o que você quiser: beber dentro dos limites, comprar coisas 'decentes', tomar banho rápido, não fazer sujeira, etc), por isso devemos restringi-las. Esses mesmos criminosos espirituais, irão nos vender a sua santíssima idéia de que sabem o que é melhor para nós e para nossos filhos inclusive introduzir o aborto forçado nas famílias que 'não tem condições de criar uma criança'. Toda exceção ruim será elevada à regra geral (v.g. existem uns poucos que bebem e dirigem causando acidentes, logo todos que bebem e dirigem causarão acidentes; uma criança morre porque a mãe não tinha condições para cuidá-la, mate a criança antes dela nascer, assim os pobres sociopatas não são obrigados a ter o seu pobre coraçãozinho machucado) e toda maioria boa será reduzida à exceções (v.g. a maioria bebe dentro de limites e consegue dirigir um carro sem cometer qualquer irregularidade, mas dirão que são meras exceções). Essa lei é boa para mostrar que não é o país ou o governo quem está destruindo o Brasil, mas é o seu próprio povo que parece viver num hospício onde berra ordens para os outros com a convicta ilusão de que não terão que obedecer as mesmas ordens (pois eles têm um diploma de mestrado). Essa lei é boa para mostrar que o nazismo e o comunismo foram regimes cruéis que foram impostos ao povo, mas o 'brasileirismo' será um regime cruel que o próprio povo imporá a si mesmo. O que acabei de dizer soará como pura maluquice, afinal de contas um país que vende iPhone não pode ser totalitário. Nesse caso, apenas um conselho: Vão ler 'Admirável Mundo Novo' e rezem para quando terminarem o livro, a realidade seja diferente da estória de Aldous Huxley."

Daniel Silva - 30/6/2008

"(Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui) Prezados, gostaria de saber se há uma lei tão rigorosa como esta para quem dirige 'drogado'? (Entenda-se maconha, cocaína, etc.) Acho que os riscos são muito maiores nesta situação. Aguardo resposta e comentários. Grato,"

Evilasio Terracini - 1/7/2008

"Muito perspicaz o artigo do dr. Gabriel (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui), com o qual estou de pleno acordo. É um erro buscar legitimar uma intervenção drástica na liberdade pela promessa de um comportamento que lei nenhuma pode garantir. De antemão, garante-se apenas a própria proibição e não uma expectativa considerada justa. A expectativa tida como justa é a de que seja proibido dirigir embriagado. A lei, em princípio, deve garantir que siga sendo proibido mesmo diante do fato de que as pessoas dirigem embriagadas. Contudo, a lei em questão não proíbe que o motorista guie sem ter condições para tanto, mas sim sempre que tenha ingerido álcool. Mas ninguém espera que seja proibido dirigir após comer dois bombons de licor, tomar remédio homeopático ou uma taça de vinho no almoço. Esse excesso tem que ser justificado e a lei o justifica pela promessa de um resultado: reduzir acidentes de trânsito associados ao consumo de álcool (ao que consta 75% dos acidentes fatais). Afora o fato de que a legislação antiga já seria suficiente para uma tal promessa – bastando uma fiscalização eficiente em pontos estratégicos, como nos estacionamentos próximos aos locais de consumo de álcool – não há como garantir que a sanção mais grave simplesmente não crie um mercado para corrupção. Ou que as pessoas passem a freqüentar locais fora do alcance da fiscalização. Ou que a proibição absoluta estimule o uso de outros entorpecentes. Mais do que isso, não há como garantir que, sem a preocupação de voltar dirigindo, não haja um aumento no consumo excessivo de álcool e no tempo de permanência nos locais de consumo, trazendo outros problemas, por exemplo, no âmbito familiar. Essas distorções, que decorrem da impossibilidade de se calcular conseqüências, mostram o quão inadequadas são as políticas autoritárias que prometem uma planificação impossível do futuro. Essa inadequação mostra que, quando examinadas com cuidado, leis desse tipo, desassociadas de políticas envolvendo transporte público, estacionamento público (desestimulando, e não proibindo, o uso do carro) e campanhas sobre o uso de álcool, sofrem de falta de legitimidade. São, em suma, demagógicas."

Tiago C. Vaitekunas Zapater - escritório Dinamarco e Rossi Advocacia - 1/7/2008

"(Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui) Acerca da novel lei 11.705/08 importante salientar que, ao prever a possibilidade de punição criminal àqueles que dirigem após a ingestão de determinada quantidade de álcool, 6 decigramas de álcool por litro de sangue sem a necessidade de se estar 'sob a influência' desta mesma substância, significa dizer que passou-se a admitir a criminalização de condutas que geram perigos abstratos, o que, no meu modo de ver, é incompatível com o moderno Direito Penal, necessário ao menos, nos dizeres do dr. Luis Flávio Gomes (Migalhas 1.862 - 20/3/08 – "Código de Trânsito" –  clique aqui), o perigo concreto indeterminado. Ademais, a simples alteração legislativa não basta para a solução dos problemas que envolvem o binômio - álcool x trânsito- pois necessária a fiscalização eficaz, que em nosso país se mostra utópica. Seria suficiente a determinação de uma quantidade de acordo com a capacidade do homem médio, de tal sorte que a fixação de um determinado teor alcoólico no sangue não significasse dizer a privação do desfrute de bons momentos sociais, desde que ponderados, como ocorre em um jantar com a esposa. Assim, importante seria a análise do caso 'in concreto' para se definir a gravidade da conduta, somada a superação do limite fixado objetivamente em lei. Deste modo, entendo que teríamos uma maior atuação do Estado, com o escopo de diminuir os abusos e graves acidentes, sem que se desprezasse o senso social e o Direito Penal, que sempre terá que ser a 'ultima ratio'."

Aurelio Mendes de Oliveira Neto - escritório escritório Aurelio Carlos de Oliveira - 1/7/2008

"Parabéns pelo pensamento (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui). Esta 'lei seca' será mais uma que irá para a gaveta quando a imprensa deixar de lhe dar destaque. Realmente o estado não tem capacidade fiscalizatória para aplicá-la. Melhor seria envidar esforços na conscientização, principalmente das crianças, que serão os motoristas de amanhã. É incrível como estado gosta de jogar a responsabilidade para a povo. Onde estão as alternativas de transporte que possibilitaria menos engarrafamento nas grandes cidades, menos poluição e também menos acidentes."

Nilton Cecílio de Mesquita - 1/7/2008

"Puxa, do jeito que o amigo fala, parece que o álcool é condição sine qua non para romance e diversão. Acho que é preciso refletir muito sobre isso (Migalhas 1.928 - 30/6/08 - ""Se beber não dirija"" - clique aqui). Quando foi que deixamos de ser felizes sem estarmos dopados de alguma forma?"

Silvana Mesquita - 1/7/2008

"Parabéns, migalheiro Daniel Silva. São poucas as pessoas que conseguem ver o fim do túnel, para onde vão as coisas afinal. São milhares de bares e restaurantes só em São Paulo, nos quais a venda de bebida representa, respectivamente 60% e 40% do faturamento. Só para fazer uma piadinha, com as demissões no setor, que por certo ocorrerão, o que farão essas pessoas sem emprego, nesses dias difíceis? Certamente passarão a beber. E, se tiverem carros... Mas, como o colega mencionou Orwell, e seu 1984, sempre atual, e Aldous Huxley, que sempre deve ser lido, e relido, tomo a liberdade de sugerir um filme, 'O Homem que Incomoda', norueguês, meio esquisito, a história de um homem... que incomoda, que se vê a meio de uma sociedade, em uma cidade cinza, sem música, sem sons, sem cheiros, sem sensações, sem emoções. Ao flagrar, por exemplo, um buraquinho em uma parede, por onde passa um cheirinho de comida, procura rapidamente expandi-lo, até conseguir retirar, do 'outro lado', um doce, antes de ser capturado e levado de volta... à sociedade perfeita, politicamente correta, sem crianças, sem sujeira, sem gritos, sem alegria... Vale a pena. Quem bebe, sugerem, que pegue um táxi. Mas, os táxis, assim como qualquer transportador (é o que diz o Código Civil), pode recusar o passageiro alcoolizado. E, mais ainda, a Lei de Direitos Autorais prevê que poderá haver cobrança de direitos autorais pela música tocada em lugares públicos, inclusive... em táxis, expressamente. Fumantes já são execrados em praça pública. Fumam às escondidas, no recesso de seus lares, virando para baixo as horrendas fotos estampadas em seus maços de cigarros, em nome de políticas de saúde, as mesmas que mantém hospitais sem condições matando milhares de pessoas e deixando outras sem qualquer atendimento. Enquanto o viciado fica feliz porque 'pouca' droga pode, o padre é flagrado pelo bafômetro após rezar duas missas e o 'somelier' é preso após uma noite de trabalho durante a qual 'provou' vinhos para servir aos clientes do restaurante onde trabalha e os traficantes retomam o Morro da Providência, de onde saiu o Exército, que não serve para manter a ordem aqui, mas só no Haiti. Por outro lado, nossas crianças não mais podem ver nos circos, os animais, proibidos agora. E os anões? Não é a mesma coisa ver pessoas 'verticalmente prejudicadas'. Não é nada engraçado, apesar de politicamente correto. Aliás, nem bêbado se poderia falar, já que o correto seria pessoa dependente de álcool. Não, caro migalheiro, Daniel Silva, não há nenhuma semelhança entre o Brasil e a visão de Orwell ou a Huxley. Estamos mais para o 'Samba do Crioulo Doido', ou para o filme que sugeri, 'O Homem que Incomoda', no caso, os homens que incomodam, nós, os cidadãos brasileiros, sempre a incomodar o Estado."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/7/2008

"O migalheiro Tude José Cavalcante Brum de Oliveira pergunta se não há incoerência entre o fato de o consumo de drogas ser 'despenalizado' e o do álcool (droga lícita) ser apenado. Realmente, é uma pergunta interessante, principalmente se lembrarmos da recente decisão da sexta Câmara Criminal do TJ/SP que, em 31/3/08, absolveu Ronaldo Lopes, preso com 7,7 gramas de cocaína, entendendo que portar droga para uso próprio não é crime. O relator entendeu que classificar como crime o porte de drogas para consumo próprio é inconstitucional porque viola o princípio da ‘ofensividade’ (não ofende a terceiros), da intimidade (trata-se de opção pessoal), e da igualdade (uma vez que portar bebida alcoólica não é crime). O voto vencedor concluiu que: 'Não se pode admitir qualquer intervenção estatal, principalmente repressiva e de caráter penal, no âmbito das opções pessoais, máxime (principalmente) quando se pretende impor pauta de comportamento na esfera da moralidade'. É claro que as situações não são exatamente as mesmas, mas há que considerar que no caso em julgamento o réu poderia ter ingerido um pouco do material que portava, o que não teria feito nenhuma diferença. E, de mais a mais, nenhum bafômetro acusa o uso de drogas, o que só aparece em testes clínicos que serão feitos, por exemplo, em caso de um acidente, após a ocorrência de um acidente. Exatamente por isso que o migalheiro Leonardo Henrique Ferreira da Silva reclama, em seu comentário, da tipificação de crime de perigo em abstrato, sem que tenha ocorrido o dano efetivo a qualquer bem jurídico, afirmando que o Estado Democrático de Direito deve tutelar a liberdade e reprimir após o fato delituoso."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/7/2008

"O artigo não é meu. Recebi pela internet. Mas achei bem colocado. Por isso coloco-o à disposição dos colegas. É, essa coisa da corrupção, em nosso país já tão corrupto. Achei bem colocado. Realmente.

'Lei seca é elitista, reacionária e semeia a corrupção

Mais uma estupidez assola o Brasil, esta lei seca disfarçada em medida moralizadora. A moral dos reacionários e dos xiitas, que só vai levar mais água (sem álcool) para o moinho da pequena corrupção do dia-a-dia.

Qual o espírito da lei? O de punir os bêbados no volante, gente irresponsável e criminosa que merece mesmo o fogo (não o da bebedeira, mas o do inferno)? Não, esse não é o espírito dessa nova lei, pois esse espírito já existia na antiga lei: o Brasil já tinha leis que coibiam bêbados no volante - puniam motoristas que tivessem mais do que 6 dg de álcool por litro de sangue. Para se ter uma idéia, isso já era mais rigoroso do que os limites em vigor em países como Canadá e Estados Unidos (que permitem até 8 dg por litro).

Qual era a diferença entre, por exemplo, o Brasil e os Estados Unidos? A diferença era que lá a quantidade de álcool permitida era maior (e não suficiente para embebedar ninguém), mas a fiscalização era, e é, séria. Mesmo podendo ter 8 dg de álcool por litro de sangue, os norte-americanos são muito cuidadosos com suas taças de vinho se vão dirigir, pois sabem que podem ir para a cadeia mesmo.

O que fizeram os moralistas do Brasil? Nossa taxa permitida já era menor do que a americana; o que faltava era simplesmente aplicar a lei - fiscalizar e punir. Ah, as punições eram mais brandas; concordo plenamente em que fossem aumentadas, como agora. Mas não: no lugar de fiscalizar e punir, o governo (com uma base parlamentar para isso) preferiu tornar o país mais xiita e corrupto, colocando um limite de álcool que equivale, na prática, a proibir qualquer consumo de bebida alcoólica para quem vai dirigir.

Quais as conseqüências disso?

1- A primeira, se a coisa pegar, é atacar uma tradição cultural atávica da humanidade - a de beber socialmente, confraternizar com a bebida. Tradição que data da remota antiguidade, presente nas festas das colheitas, nas celebrações religiosas, nas comemorações das conquistas. A depender da lei, um jantar de vários casais na casa de amigos ou num restaurante fará com que metade dos presentes fique na Coca-Cola, destruindo seu prazer gastronômico e o clima de compadrio. E impondo o rigor disciplinar, a sobriedade careta, que religiões e moralistas de vários matizes adoraram ter como regra para uma humanidade disciplinada e domesticada.

2- A segunda, se a coisa pegar, é inserir uma clivagem separando ainda mais os mais ricos dos demais. A lei poderá ser seguida por quem tem dinheiro para sempre pagar táxi e motorista particular - ou seja, o prazer de beber em condições normais, fora de casa, será preservado para esta elite. O resto, que não tiver dinheiro para vários táxis semanais, e na inexistência de verdadeiro transporte público, terá que agir como pária, transgredindo sistematicamente a lei.

3- A terceira é que, mais provavelmente, nossa lei seca terá efeito parecido ao de sua antecessora nos Estados Unidos: o incentivo ao crime e à corrupção. Ali, nos anos 20 do século passado (1919 a 1933), a bebida alcoólica foi proibida. Sendo o consumo do álcool um hábito cultural arraigado, obviamente as pessoas continuaram a beber - mas foram obrigadas a fazê-lo fora da lei. Para beber, precisavam pagar para as quadrilhas que dominavam o tráfico. Estas ficaram ricas e poderosas, e a corrupção e a criminalidade milionária medraram como nunca. No Brasil a proibição é mais localizada, não deve chegar à criação de quadrilhas como as de lá, mas considerando nossas tradições, dá para prever que a corrupção é quem vai sair ganhando. Enquanto fazem estas iniciais blitze cinematográficas, vai ser difícil ver casos de policiais se corrompendo. Mas no dia-a-dia daqui pra frente, quando um guarda parar um cidadão que está guiando normalmente, está sóbrio, mas saiu de um restaurante, o bafômetro pode muito bem ser acionado. E é bem provável que o cidadão que tomou duas taças de vinho com a comida, para não ir para a cadeia, resolva pagar ali mesmo os R$ 1.000 que terá que pagar de qualquer jeito se for para a cadeia. Uma propina bem atraente.

Quanta estupidez! É óbvio que os tantos casos de matança provocada por bêbados no volante foram perpetrados por gente realmente bêbada - com muito mais do que os 8 dg/litro de álcool tolerados nos Estados Unidos. É sobre os bêbados no volante que deveria se voltar a fiscalização. O novo limite imposto no Brasil é na verdade um ataque disfarçado ao consumo puro e simples de bebidas alcoólicas - medida de muito gosto para xiitas religiosos de várias facções, e moralistas políticos de todas as colorações. Assim caminha, para trás, a humanidade'."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/7/2008

"Mais um artigo, não sei de quem, mas que recebi, pela internet, a respeito desse assunto tormentoso, que tanto está tomando conta de todos atualmente:

'Assassinaram o Happy Hour!!!

(LEI SECA Nº 11.705, DE 19 JUNHO DE 2008)

Má Oliveira

Esses caras beberam???

A lei seca não afeta o mais famoso alcoólatra deste país e sabe por quê?

Porque EU pago o motorista dele!

É... essa lei é mais uma que só afeta os pobres...

Se ele bebe mesmo quanto dizem, pelo Principio da Isonomia (CF artigo 5º caput), exijo que esse sujeito passe pelo teste do bafômetro diariamente, antes de sentar-se na cadeira da presidência, afinal, por que ele pode dirigir nossas vidas embriagado (como dizem) e eu não posso dirigir meu carro após tomar UMA cerveja?

Traduzindo esta lei, é mais ou menos assim, se um filho não faz seu dever de casa, todos os outros ficam sem TV, entendeu?

E lá vou eu, uma cervejeira consciente, que trabalho pra cacildas, cuido da casa, pago meus impostos, etc. e etc. ..., ser privada de mais alguma coisa, por conta de um erro que eu não cometi!!!

Eu deveria gostar era de incendiar índio, vencer licitações ilegalmente, roubar a grana pública, afogar calouros de faculdade de medicina... ao menos não seria punida... mas eu tinha que complicar!

Eu tinha que gostar justo de algo tão criminoso como tomar UMA cerveja, no fim do dia?

Gente! Happy hour com toddynho não vai dar!

Além de tudo, agora sou obrigada a fazer prova contra mim mesma (cadê a Constituição???) e se eu me recusar basta o uso da subjetividade da autoridade policial pra que eu me lasque, enterrando de uma vez o principio da presunção da inocência e do direito ao contraditório.

É.., isso só serve pro caso Renan, Dilma..

Mas somos versáteis, vamos dar um jeito nisso...

A primeira dica é engordar. De acordo com o site http://www.detran.rs.gov.br/clipping/20080623/06.htm, se você pesar 99 quilos, pode tomar dois copos de cerveja e não atingir o tão temido 0,6%.

Que tal aniversários por vídeo conferência? Cada um bebe na sua casa..., mas na hora do parabéns tem que cantar junto, tá?

Emergências? Vixe, se você não pode dirigir porque tomou UMA cerveja e vai praticar crime, chame o resgate, mesmo que seja apenas um arranhão, afinal, se pudesse dirigir iria até uma farmácia, como não pode... eles que te levem pro hospital, ou a nova lei me obriga a ter ataduras em casa???

(xi... lá vem uma emenda a lei...)

Será que eles não vindo dá omissão de socorro???

Jantar romântico com uma garrafa de vinho, naquele restaurante que marcou a vida de vocês, só se o sogro for buscar, ele vai adorar sair da cama no meio da noite pra ajudar os pombinhos!

(como se já não bastasse ele ter ficado com as crianças...)

Não fomos proibidos de beber UMA cerveja, fomos proibidos de voltarmos pra casa... alguns até adoraram a idéia...

Não fomos proibidos?

Claro que sim, pois ou bem pagamos a cerveja, ou bem pagamos o táxi, as duas coisas não vai dar...

Bem que podiam lançar o B.C, o Bolsa Cerveja, a mesma grana que dão pros bolsas tudo, podiam destinar a quem gosta de uma cervejinha no fim do expediente, com essa grana, podíamos pagar o táxi pra irmos pra casa... o que acham?

Ou pagar o estacionamento, né?

Ou você acha que a Segurança Pública deste País vai cuidar do carro que você deixou estacionado na rua, próximo ao bar que você tomou UMA cerveja e teve que ir embora de táxi...

Voltar de carona?

É... pena que nem todos moram pras mesmas bandas... mas também se o cara ficar sentado SÓ TE vendo beber UMA cerveja tranqüilo e depois ele tiver que se deslocar 30 km da rota dele, enfrentando o trânsito infernal deste País, pra te levar pra casa, você poderá dizer que tem um amigo, mais olha, um grande amigo!

Podiam ao menos melhorar o transporte coletivo, né?

Aff! chega de utopias, o assunto aqui é sério...

Nem me olhem torto, eu não votei nessa gente e não tenho culpa se eles tem problemas sérios de auto afirmação e precisam radicalizar.

Estou sendo punida pela incompetência dos nossos legisladores e do judiciário.

O índice de acidentes envolvendo bêbados é elevado (envolvendo NÃO bêbados também), mas não defendo bêbado, quem dirige embriagado tem mais é que se ferrar, expõe a sua vida e a dos outros.

A pena pra quem dirige BÊBADO deve ser muito severa, mas daí a punir quem bebeu UMA cerveja, já é demais!

Quantas e quantas vidas já foram subtraídas por motoristas embriagados (e NÃO embriagados também), mas eles não foram punidos, isso é uma incompetência dos legisladores e do judiciário.

Agora pra puni-los eu tenho que ser punida junto?

Nivelaram o povo por baixo...

Eu dirijo há mais de vinte anos, sem jamais ter me envolvido em nenhum acidente de carro (só uma raspadinha no portão de casa, mais também ele que se mexeu sem ordem... e foi as 6:30 da manhã, será que foi o cafezinho???).

Me diz, por que eu tenho que pagar pelo erro dos outros?

Enquanto os taxistas sorriem, todos os demais seguimentos profissionais que gostam de UMA cerveja, choram...

Esta semana enterramos o happy hour, a única coisa que sobrava pro sofredor trabalhador brasileiro, era desestressar tomando UMA cerveja no final do dia.

Mas valeu!

Quem sabe agora o povo vai mais cedo pra casa, cansados, cabeça e sacos bem cheios...

Os casais brigam... (separações a vista? hum, to começando a achar que essa lei pode me dar algum lucro...)

Pode ser que comecem a ver os noticiários, percebam o lixo que está este País, e repensem seus votos, as eleições estão aí (to começando mesmo a gostar desta lei!), espero que instalem Lulômetros na porta dos setores eleitorais, pois essa droga sim, fez um baita estrago em nossas vidas.

Lindo dia pra todos e lembrem-se se forem votar, não bebam'.

Publicado no Recanto das Letras em 30/6/2008"

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/7/2008

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