sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Se beber, não dirija

de 29/6/2008 a 5/7/2008

"Se beber, chame um táxi, diz a campanha, após a nova Lei, que promete a multa de R$ 955,00, apreensão da carteira de habilitação, do veículo e até, em alguns casos, a prisão do motorista. Problemão, não? Mas, o problema maior está em que o transportador, inclusive o táxi pode recusar o passageiro alcoolizado. Isso já acontece, por exemplo, com as empresas aéreas, em razão, no Brasil, do disposto no art. 739 do Código Civil. Quanto aos táxis, quem os dirige tem de estar habilitado por um Condutax, que exige um curso, no qual é ensinado que o futuro motorista não pode recusar passageiros, pois que ficará sujeito a punições várias. No entanto, e isso também é ensinado no mesmo curso, a recusa de passageiros alcoolizados não acarreta nenhuma punição ao motorista profissional. No 'site' www.libertaxi.com.br, dedicado aos profissionais da área há, dentre as dicas úteis para taxistas, uma que trata da 'recusa de passageiros', que expressamente informa: 'É permitido recusar passageiros quando os mesmos estiverem embriagados ou colocando em risco o veículo ou o motorista'. Então, um paradoxo: quem bebeu não pode voltar guiando seu próprio carro. Deve chamar um táxi. Mas, o taxista pode recusar o passageiro embriagado, que ficará sem condução. Só há uma solução: alterar a forma de ser dos bares e restaurantes, que deverão passar a funcionar 24 horas, com atendimento aos clientes desamparados que, à falta de onde ir, voltarão aos estabelecimentos, beberão mais e ficarão até a manhã seguinte, quando algum familiar os resgatará, ou tiverem conseguido evaporar a bebedeira. No final das contas, é uma boa notícia para os bares e restaurantes. É só uma questão de adaptação."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 30/6/2008

"Nada disso, migalheiro Wilson Silveira. Estou organizando uma empresa de transporte etílico, tipo transporte escolar, com modernos e confortáveis veículos, conduzidos por motoristas totalmente abstêmios e discretos, portadores de cursos de primeiros socorros. Mediante assinatura de simples contrato, com pagamento de suaves mensalidades, retiraremos e entregaremos em domicílio, percorrendo diversos itinerários. A primeira linha provavelmente circulará pelos estabelecimentos da Vila Madalena, para os usuários residentes nas cercanias da zona oeste da cidade de São Paulo. Horário de funcionamento: a partir das 20h até 6h do dia seguinte. Para maiores informações, brevemente, a 'Transbaco (MR/TM) - Transportes Baco Ltda.' colocará à disposição dos interessados um telefone 0800 e os endereços eletrônicos do seu sítio e do seu e-mail."

Romeu A. L. Prisco - 30/6/2008

"A nova proibição de dirigir alcoolizado, com qualquer quantidade de álcool no organismo, mais conhecida como 'Lei Seca', na verdade é mais do que parece, já que o artigo 165 da Lei 11.705, de 19 de junho de 2008, que altera a Lei 9.503/97 (Código de Trânsito) e a Lei 9.294/96, dispõe, expressamente:

'Art. 165 – dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência'.

Então, a Lei não é só seca, como estão todos pensando, mas atinge todos os usuários de qualquer outra substância psicoativa. E o que são exatamente as substâncias psicoativas, além do álcool? São as anfetaminas, os benzodiazepínicos (BDZs), os opiáceos (morfina, por exemplo), a cocaína, a maconha e os solventes. Dentre as anfetaminas, além das de uso médico, estão as de uso não médico, as chamadas de ‘uso recreativo’, como o MDMA (Ecstasy), o Ice e o Crystal. No caso dos opiáceos, além da morfina, estão o ópio, a codeína e a heroína. Quanto à cocaína, entra tudo, desde a folha de coca, passando pela pasta, incluindo o crack e a merla, até chegar no cloridrato, o pó puro, que não é fumado, mas cheirado ou injetado. Já os solventes são as substâncias encontradas neles, como as colas, os sprays, os anestésicos, certos produtos de limpeza e os solventes propriamente ditos. Mas, além disso tudo, há uma outra substância, considerada psicoativa que provoca dependência: o tabaco. Então, agora é Lei, é proibido fumar ao volante, e ninguém percebeu. Mas, até o momento, tudo vai depender do bafômetro que, dentre todas essas substâncias, só detecta o álcool. Até porque o uso de cocaína aumenta o estado de vigília, a sensação de bem-estar, a autoconfiança e a aceleração do pensamento, qualidades exigíveis no bom motorista, ao contrário do usuário de maconha, cujos sintomas incluem o aumento da sociabilidade, do desejo sexual, do paladar, da loquacidade, dos risos imotivados, da hilaridade mas, ainda... das alucinações, da sonolência, dos prejuízos à concentração, da letargia, dos ataques de pânico, da paranóia e do prejuízo de julgamento, efeitos que podem comprometer seriamente o ato de dirigir. Mas, convenhamos, o hábito de fumar, fora os danos físicos, não interfere no dirigir, pelo que a inclusão dentre as substâncias psicoativas é, no mínimo, sem sentido."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 30/6/2008

"Uma coisa é certa, nosso presidente não é adepto daquela história do 'faça o que eu digo, não faça o que eu faço'. Se ele próprio assinou a Lei Seca, não vai ser logo ele que não vai cumprir e sair por aí dirigindo alcoolizado (clique aqui). Por enquanto, tudo bem, já que presidentes tem motoristas. Mas, como é que ficou mesmo aquele projeto de lei de aposentadoria especial para ex-presidentes? Porque, se não por aprovado, e Lula tiver que voltar  a dirigir, não vai ser moleza. O feitiço vai acabar se voltando contra o feiticeiro."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 1/7/2008

"Alô migalheiro Prisco, a tua 'Transbaco' terá uma concorrente, a 'Transbebum Services'. O nosso expediente começará mais cedo, às 18h, para a 'happy hour' e, além disto, estaremos concedendo franquias."

Edmond d´Avignon - 1/7/2008

"Lamento, caros colegas migalheiros, mas chegaram tarde. Alguém já se antecipou com o TRANBÊBADO (clique aqui)."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 1/7/2008

"Eu já estou pensando em outra coisa. Em uma metrópole como São Paulo, um serviço de charretes, como o que existe no Central Park, em New York, até que cairia bem. Os casais teriam um fim de noite romântico, indo para casa ao passo cadenciado dos cavalos, com as pernas cobertas por aqueles cobertores cheirando a cavalo (bem ao gosto do Gal. Figueiredo), sem risco do temido bafômetro, enquanto não inventam os bafômetros cavalares. Para os que moram no Morumbi ou adjacências, poderiam ser pensados serviços de gôndolas no Rio Pinheiros e, até no Tietê, para os das zonas Leste e Norte, com fornecimento de máscaras anti-gases (certamente licitadas de empresas israelenses). Mas, uma coisa é certa, os carros, principalmente os de luxo, vão ser desnecessários, porque a Lei, discriminatória que é, atinge somente a classe média. A classe mais baixa freqüenta os bares a pé e os ricos vão nos carros com seus motoristas, deixando os próprios, sem uso, em casa. Só a classe média terá que utilizar seus próprios carros, à falta de opções. Com menos carros, o trânsito melhorará automativamente. Menos carros serão vendidos no mercado interno e mais carros serão exportados, o que é bom para nossa balança de pagamentos, que ficará equilibrada. Como se diz hoje em dia, há males que vem para bens. Enquanto isso, é aguardar: já correm notícias que os camelôs estão para receber chicletes anti-bafômetros."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 1/7/2008

"Desculpe-nos, caro migalheiro Wilson Silveira, mas, não estamos reivindicando a paternidade da idéia, até porque, nesse mercado, ainda há muito espaço. Outrossim, com a mesma ressalva, informamos que técnicos da nossa empresa, a partir de plantas nativas da Amazônia, estão desenvolvendo uma substância absolutamente insípida, que, misturada em pequenas quantidades às bebidas, tornará o álcool totalmente assintomático, de modo a fazer inveja ao 'Engov'. Tchin, tchin !"

Edmond d´Avignon - 2/7/2008

"Eu que peço perdão, caro migalheiro Edmond d'Avignon e caro amigo Prisco mas, nesses tempos bicudos, não há como perder essa oportunidade de negócio. Aqui, em nosso escritório, meu sócio e eu paramos tudo e passamos a estudar todas as oportunidades da nova Lei, motivo pelo qual nos sentimos um pouco desconfortáveis ao ver os colegas se antecipando com idéias que já estávamos formulando para, como dizer, 'tirar o pé da lama', já que não contamos com nenhum apadrinhamento oficial, desgraçadamente. Essa história da Amazônia, por exemplo, que o colega d'Avignon aventou. Já estávamos, há semanas, experimentando, nos finais de expediente, em nosso escritório, o CAUIM, feito especialmente por uma índia Tupinambá, que fervia pedaços finos de mandioca, até ficarem bem cozidos, depois deixava esfriar, para mastigar bem, 'ensalivar' e levar a um pote para, com a saliva, converter a pasta em açúcar 'alimentável'. Depois, a pasta é levada de volta ao fogo e mexida de novo até cozinhar e colocada em potes de barro, para fermentar, até resultar em uma bebida opaca e densa, com gosto de leite azedo.Tudo aqui, no escritório. O problema é que é ruim e o bafômetro acusa. Ainda não chegamos a uma receita boa. Então, por favor, não estamos felizes com a concorrência. Aliás, não sei se vocês notaram, mas nosso trabalho é na área da propriedade intelectual, de modo que estamos preparados para enfrentar qualquer concorrência, principalmente a desleal."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 3/7/2008

"Amigos migalheiros, resolvi o problema: acabo de comprar um cavalo. E, melhor, já veio ensinado. Não bebe uma gota e sabe o caminho de casa. Já resolvi o problema com o condomínio, convencendo os demais moradores do edifício onde moro que é animal de estimação. A única coisa chata é ter que conviver com o animal na sala lá de casa. Estou pensando em colocar ao lado da geladeira de cervejas. Afinal, como na propaganda, já consegui convencer minha mulher. Mas, como cavalo não sobe escadas, e nem desce, tem de ser pelo elevador de serviço, e no colo como estão dizendo alguns outros condôminos (parece que vai até ser convocada uma reunião de condomínio específica para resolver o assunto). Pelo elevador social jamais, já me avisou o zelador. Também a alfafa sobe pelo de serviço. Aquela história do saquinho para recolher os dejetos na calçada, quando levamos o animalzinho para passear também está aborrecendo um pouco, pois estamos usando sacos de 50 litros a cada vez. E já encomendamos a manjedoura para ser instalada na área de serviço. Mas,  com a nova Lei, temos que nos adaptar. Os carros? Já vendemos. Na garagem, temos agora  uma charrete para passeios mais curtos e uma carruagem mais elegante, para festas. Há algum problema com os manobristas, nos restaurantes, mas nada que não se resolva com uma gorjeta para uma cervejinha. As viagens, já sabemos, vão ser mais demoradas, mas poderemos ir lendo e, até mesmo, tomando uns drinks pelo caminho, já que o art. 306 fala em veículo automotor apenas. Finalmente, cavalos estão isentos do rodízio, o que é simplesmente fantástico."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 4/7/2008

"Migalheiro Wilson Silveira, como você também é fumante, eis aí uma boa oportunidade para adquirir um dos descendentes do excelente solípede dos comerciais dos cigarros Marlboro, agora aposentado e reproduzindo no haras da Philip Morris em Richmond-Virgínia, USA."

Edmond d´Avignon - 4/7/2008

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