terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Crônicas da judicatura

de 29/6/2008 a 5/7/2008

"Compulsando aleatoriamente arquivos passados, deparei-me com a notícia do passamento do Carlos Alberto Bastos de Matos (Migalhas 980 - 4/8/04 - clique aqui). Na ocasião deixei-a gravada em meu computador, talvez levado pela saudade e lembrança do velho amigo. Veio-me à lembrança, agora, um fato até jocoso de nossa antiga convivência. Relato-o para que fique documentado, e também para ressaltar a grande figura que foi esse magistrado exemplar. Era eu Juiz na comarca de Junqueirópolis, na Alta Paulista. Fui designado para acumular a vizinha comarca de Pacaembu. Lá estava o Carlos Alberto, promotor de Justiça. Passados alguns dias fez-me uma oferta: 'Antonio, eu tenho pouco serviço. Se você quiser, posso preparar os despachos nos seus processos. Se você estiver de acordo você assina, se não você rasga'. Aceitei de pronto. Ainda que não fosse volumoso o número de feitos que todos os dias iam à conclusão, era trabalho que se somava ao da minha comarca. A ajuda era preciosa, e de pessoa de extrema lisura e capacidade! A partir de então, quando chegava a Pacaembu encontrava uma pilha de processos sobre a mesa, devidamente despachados (com a inconfundível escrita da máquina de escrever cujo tipo até hoje me lembro!). Conferia e assinava, todos perfeitos. Certo dia encontrei um dos processos com este despacho: 'Indefiro a cota retro do dr. Promotor'..., seguido de curta fundamentação. E, datilografado em um pedaço de papel, este bilhetinho: 'Antonio, eu estou indeferindo o meu pedido porque eu pedi uma coisa absurda!'. Justificou-me, depois, verbalmente, a sua decisão.... e o episódio serviu para boas risadas até hoje lembradas! Grande homem, grande Promotor, grande Juiz! Fez escola, deixou lembranças ... e saudades!"

Antonio Augusto Guimarães de Souza - advogado em SP (Rigo de Souza Advogados e Consultores), magistrado aposentado - 2/7/2008

"Em Migalhas 1.930 (2/7/08 - "Migalhas dos leitores - Crônicas da judicatura"), promotor de Justiça dando despachos no lugar do juiz. Muito bom..."

Dennis Braga - escritório Gondim Advogados e Associados - 3/7/2008

"Prezado dr. Antonio Augusto Guimarães de Souza, muito me honra lembrar dessa forma a presença de meu pai Carlos Alberto Bastos de Matos, então Promotor de Justiça em Pacaembu/SP (Migalhas 1.930 - 2/7/08 - "Migalhas dos leitores - Crônicas da judicatura"). Hoje como juiz em Nova Mutum/MT, quisera eu ter um Promotor que me auxiliasse no acúmulo de serviço (embora o que aqui atue seja muito presente). E mais, que quando travestido de juiz ousasse indeferir suas próprias cotas como Promotor. Coisas típicas dele, sem qualquer vaidade, cônscio de seus deveres sem perder a noção do justo. Mais que fazer isso para passar o tempo, creio que o fazia como forma de retribuir a enorme amizade que tinha por vossa excelência, que, testemunho, era um incansável magistrado, juiz de família, justo com sua família, amigo de verdade, sempre bem humorado e nos divertindo ainda quando pequenos na então pacata Junqueirópolis. Abraços a vossa excelência, à Eliana, Alessandra, Fábio, Amadeu e à menor que não me recordo o nome agora."

Gabriel da Silveira Matos - Juiz em Nova Mutum/MT - 3/7/2008

"Ao ler a nota subscrita pelo dr. Antonio Augusto Guimarães de Souza inserta no Migalhas 1.930 (2/7/08 - "Migalhas dos leitores - Crônicas da judicatura") tive a oportunidade, como recomendado, de clicar o Migalhas 980 (- 4/8/04 - clique aqui)e pude rever nosso caro Carlos Alberto Bastos de Matos, ilustre magistrado de nossa querida Patrocínio Paulista. O homem que fez história naquela comarca, o homem que conhecia a todos e era conhecido e respeitado por todos. Parabéns Miguel por publicar a nota de Guimarães de Souza que me trouxe a lembrança de um homem digno, justo e sensato como foi seu pai."

Kalil Rocha Abdalla - 3/7/2008

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