sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Migalheiros

de 6/7/2008 a 12/7/2008

"A Fábrica de Universos

Os bósons são inteligentes

Escondidos em outra dimensão.

Por que tanta precaução

É um ato consciente?

A ciência está na cola

Graças à matéria escura

Que dificulta a procura

Confunde o eixo da mola

Choque de matéria e luz

Curvado no infinito

São partículas de granito

Ou mistério da órbita conduz?

Esta imantação é problema

Dependência de uma ditadura

Da energia e da matéria escura

Um cárcere privado com algema

Iluminados - O que fará

Com o bóson aprisionado

Um mistério bem guardado

Ou ao humano entregará?

A Quem interessa?

Uma fábrica de universo

Os paralelos diversos

Para que tanta pressa

Um universo precisa

De um planejamento

Senão o novo engole a gente

Seja humano ou não

Tudo vai para o ralo do nada

Cadê a inteligência em projeção

A Consciência e a razão

Virou tudo fragmento

Não basta o pensamento

No túnel do tempo

Numa vida a bailar"

Luiz Domingos de Luna - 7/7/2008

"A classe média alta, pequena burguesia, ou classe alienada mesmo, agora, tem onde se esconder do mundo feio e desigual: são os condomínios acoplados a xópingues, os sofisticados templos do consumo, verdadeiras tumbas. Aqui, em Sampa, a pequena-burguesia arrogante se dirige para dois empreendimentos, os Parques Villa-Lobos e Cidade Jardim. Assim, a revista da Folha de domingo (êta, revistinha reacionária!) apresenta alguns candidatos à cobaia dos laboratórios residenciais. São semelhantes aos moradores dos Bal Harpour de Miami, ou seja, novos ricos, deslumbrados, emergentes, pedantes, consumistas, ignorantes, predadores, separatistas, individualistas, numa palavra, dignos de Miami. Como diz Eros Grau: aos poucos a elite vai tecendo as finas cordas para alvos pescoços. Oh tempos, oh costumes!"

Armando Silva do Prado - 7/7/2008

"Numa contribuição à dialética marxista que, aqui e ali, explode neste espaço, transcrevo o relato de Annenkov, um jovem russo recomendado a Marx. Fala ele do encontro entre Wieitling, alfaiate e agitador comunista alemão. Diante da 'lenga lenga' agitadora do alfaiate, Marx cortou-lhe a palavra, irritado, com berros de que 'despertar esperanças fantásticas... jamais levaria à salvação daqueles que sofriam, e sim, pelo contrário, à sua destruição... seria brincar com uma propaganda vazia e inescrupulosa que envolveria inevitavelmente, de um lado, um apóstolo inspirado e, do outro, asnos boquiabertos a escutá-lo.' O alfaiate subiu nas tamancas, sendo interrompido com um murro na mesa, desferido por Marx, e uma das poucas verdades verdadeiras proferidas pelo hirsuto demiurgo comunista: 'A ignorância jamais ajudou ninguém.' Atão tá, seu Marx! Avisa teus fiéis brasileiros."

Alexandre de Macedo Marques - 7/7/2008

"Para citar é sempre mais seguro fazê-lo de primeira leitura, não de segunda ou terceira. Cito Marx no original, na mais clara definição de ideologia, categoria que 'cega' até hoje quem não 'quer' ver: 'Sie wissen das nicht, aber sie tunes' que, traduzido livremente, quer dizer: 'Disso eles não sabem, mas o fazem' Detalhe: Wietling, também citado aqui, recorria à 'bondade cristã', ao evangelho e ao autodidatismo para pregar o socialismo, daí a reação irada e justa de Marx 'Até agora a ignorância não serviu jamais a ninguém'."

Armando Silva do Prado - 8/7/2008

"Quem é quem? O que estamos fazendo na internet? Ou o que estamos fazendo no orkut? Não são meras questões para refletirmos, mas sim para analisarmos profundamente, pois são milhões de almas, ainda em estado de ser vivente, que mergulham no mundo virtual a busca de uma vida feliz, obviamente não conquistada no mundo físico. Todas essas cabeças, espíritos ou intelectos estão dispostos a conquistar ou oferecer algo aos outros todos, viajantes, navegadores virtuais. Muitos tentam impor seu nome, divulgar suas emoções, suas intimidades ou suas propostas comerciais, mas o fato é que o mundo real também pode ser virtual. Viver conectado não é para maus ou bons caracteres, mas sim para todo cidadão vivo, pois buscar as informações na internet pode muito bem ser natural. Divino também. Mas a felicidade procurada no mundo físico e não encontrada não vai estar escondida nem veiculada em nenhum site. Podemos admitir que muitas pessoas felizes, estão conectadas, mas felizes também na vida física, se elas forem livres, ai está o enigma a ser resolvido. Não basta ter acesso a tudo que se pode conhecer através da internet para podermos conquistar a felicidade, pois no momento que o computador é desligado fica claro que se não aproveitarmos racionalmente o que nos foi oferecido, tudo então não passou de ilusão, pois liberdade não é apenas pensarmos em fazermos o que bem entendemos em qualquer momento, é muito mais que isto. Não é ilusão contatarmos pessoas, fazermos amizades, etc. É realidade absoluta, pois podemos transformar a amizade virtual em física, real ou vida a vida. Temos que ter em mente que o mundo virtual é apenas instrumento para o mundo físico. É um instrumento imprescindível para o atual momento histórico e social, porque não filosófico também? Quero convocar, com a devida licença de todos, para que façamos uma profunda reflexão sobre o tema."

Líbano Montesanti Calil Atallah - professor - 11/7/2008

"O ensino público e a comunidade – 'Massa de manobra'. Venho me debatendo como sapo em banho dentro de bacia de água fervendo. Fui para o ensino publico com a proposta de vestir camisa e trabalhar em pró da importância de quem deveria tê-la, a comunidade desamparada. Não fui com dó, mas esperançoso de mudar o que estava errado obviamente e esse é o primeiro ponto, oferecer a pouca importância que conquistei, aos meus alunos. Acredito que isto é primordial por ser abrangente. Ao preparar-me para assumir meu cargo como professor de artes, fui procurar contato com todas escolas da cidade de Arujá para poder melhor decidir, a prudência tem três olhos, afirma o velho Procutórum Demasiadum. Assim que cheguei na Escola Estadual onde atuo como professor de Artes, notei que a minha estadia ali poderia ser longa, mas áspera, não fui aceito como um príncipe, nem como artista. Logo tentaram passar borracha em minha modesta importância. Sinto-me descriminado. Eu reagi, não é possível aquietar-me diante de tantos disparastes que ouvi e ouço sobre os alunos classificados por todos como desinteressados. Os professores são as estrelas em exercício! Levantei-me do grupelho e formei minha unidade solitária que mantenho como entidade de educação. O evidente resultado não poderia ser outro; diante do sucesso absoluto com os estudantes, eclodiu o efeito da ciumeira arrogante dos paneleiros. Eu tal qual D. Pedro II não conspiro. Agora posto de lado sou perseguido por todos como também foram outros professores que abandonaram a escola por causa da pressão que vinha de todos os lados. Não pretendo abandonar a unidade porque há descontentes, não são os alunos, pois estes, unanimemente estão coesos em me apoiar, isto sem campanha, apenas cumprindo com minha função que é ensinar, apenas isso. O livro de ocorrências é a todo o momento solicitado para que as dirigentes preencham laudas para me espezinhar, isto enquanto trabalho, me mato de fazê-lo, não me poupo, ainda por cima tudo sem fundamento. Na última vez, a diretora suspende minha aula mandando meus alunos para o pátio e me conduz contrariado para a diretoria. Pronto lá veio mais sapatada. Eu resolvi mostrar que não estou ali para disputas mesquinhas e reagi, não deu outra lá foram mais algumas páginas contra minha pessoa, eu afirmei então que daria satisfação apenas a Secretaria de Educação. Mas então vieram me convocar para a tal manifestação em São Paulo no dia 13/6/08. Se eu estivesse ali para me privilegiar, então tudo bem, poderia ir, mas estaria contrariando meus princípios, eu não conspiro e ainda muito menos contra a Secretaria, pois se assim fosse estaria dando razão a aquela montoeira de ocorrências. O professorado é levado a obedecer a pessoas interesseiras e intransigentes alem de hipócritas que operam contra a Secretaria, com medo de ficar sem função. As mesmas culpadas pelo retrocesso do ensino em São Paulo. Não tem alegria nem energia para trabalhar. Conclusão obvia, o ensino publico é manipulado com greves e locautes e quem paga é a comunidade."

Líbano Montesanti Calil Atallah - professor - 11/7/2008

"Todos somos ignorantes. Cada um em uma área do conhecimento. Somos seres inacabados, imperfeitos, limitados, que buscam o conhecimento, todavia é preciso reconhecer que nossa limitação nos impede de sermos plenos em todas as ciências. Os seres se completam, o homem precisa da mulher; o filho precisa do pai; o aluno do professor; o pastor das ovelhas; o homem de Deus, enfim, somos seres dependentes. O maior ignorante é aquele que se acha pleno, completo, e que já sabe de tudo, a este não resta sabedoria a ser alcançada, conhecimento a ser descoberto. A idade, por vez chamada de 'experiência' torna o ser um grande arrogante. Quanto mais conhecemos, mais nossos olhos se abrem levando nossa visão a um horizonte cada vez mais além, quando criança o limite era conhecer os quatro cantos de nossa casa, ao crescermos o limite é o bairro, depois a cidade, em seguida o município, após o Estado, em seguida a Federação, depois o continente, na seqüência o globo terrestre, após o universo, no início as palavras 'papai e mamãe', depois o português, após o inglês, na seqüência o mandarim, como se vê, não existe limite para a nossa ignorância, pois quanto mais sei, descubro que mais existem coisas que não sei. Costumo dizer que : - de médico, louco e advogado todo mundo tem um pouco. Pois todos temos uma receitinha mágica, seja para uma febre ou um problema de ordem jurídica. Nos achamos plenos e capazes de, isoladamente, solucionarmos todos nossos problemas. Percebo que cerca de 80% dos problemas de ordem jurídica poderiam ter sido evitados se a pessoa tivesse realizado uma consulta preventiva a um advogado, porém, o senso do saber, faz com que decisões sejam tomadas, consultando-se, por vezes, apenas a voz da experiência pessoal, ou de um 'rábula' do direito. Deixa-se de lado a visão técnica, teórica e prática daqueles que se especializaram em solucionar os problemas de ordem jurídica de seus constituintes. Não me peça para fazer um banquete, pois nesta área reconheço minha ignorância. Não me peça para pintar um quadro, que certamente passarei vergonha, muito menos para tocar uma música ou cantar, pois certamente muitas crianças que tem se dedicado a esta ciência me darão um banho de conhecimento, porém, naquilo que me predispus a conhecer na área jurídica, e que milito e estudo diariamente, aqui sim você pode confiar. Sou ignorante em muitas áreas, mas naquela que milito sou especialista, ainda inacabado, mais alguns passos além dos demais mortais. Reflita nisso."

 

Alcionei Miranda Feliciano - 12/7/2008

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