sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Revolução Constitucionalista de 1932

de 6/7/2008 a 12/7/2008

"A Terra de Vera Cruz sofreu um abalo em 1930, quando os bacharéis aristocratas e cafeicultores foram apeados do poder. Os tenentes começavam um novo ciclo que prometia, entre outras coisas, a modernização e industrialização do país. Desde o início, S. Paulo, principal província, estava dividida entre a maioria que nutria esperanças em Vargas e a elite plutocrata que tentava reaver o poder perdido. A palavra de ordem para levantar S. Paulo era Constituinte, mera farsa, porquanto, os acertos indicavam que ela aconteceria para dali um ano. Portanto, os cafeicultores ao jogarem os jovens na aventura do '9 de julho' agiram com má-fé e irresponsabilidade. Tanto isso é verdade que, após a derrota antecipadamente anunciada, se jogaram nos braços de Vargas se aproveitando da nova coalizão de forças políticas. Os anos decorridos da tentativa de golpe não foram suficientes para escrever uma história triunfalista para a elite política de S. Paulo."

Armando Silva do Prado - 7/7/2008

"Num momento em que nossa sociedade parece anestesiada diante da crise moral que assola o país, o feriado estadual de 9 de julho passa a representar cada vez mais àqueles que amam a liberdade, pois celebra a maior revolução que o Brasil teve em todos os tempos de sua história. Foi quando em 1932 toda a população paulista se uniu nessa luta, desejando trazer de volta certos valores como liberdade e democracia por meio de eleições gerais e uma nova Constituição para o Brasil. Devido a esses objetivos, a Revolução de 1932 foi chamada de Constitucionalista. Em 1930, Getulio Vargas assumiu o poder e suspendeu de imediato a Constituição, dissolvendo o Congresso Nacional. Com a nomeação de interventores, os chamados 'tenentes', nos lugares dos governadores, provocou ainda mais a revolta do povo paulista, dando-se início às manifestações de rua. Oradores inflamados discursavam em vários pontos da cidade clamando por liberdade, entre eles Ibrahim Nobre, que fazia de sua tribuna uma trincheira cívica. O povo andava tão agitado que o dia 23 de maio amanheceu em clima de guerra civil. Neste dia morreram os primeiros heróis: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Eles não morreram à toa por São Paulo, eles clamavam por liberdade e pela legalidade. Na noite de 9 de julho de 1932 explodiu a revolução, que perdurou alguns meses e chegou ao seu fim. São Paulo havia combatido o bom combate, caindo de pé, moralmente vitorioso. Se por um lado fomos derrotados nas armas, por outro saímos vencedores pela disseminação de um sentimento de democracia. Portanto a data 9 de julho não pode desaparecer do calendário dos que amam a liberdade. Mais do que nunca temos o dever de propagar às gerações futuras o que foi a luta e os ideais desta Revolução Constitucionalista, estimulando o culto à nossa história. Com isso, o feriado paulista de 9 de Julho estará sempre indicando que os ideais democráticos não morreram, e também para que não caia no esquecimento o heroísmo dos que lutaram em 1932."

Pedro Paulo Penna Trindade - advogado e membro do Conselho da Sociedade Veteranos de 32 - MMDC - 8/7/2008

"O gosto de Vargas pela Constituição era tão grande que ele não se contentou com uma, elaborada democraticamente em resposta à luta paulista, mas precisou escrever outra, praticamente de próprio punho, em 1937..."

Reginaldo de Andrade - 8/7/2008

"Sr. diretor de Migalhas, poema lido quando da comemoração, no dia 9 de Julho, da Revolução Constitucionalista de 1932, na EEPSG Plínio Negrão, em São Paulo, quando o autor foi orador, na década dos idos de 1960. 

'Heróico paulista,

Vós ereis gente pacata,

Feliz, no campo, na mata,

Ou na cidade febril:

E sonháveis a sorrir,

com o mais, próspero porvir

à Terra amada, o Brasil...

Amáveis vosso trabalho

Éreis tão só gente simples,

Ingênua... e não dizer ?

Acreditastes que em 30,

Veríeis o alvorecer,

A Pátria consolidada,

Novo Brasil renascer...

Vendo o ideal traído,

Todo um Gigante sentido

São Paulo se comoveu:

E vosso povo acorreu,

Sem nenhuma distinção

De raça ou de religião...

Foi com a benção da Mãe Negra,

Que partistes para a luta,

Pela causa da Justiça,

Contra a nova escravidão...

Desembainhastes espadas

Dos ancestrais pioneiros

Que, nas primeiras Bandeiras

Desbravaram os sertões...

Ou os garfos das fazendas

Fizestes de baionetas,

E, na falta de metralhas,

Imaginastes matracas.

Para iludir nas batalhas...

Mas Vós fostes derrotados

E muito de vós tombastes

Na triste Revolução...

Anos, anos se passaram,

Sob a vil humilhação;

Mas um dia, os vencedores

E vencidos se irmanaram:

Deram vozes à razão...

E o vosso lema renasce:

NON DUCOR, DUCO, que cresce,

A Pátria toda aquiesce

Ostenta-o como brasão...

Eis os novos Bandeirantes,

Heróis de brava jornada,

Fernões Dias, Borbas Gato,

Em nova marcha pro Oeste...

Servindo de exemplo ao Mundo,

Todo o Brasil dá-se as mãos: 

Nunca mais a escravidão

Humilhará o País,

Que Deus fez como evidência,

Tal um grande coração...'"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 8/7/2008

"Fiz em memória de meu querido pai, Achilles Credidio, que não era fazendeiro de café; mas um simples funcionário público, que deixou sua família, mulher e dois filhos, na ocasião, sendo que o 3º nasceu em 1932, em plena Revolução, para engajar-se na luta. Fiz para rememorar meu querido primo, Rubens Oliveira, casado com minha prima Iracema Credidio Sprovieri; fiz pelo sogro de minha filha, Odette Severino Galasso, que moços, ainda, uniram-se na luta porque eram paulistas, fiz em memória do padrinho de meu irmão, Luiz Mendes Pereira, que era paraense (o popular Pará, não defensores de fazendeiros do café, como quiseram fazer crer, desvirtuando o verdadeiro sentido da luta." 

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 8/7/2008

"9 de Julho: Data que consagra o patriotismo de São Paulo. NON Ducor Duco. Os outros se acomodaram ou melhor se acovardaram."

Thomaz Moreira Rizzo - 9/7/2008

"(Migalhas 1.935 – 9/7/08 – "Há 76 anos") E, hoje, quem são os 'emboabas'?"

Antonio Bastos A. Sarmento Thompson & Knight L.L.P. - 9/7/2008

"Prezados editores, 'Guerra dos Paulistas' (Migalhas 1.935 – 9/7/08 – "Há 76 anos")? O Movimento Constitucionalista contra a constituição discricionária de 1930, que resultou na Revolução Constitucionalista de 1932, era de todos os brasileiros, mas foi perdida no campo de batalha por falta de adesão de outros estados, propiciando o título esquisito acima. Porém, foi ganha moralmente, ao ser promulgada a Constituição de 1934, para cuja redação os constitucionalistas deram contribuição importante, já que obtiveram 17 das 22 vagas da bancada paulista para a Câmara Federal Constituinte. Atenciosamente,"

Manuel Carlos Reis Martins - 9/7/2008

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