segunda-feira, 26 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Eleições

de 26/10/2008 a 1/11/2008

"A vitória do antigo PFL em SP, significa a sobrevivência do projeto do 'Brasil para alguns poucos', além da permanência do conservadorismo paulista, que no século XX teve Washington Luís, Júlio Prestes, Adhemar, Jânio, Maluf, Pitta e, agora no século XXI, o personagem infantilizado e 'poste' do Serra. É um dos passos importantes da direita, mas que encontra como contraponto a embaraçar o avanço, o afundamento do neoliberalismo. A ditadura da mídia evita o reconhecimento da derrota da hegemonia do capital financeiro, numa catarse que usa todos os sinais, menos aquele que é preciso: refundação do capitalismo. Serra, Demos e tucanos a partir da vitória reacionária em S. Paulo, começam a costurar a busca do 'Planalto', esquecendo, claro, de avisar os 'russos' de suas manobras. A 'virada da página do getulismo' que fracassou com FHC, aguarda a escalada da reação direitista a partir do Palácio Bandeirantes."

Armando Silva do Prado - 27/10/2008

"Eu cumprimento os paulistas

escolhendo seus caminhos:

Marta foi a derrotada

mas perdeu dando beijinhos!

E antes que o gozo acabe,

nunca pensei que o Kassab

tivesse tantos sobrinhos!”

É um verdadeiro Tiozão, né não? É o primeiro que eu vi a ganhar do Tim Maia!"

Zé Preá - 27/10/2008

"Um dia, quando Jânio Quadros ganhou as eleições para a prefeitura de São Paulo, entrevistado logo após, respondeu à infalível pergunta sobre a que atribuía sua vitória explicando, como gostava: 'É que tive mais votos que o adversário.' Democracia é isso aí. Kassab ganhou... porque teve mais votos. E não foram poucos. Quase um milhão e meio a mais. E não nos Jardins apenas, mas em conhecidos redutos petistas, como o Cinturão Vermelho de São Paulo. Das 57 zonas eleitorais de São Paulo, Marta ganhou apenas em 16. O que significa, nem mais, nem menos que, em São Paulo, sua mensagem não 'colou'. Mas, nada que um ministeriozinho de consolação não resolva."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 27/10/2008

"Abstenções. Ao ver a abstenção no Rio de Janeiro de 1 milhão e tanto de eleitores, numa eleição disputadíssima em que teriam a oportunidade de mudar os rumos de sua história, de tantos desgovernos, os cariocas não podiam se omitir abstendo-se, e me remetem à fala de Bertold Brecht: 'O Alfabeto Político', que transcrevo parte: '...Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos... ...Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política (abstenção), nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais'. Aos que abstiveram para curtir, meus pêsames !"

Tania Tavares - 27/10/2008

Realmente, no Rio de Janeiro as abstenções custaram a vitória de um candidato no qual valia a pena votar...

Paulo Roberto Iotti Vecchiatti - OAB/SP 242.668 - 27/10/2008

"Ainda que mal pergunte ao ilustre autor da primeira mensagem deste tópico, qual a formação política daqueles hoje considerados 'neoliberais e reacionários'? Serra não foi Presidente da UNE e não esteve exilado no Chile? FHC não foi professor universitário ligado às esquerdas, igualmente 'perseguido' pela 'ditadura militar'? E o falecido Mario Covas, não foi prisioneiro da mesma 'ditadura militar'? E o seu vice, Geraldo Alckmin, que assumiu, não líder estudantil? E o Lula, agora todo amigão dos banqueiros, assim que deixar o poder não vai participar dessa lista? Enfim, todos eles estiveram e/ou ainda estão no Poder, fazendo exatamente o mesmo que tanto condenam em pseudos 'direitistas'."

Romeu A. L. Prisco - 27/10/2008

"'Sim, dona Marta, segui o seu conselho', afirmou Kassab e acrescentou: 'agora não mais sou solteiro. Casei-me com a Prefeitura da cidade de São Paulo e passei a ser pai de cerca de 15 milhões de filhos adotivos'!"

Romeu A. L. Prisco - 27/10/2008

"Lendo o primeiro comentário desse tópico, ocorreu-me indagar do ilustre migalheiro que o subscreveu se a eleição de Gilberto Kassab representa tudo de ruim que ele alinhava em suas considerações, devemos entender que, se apenas dois concorrentes havia à prefeitura de São Paulo, a vitória do outro, no caso a vitória de Marta Suplicy deveria significar exatamente o oposto? Inclusive o ganho do projeto 'Brasil para todos'? Era isso que Marta representava? Que coisa, hein? Realmente, isso passou desapercebido."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 27/10/2008

"Será que a explicação da derrota de Marta Tereza Smith de Vasconcellos Suplicy não 'emplacou' porque não conseguiu esconder dos eleitores sua real arrogância, de todos conhecida? Será que pareceu muito deprimente aos olhos do eleitorado seu ex-marido, o conhecido senador Eduardo Suplicy, que a todos aparece como vítima na questão da separação do casal, correndo atrás da candidata, sempre com um sorriso nos lábios, apoiando-a, enquanto o 'atual' marido, que se conhece apenas pela alcunha, era mantido à distância, escondido das câmeras para não comprometer a candidata. Talvez o público eleitor não tenha perdoado obrigar o senador àquele triste papel, mesmo para ajudar o partido. E, talvez não tenha perdoado, não só porque goste do senador, mas porque, a esta altura dos acontecimentos, todo mundo já conhece a história do tal Luiz Favre, dito empresário e publicitário, mas que, na verdade, tem um curriculum bastante mais nebuloso, como explicado, tim tim por tim tim no artigo de Hugo Studart (clique aqui). Talvez o eleitor não tivesse mesmo vontade de ver essa gente na prefeitura da maior cidade do país."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 27/10/2008

"Apesar de alguns verem reacionários em todo canto, inclusive atrás de 'postes', a vitória do Gilberto Kassab deu duas tacadas de fôlego: colocou politicamente de castigo o Alckmin e despachou dona Martaxa de volta ao seu rico lar! Como a senhora em questão é doentiamente soberba, vaidosa e orgulhosa, dentro de pouco tempo estará de volta... O PT adora rico e prepotentes..."

Eduardo Augusto de Campos Pires - 28/10/2008

"A eleição paulistana demonstrou para mim claramente dois importantes fatos: 1) Não se mostrou verdadeira a afirmação que o Lula, diante de sua estrondosa popularidade, poderia eleger até uma ameba, se assim quisesse. Talvez a mencionada afirmação fosse verdadeira em Jaguatinga do Norte ou qualquer outro curral esquecido por Deus, mantido pelo PT através de bolsa família ou equivalente. Ainda bem que em São Paulo downtown e em vários outros importantes municípios a coisa não é bem assim... 2) Em geral os Petistas não convivem bem com a democracia. Bastou a Marta ser derrotada, e diga-se bem derrotada (mais de 60% versus menos de 40%), para que os petistas fossem ao trombone proclamar que a derrota da Marta foi reacionária; que a mídia foi tendenciosa; que o TSE foi parcial quando concedeu ao DEM vários direito de respostas; etc, etc. É algo do tipo: se o PT tivesse ganho, tudo estaria bem. Como perdeu, e perdeu bem perdido (mais de 60% versus menos de 40%), então tudo está errado... Em 2010 tem mais. Até lá, quem sabe os petistas aprendem a conviver melhor com a opinião da maioria. Vamos torcer para que aprendam e sejam menos arrogantes, viu dona Marta !"

Antonio Roberto Testa - 28/10/2008

"O Senador Eduardo Suplicy está certo quando pondera sobre a derrota de sua ex-mulher, D. Marta Suplicy, dizendo: 'Metade do horário eleitoral nos últimos três dias foi para criticar e combater o Kassab'. Realmente, como visto em todo o período da campanha, os petistas demonstraram não saber fazer outra coisa senão demagogicamente criticar os adversários."

Pedro Luís de Campos Vergueiro - 28/10/2008

"Não adianta: aconteça o que acontecer os petistas não perdem a oportunidade de se valer da retórica demagógica para tentar camuflar a realidade e a verdade. Diante da estonteante derrota da petista Marta Suplicy, o senador Aloizio Mercadante diz: 'O PT não perdeu na capital. Deixou de ganhar. O governo não era nosso. Vimos grande tendência à reeleição.' Data vênia, sr. Mercadante, por que não digerir a realidade da derrota de sua companheira, de seu partido? De nada serve a retórica das palavras que consolam, que não conseguem esconder a realidade. Por primeiro é preciso que se diga que nenhum governo é de qualquer partido ou de qualquer político: o governo é do povo e o governante é por ele democraticamente escolhido. Diante do decisivo pronunciamento da grande maioria da população paulistana, ocorreu uma derrota sim, o PT e seu sempre pretensioso expoente (já não mais, definitivamente) estão derrotados sim. E não apenas derrotados, mas também rejeitados. Não adianta querer fazer ver as coisas de uma outra forma, pois deixar de ganhar é perder, é ser derrotado. Aliás, é bom que se diga que o sr. Mercadante disso entende muito bem, visto que sabe o gosto amargo de uma derrota, da rejeição: por isso juntamente com D. Marta, ambos, não só por serem companheiros de sigla mas também por amargar as mesmas amarguras, devem trilhar o caminho do ostracismo. Afinal, para ambos vimos grande tendência à rejeição. Esse é o procedimento politicamente correto, não só por uma São Paulo melhor, mas também por um Brasil melhor."

Pedro Luís de Campos Vergueiro - 28/10/2008

"O Presidente do TSE se queixa do alto índice de abstenção do voto no Brasil. Diversos setores da sociedade também manifestaram grande estranheza e preocupação com os números dos faltantes, nessas eleições. Com razão e sem razão. Com razão, os setores da sociedade. Sem qualquer razão, o Presidente do TSE, pois grande parte da culpa - senão a maior - cabe exatamente ao Tribunal Superior Eleitoral, que age de modo absolutamente inconstitucional e contra a democracia, ao não adotar as providências para captar os votos dos eleitores que estão em trânsito. Importante lembrar que a nossa Constituição além de estabelecer que o sufrágio é universal (para todos), obriga o voto para os maiores de dezoito anos. As únicas exceções à regra da obrigatoriedade do voto estão plasmadas na própria Carta Magna, quando desobriga o analfabeto, desobriga os maiores de setenta anos e torna facultativo para os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.  Importante: se esse eleitorado quiser votar, votará, sem problema algum.  São todas normas constitucionais de eficácia plena e absoluta, fazendo parte dos mais relevantes princípios constitucionais e de cidadania. Em outras palavras, o TSE é obrigado, queira ou não queira, goste ou não goste, de tomar as providências para captar o voto dos eleitores que, no dia das eleições, estiverem fora de seu domicilio eleitoral. E que não se aleguem ladainhas e dificuldades técnicas ou operacionais para o uso da urna eletrônica, para esse tipo de voto, pois seria risível, nos dias de hoje. Mas é o que eles (TSE) vem fazendo. Além disso, a urna eletrônica não é - e nunca foi - o único meio de captar o voto. As cédulas eleitorais continuam valendo e existindo, para situações excepcionais. Pois o voto em trânsito é uma situação excepcional. Todavia o TSE prefere cruzar os braços, deitado em berço esplêndido, se acomodando ante tal situação. Enquanto continuar esse 'status quo', conviveremos com o absurdo de um eleitor brasileiro em Paris, Londres, Tóquio, Las Vegas poder votar para o seu candidato brasileiro à presidência da República (incrível!), mas um eleitor de Goiânia, que se encontrar em Anápolis, ser obrigado a justificar o voto. Aqueles são eleitores VIP, de primeira classe; esses, sequer são eleitores, pois no dia das eleições, são estrangeiros dentro de seu próprio País. Dessa forma, ratifico na íntegra o teor do publicado em Migalhas (1.627 – 3/4/07 – "Voto em trânsito" – clique aqui) pois de lá para cá, nada mudou. Ou seja, um contingente eleitoral de aproximadamente e escandalosamente 10% dos votos válidos (conforme estatística das ultimas eleições) continuará não votando, por se encontrarem 'em trânsito'."

Milton Cordova Júnior - 28/10/2008

"Eu acho que a derrota da Marta era esperada até por ela mesma. Afinal, como ela sempre diz, fez uma opção pela minoria. E foi a minoria que nela votou. O problema é que, para ganhar eleições, o importante é a maioria. Agora, está de volta à maioria, à maioria de desempregados, correndo para todos os lados, atrás de uma boquinha, que permita que fique em evidência para que não a esqueçam, com vistas às próximas eleições, seja para o que for. Preocupação desnecessária, diga-se de passagem. Ao menos aqui em São Paulo, jamais será esquecida. Paulistanos e paulistas esperam tê-la enterrado definitivamente, mas poderão fazê-lo em 2010, novamente, se for preciso. Analisando percentualmente, a votação do último domingo traduziu o sentimento antipetista e, principalmente 'antimartista' presentes em São Paulo. Em 2004, no segundo turno das eleições, o PT teve 45% dos votos e, agora, apenas 39%, o que demonstra o 'encolhimento' do partido, não obstante a 'forcinha' extra do presidente e de seus ministros."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 28/10/2008

"Prezado migalheiro Campos Vergueiro, fique frio. Isso não é nada quando se trata do Aloísio Mercadante. O cara consegue ser pior quando fala de Economia. O carinha é professor da matéria na UNICAMP. O ilustre migalheiro lembra, a da turminha do estelionatário Plano Cruzado. A única coisa que me espanta é que bigode o staliniano continua impávido."

Alexandre de Macedo Marques - 28/10/2008

"Passadas as eleições de Outubro/2008, agora é pensar nas próximas, as de 2010, e começar a campanha para a presidência. Dilma, a candidata do Planalto, já está em plena campanha, inclusive tentando influenciar os presidentes dos países vizinhos. Notem o ar, como dizer, melífluo, de Chàvez. Seu apoio estará garantido? Quizás, Quizás, Quizàs..."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 28/10/2008

"Mestre Wilson Silveira! Depois dessas fotos o ilustre migalheiro fica devendo-nos Ray Coniff e o 'Besame mucho' a música símbolo dos românticos beijos dos tempos do Fernando Collor. A lembrar o desatino literário do magnífico Fernando Sabino ao descrever o romântico encontro da Zéilia com o Bernardo Cabral numa suíte do Maksoud Plazza, em S. Paulo. A Zélia toca a campainha da suíte. O Bernardo Cabral abre a porta, fantasiado de latin lover de filme de 1940, robe de chambre de seda. Um boto amazônico fantasiado de Charles Boyer. Uma mesa com comidinhas; num balde de gelo, esfriando, uma champanhe. Com um 'olhar 43' balbucia uma desculpa por ter convidado a ministra a vir vê-lo com a antológica frase 'a solidão é uma merda...' O momento culminante todos conhecem, marcado pelo cheek to cheek em Brasília ao som do 'Besame mucho'. Os tempos de PT, que estamos vivendo, são tão desgraçados que a música tema é o 'Bonde do Tigrão' que virou mote do Boris Casoy: 'Tá tudo dominado...' 'É isso aí...'"

Alexandre de Macedo Marques - 29/10/2008

"Ainda sobre as beijocas e os partenaires. Pelo visto a D. Dilma Roussef deve andar matando cachorro a grito."

Alexandre de Macedo Marques - 30/10/2008

"Senhor redator, quero cumprimentá-lo pois Migalhas conseguiu o que, até então era missão impossível, ou seja, identificar eleitores de direita. Nunca soube de nenhum eleitor do Collor, do Pitta e quejandos. Agora, aqui mesmo, alegremente aparecem defensores e, suponho, eleitores do filiado dos Demos, Kassab. Isso é bom, pois assim como dizemos claramente que somos de esquerda, é salutar que existam pessoas de direita, ainda que associados ao antigo Pefelê, filho dileto da Arena ditatorial. Aproveito, para dizer a quem entusiasmado lembra os 60% dos votos do ex-secretário de Pitta que, votação não significa democracia necessariamente, pois Hitler foi eleito por maioria esmagadora, assim como outros ditadores quando estão no poder. Calma, democracia verdadeira exige aprendizado em conta gotas, que os amigos da antigo Pefelê não estão acostumados."

Armando Silva do Prado - 30/10/2008

"..., assim como Fidel Castro foi eleito e era reeleito com 100% dos votos para a Presidência (?) da 'democrática Cuba libre', que só agora veio a conhecer e saber o que é telefone celular! Ah, ia esquecendo! Aqui mesmo, nestas colunas, declarei meu voto para Kassab, porém, cometi o erro de fazê-lo em língua portuguesa, quando deveria tê-lo feito em espanhol..."

Romeu A. L. Prisco - 30/10/2008

"Análise eleitoral. Findo o período eleitoral que, no Brasil, acontece a cada dois anos, vale a pena calcular o que de bom e o que de ruim aconteceu.  Na verdade o país tem apenas um ano a cada dois para crescer, progredir, trabalhar de fato, colocar em prática os planos prometidos etc...  O ano 2009 será um ano assim. Livre de eleições. Já 2010 será, de novo, período eleitoral, tempo em que não vemos produtividade e progresso necessários. Tudo o que é feito ou projetado infelizmente tem fundo político eleitoral. São negociações (muitas vezes 'negociatas') entre poderosos dirigentes partidários. O presidente atual até que procurou facilitar, negociando os ministérios com 'porteira fechada', ou seja, o dirigente que promete apoiá-lo recebe a chave da repartição e, uma vez lá dentro, faz o que bem entende. Existe até um partido, sem dúvida o mais forte atualmente, que nem se preocupa em lançar candidato próprio para a Presidência da República. O  que conseguir de repartições fechadas já será lucro. Continuamos a insistir numa reforma política total, que, infelizmente nunca chega a não ser pontos aqui e ali para renovar esperanças, mas de positivo mesmo, nada. Se o governo parasse um pouco para meditar sobre os resultados do último pleito, certamente tomaria alguma atitude que agradaria ao país como um todo e não apenas, como acontece atualmente, setores marcados para retorno em número de votos. Tome-se, por exemplo, a cidade de São Paulo. O presidente, dono de um incomparável carisma, sempre acha que o povo votará em quem ele determinar. Não sabe, ou não lhe contaram, que carisma não se transfere. Tentou emplacar como prefeita aquela que, tendo sido derrotada em 2004, para não ficar de fora foi colocada no ministério de turismo. Lá ela deitou e rolou. Debochou dos que sofreram com o apagão aéreo (de culpa exclusiva do governo federal), voltou candidata, continuou o deboche, lançou ofensas a um grupo que tanto a apoiou na sua vida política. E deu no que deu.  O povo, apesar de 80% apoiando o presidente, mostrou que está aprendendo a votar, finalmente. A derrota de Marta na capital paulista mostra que a sociedade em geral está sabendo melhor como escolher os dirigentes. No momento atual, com a derrocada da economia no mundo, vamos esperar que os governantes e os agora eleitos ou reeleitos, examinem bem suas ações. Tudo pode acontecer, mas, se os cuidados forem tomados – deixando-se de lado interesses partidários – as conseqüências não serão tão danosas. Que o governo aprenda as lições dadas pela sociedade brasileira."

Plínio Zabeu - 30/10/2008

"Típica, realmente típica a manifestação do migalheiro Armando Silva do Prado. Ao ver que sua opinião é minoria, aliás absoluta, e contra todas as evidências, inclusive contra o resultado das urnas, ou seja, contra o que resolveu o sufrágio universal, a conquista maior da democracia, aquela democracia tão falada e cantada pelos petistas, que aquinhoam com solertes indenizações aqueles que diziam defendê-la, volta agora para a antiga divisão entre esquerda e direita, hoje ultrapassada, deixada de lado até pelos mais antigos, e insinua a existência de uma 'democracia verdadeira', que ainda não é bem essa, mas uma em que os resultados só sejam os que deseje, em que seus candidatos jamais percam, em que seu partido jamais tenha que amargar uma derrota tão estonteante quanto a que ocorreu em São Paulo. Essa 'democracia verdadeira', em que nunca se perde, em que as cartas são marcadas e os resultados sempre os esperados, caro migalheiro, bem ao gosto do que alguns chamam de esquerda, talvez seja, e a história que o colega parece bem se lembrar, a de Stalin, de Mao, de Fidel. Porque a preferência do colega por Hitler? Certamente ele não foi o único ditador a ser lembrado e, que me lembre, sem trocadilho, sua doutrina era socialista, o nacional socialismo. E, além do mais era austríaco, e sua doutrina dizia respeito ao povo alemão. Não tinha nada a ver com outros ditadores, esquecidos pelo colega, bem mais próximos de nós, aqui muito admirados, cujas doutrinas, de esquerda, como diz o colega, apesar de seguidos por muitos brasileiros hoje no poder, não foram melhores, aliás, historicamente péssimos também. A verdade, e voltando ao território brasileiro, mais propriamente a São Paulo, e à democracia, e às eleições, deve o colega se acostumar que o sistema é assim: às vezes se ganha e outras se perde. O povo vai lá e vota. E os resultados são o que são. É bom que o colega tenha compreendido que certas coisas exigem aprendizado em conta gotas. É verdade, mas tenho a certeza de que o colega, afinal, conseguirá aprender que não há uma 'verdadeira democracia', que cada um elege a seu próprio gosto.  O que há é 'A' democracia. Se todo mundo já aprendeu, não vai ser o colega que não vai entender o sistema, fácil, na verdade."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 30/10/2008

"Kassab é o novo darling da direita quatrocentona. É, se merecem!"

Armando Silva do Prado - 30/10/2008

"As próximas eleições vem aí, caro migalheiro Armando Silva do Prado. E, em razão delas, trago o artigo de Marco Antonio Villa, publicado em Usinadeletras.com.br, que autoriza sua publicação desde que indicada a fonte, que é o que faço. A dúvida que tenho quanto ao referido artigo, é se não deveria ter como título 'A Verdadeira Democracia', aquela cujo aprendizado deve ser feito em conta gotas, à qual o colega se referiu.

Ganhar a qualquer preço

Marco Antonio Villa (*)

O Governo federal tem uma idéia fixa: vencer a eleição presidencial de 2010. Todas as ações político-administrativas estarão voltadas para esse objetivo. E, se necessário, vencer a qualquer preço.

Mas os resultados surpreendentes (para o governo) das eleições municipais acenderam a luz vermelha. Desapareceu do espectro político a possibilidade de o próximo presidente da República ser escolhido por um só eleitor, e 125 milhões de cidadãos simplesmente referendarem o desejo imperial.

As análises que davam como certa uma onda vermelha fracassaram, assim como aquelas que imputavam ao presidente Lula uma espécie de varinha de condão para escolher os prefeitos. Sua popularidade era tal, diziam, que bastaria indicar o candidato a ser votado. Seu prestígio era tão grande, afirmavam, que o povo, obedientemente, seguiria a determinação do condutor. Se Lula e seus apoiadores acreditavam nessa falácia, não cabe crítica.

O estranho foi a oposição ter imaginado que esse delírio era real. Como esperado, nos pequenos municípios, o índice de reeleição dos prefeitos foi o maior da história. O uso político do programa Bolsa Família - o cadastramento é controlado pelos prefeitos - fez com que a reeleição se transformasse em favas contadas: quando não foi o próprio prefeito, o candidato vencedor foi alguém do seu grupo político. Assim, o Bolsa Família se transformou em um instrumento de petrificação política, de permanência das oligarquias, impedindo a alternância no poder municipal.

Pior: o governo Lula, que já conta com 11 milhões de famílias beneficiárias, ameaça incluir mais 4 milhões que já estão cadastradas no programa. Em outras palavras, o programa Bolsa Família será um dos instrumentos usados em 2010 para ganhar de qualquer jeito as eleições. O final do ano será marcado por um cenário político confuso.

Surpreendido pelo resultado das eleições municipais, ao governo interessa colocar vários obstáculos no caminho até chegar a 2010. Vai lançar diversos balões de ensaio: transformar o Congresso em Assembléia Constituinte, voltar a insinuar o desejo de apresentar a proposta do terceiro mandato, falar em extinção da reeleição, defender um mandato presidencial de cinco anos - mas, no fundo, sabe que nada disso poderá ser aprovado.

A maioria congressual que o governo Lula teve nos seis anos de mandato vai diminuir paulatinamente. E minguará na relação inversa do tamanho da crise econômica internacional. O governo continuará tentando dividir a oposição, buscando aqueles mais propensos à composição política em troca de algumas migalhas. Deverá explorar vaidades e esperanças frustradas. Não faltarão adesistas. Estes, claro, vão se justificar argumentando que estão defendendo os interesses dos seus Estados. Vimos na campanha municipal que poucos candidatos tiveram a altivez de não se prostrarem frente ao presidente, como se o gestor municipal (ou estadual) tivesse de ter uma relação de subserviência em relação ao governo da União.

Até o momento, a oposição não esteve à altura das necessidades do país: teve receio de se contrapor, de remar contra a corrente, de enfrentar o governo no terreno da política; como se o índice de popularidade de Lula - que não será eterno - fosse um escudo que impedisse a construção de um outro projeto de país. Mas os eleitores dos principais colégios eleitorais deram um recado: querem ter uma alternativa, não aceitam o voto de cabresto, não votarão em um poste na eleição de 2010, mesmo que indicado e apoiado ostensivamente por Lula.

O bloco anti-histórico que está no poder - o sindicalismo amarelo associado ao atraso oligárquico e aos interesses do grande capital financeiro - não cederá o governo facilmente. Vai lutar com todas as armas. Teremos a eleição mais violenta da nossa história, com o uso da máquina administrativa e dos programas assistencialistas, com acusações e ameaças, dossiês à vontade, para todos os gostos, e, provavelmente, em um cenário econômico desfavorável.

Tivemos uma pequena mostra agora. Se o presidente foi tão agressivo na eleição de Natal, imagine quando estiver em jogo o Palácio do Planalto: o figurino "Lulinha paz e amor" será jogado no lixo.

O exército de aloprados prepara-se para o combate. Eles sabem que não podem perder o acesso privilegiado ao poder. Não mais sobrevivem distante dele. E farão de tudo para continuar mais quatro anos (oito seria melhor) usando e abusando das benesses produzidas em Brasília.

(*) Marco Antonio Villa, 52, historiador, é professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). É autor, entre outros livros, de 'Jango, um Perfil'."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 30/10/2008

"Agora, fica todo mundo discutindo o motivo da derrota acachapante de Marta, falando de esquerda e direita, de 'verdadeira democracia' lamentando fatos históricos, pondo a culpa em pessoas, sem saber, afinal, de quem foi a responsabilidade. De 2004 para cá, o número de eleitores da Capital aumentou 172.000, mas a candidata Marta Suplicy teve menos 287.000 votos que no segundo turno de 2004. Então, o que aconteceu? Ela não deveria concorrer com Alckmin...e ganhar? O que houve com a campanha de Alckmin? A foto abaixo mostra o motivo pelo qual a campanha de Alckmin não poderia mesmo dar certo e, não dando certo, a estratégia de, deixando Alckmin de lado, favorecer Kassab e derrotar Marta de vez, afinal, de onde veio? Veja bem a foto e quem 'dirige' a campanha de Alckmin e conclua: de quem é a responsabilidade por tirar Marta, de vez, da política?"

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 30/10/2008

"Referente a matéria sobre a abstenção eleitoral, indago porque o TSE não divulga mais os números de votos nulos e em branco? Gostaria de saber estes números vez que na última eleição para Prefeito diversos amigos e conhecidos simplesmente anularam o voto."

Silvia Saboya Lopes - 30/10/2008

"Lendo o Blog do Roberto Jefferson, dá para ver que o PT não está enganando mais ninguém, hoje em dia, muito menos os velhos aliados, que bem conhecem a maneira de agir dos antigos companheiros:

'Velho discurso ensaiado

Frase do chefe de Gabinete de Lula, o petista Gilberto Carvalho: 'O cidadão em todo Brasil não vota por ideologia, vota pelas motivações de seu dia a dia. Mas no caso paulistano houve uma união de forças políticas em torno do prefeito. A direita tem um enraizamento muito forte na cidade'. Frase do deputado petista Rui Falcão, coordenador da campanha de Marta Suplicy: 'O que houve foi uma união de forças políticas para nos derrotar na cidade mais importante do país tentando provocar reflexos nacionais. Houve uma grande aliança para derrotar o PT. E houve um movimento de mídia, que foi favorável a Kassab'. A despeito do discurso ensaiado, a cada eleição é sempre a mesma conversa. Quando o PT ganha, exalta-se a vitória como um espetáculo da democracia, o predomínio da vontade popular etc. Quando perdem, a culpa é da união das forças do atraso, a mobilização perniciosa da mídia contra os petistas, o conservadorismo das elites influenciando o eleitor, etc. Esse é o PT velho de guerra: ele é o bem, a verdade, a vida. Os outros são das forças do mal, do atraso, são os 'demos'.  Eita cartilha surrada!

Postado por Roberto Jefferson às 13:16'"

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 31/10/2008

"Em 2006, quando Lula venceu Alckmim e se reelegeu presidente, o migalheiro Armando Silva do Prado tinha um excelente conselho para os que, como ele hoje, se dedicavam a explicações acusativas acerca da vitória de seu candidato de então:

"Primeiro diziam que o PT estava desbaratado. Diziam que Lula estava nas cordas, depois na lona e, finalmente, no chão. Diziam que até um poste seria eleito contra Lula. Preferiram um 'chuchu'. Aí vieram os 'cientistas' de aluguel: faltava um Lacerda, vitória no 1º turno não é democrática, Lula usa a máquina, etc. Finalmente, vem a síntese: eleito, será ditador, será um Chávez, proclamará a república dos sovietes da América, será a reencarnação de Napoleão, etc. Até onde vai o desespero? Derrota se curte na cama que é quente!"

Armando Silva do Prado

'Mutatis Mutandis', agora que sua candidata perdeu e é ele que se vê naquela desagradável situação de perdedor, necessitado de auto-explicações que possam sossegar suas aflições, sugiro atentar para o mesmo remédio: 'Derrota se curte na cama que é quente'."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 31/10/2008

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