Crise financeira

7/11/2008
José Renato M. de Almeida - Salvador/BA

"Salta à vista, a presteza com que os governos acodem as montadoras, bancos, financeiras ante qualquer ameaça a seus negócios, enquanto pouco ou nada faz para socorrer aos cidadãos comuns. Há cerca de três anos, milhões de aposentados e pensionistas dos Estados Unidos foram tungados de suas economias, com falências fraudulentas dos, até então, todo-poderosos Fundos de Pensão daquele país... E nenhuma atitude foi tomada pelos governantes para amenizar as perdas, quase totais, de seus desvalidos participantes. Bem diferente da agilidade em socorrer, agora, com 850 bilhões de dólares os maiores bancos e financeiras, tais como os gigantes Merrill Lynch e Lehman Brothers. Cá entre nós também. As montadores vêm batendo recordes mensais de produção e vendas há mais de seis meses, mas bastou apresentar redução em um mês (outubro) para que sejam socorridas com 4 bilhões de reais... Enquanto isso, a distribuição de renda promovida através da Bolsa Família é criticada sistematicamente pelos mesmos que se beneficiam das facilidades concedidas pelo governo. Do mesmo modo, ficaram a ver navios os pequenos poupadores das cadernetas de poupança, furtados pelos bancos privados e estatais, em cerca de 1,9 trilhão de reais - é isso mesmo, trilhão - nos planos-econômicos Bresser, Collor e Verão. Com as desculpas mais descaradas os bancos se negaram a devolver aos pequenos aplicadores esse montante de rendimentos devidos. Os grandes já recorreram à Justiça e obtiveram ganho de causa com toda tranqüilidade. O que será que ainda impede de se usar os mesmos procedimentos, tanto nos casos de atendimento aos grandes e endinheirados (banqueiros e montadoras) como nos dos pequenos e pobres (aposentados, pensionistas e poupadores)? Alguém sabe?"

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