terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Os Justiceiros

de 3/10/2004 a 9/10/2004

"Acredito que o CRP tomará os cuidados necessários para preservar a relação psicólogo-paciente. Não creio que a resolução seja assim tão simples quanto parece, o vínculo que se estabelece é de fundamental importância para o tratamento do ser humano que está a nossa frente e sem esta relação vincular não há trabalho algum a desenvolver. Acredito na idoneidade do órgão que nos representa e sinceramente espero que esta questão seja resolvida com a máxima clareza e cuidados que ela exige."

Ana Maria D´Alessandro de Camargo - 4/10/2004

"Confesso que me causou espanto a posição do Prof. Miguel Reale Júnior, pois a questão envolvendo a violência e maus tratos, principalmente de crianças, não deve ser tratada da maneira singela como pareceu ter sido posta. Pois, se de um lado temos o vínculo do profissional - no caso psicólogo - com seu cliente, pautado na lealdade, sigilo, enfim ética profissional; de outro temos que tais profissionais muitas vezes estão diante de casos extremamente patológicos onde o risco de vida de pessoas sob a guarda do paciente, se mostra evidente. De mais, o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente já determina ser matéria de política pública os temas da violência doméstica, tanto que uma criança violentada física ou sexualmente ao ser atendida por um hospital passa necessariamente pela averiguação da possibilidade de estar sendo maltratada por seus pais e os conseqüentes encaminhamentos para vir a tutela contra tais atitudes. Concordo que a questão aventada, distancia-se um pouco da constatação da violência, pois envolve a relação profissional e cliente, mas não podemos ser tão formais e abstratos a ponto de termos casos extremamente patológicos que efetivamente coloquem em risco a integridade de outrem, sendo acobertados, pois ao contrário do que o professor falou não se trata de destruir de vez a família, pois num ambiente de violência não existe família, mas talvez que possibilitar que os envolvidos que estão a sofrer tenham seus direitos fundamentais como pessoas, entre tais a integridade física e psíquica preservada, pois esse é o fim da família: proporcionar ambiente sadio para o desenvolvimento da personalidade dos seus membros. Por outro lado, temos que pensar no próprio profissional que está a ter conhecimento de situações gravíssimas e aflitivas e se vê impedido de tomar alguma atitude a fim de preservar a vítimas, por conta de violação ética. Acredito que o Conselho está a ver a questão com olhos mais profundos, e não em simplesmente transformar psicológicos em justiceiros."

Viviane Girardi - escritório Cahali Advogados - 4/10/2004

"Psicólogo justiceiro Psicólogo não é padre. Já chega o obscurantismo da Igreja, que, desde Galileu, queimava na fogueira quem dizia a verdade. Se o cliente desabafa algum fato criminoso, tal como pedofilia, ou outro qualquer, cabe ao psicólogo relatar à autoridade competente o crime, para que o criminoso seja enquadrado e devidamente punido."

Conrado de Paulo - advogado - 4/10/2004

"Estou com o Sr. neste caso. Já se pensou, se a moda pegar e o advogado (ou o juiz, até mesmo de outras profissões) também considerado confessionário, colocar seu colete e ir por aí fazendo denúncias por tomar para si as suas conveniências?"

Célia Lemos Leite Ortiz da Silva - 4/10/2004

"Imagino que o Prof. Miguel Reale Júnior (Migalhas de pesoOs Justiceirosclique aqui) quis apenas chamar a atenção para os excessos que poderiam ocorrer, caso houvesse obrigatoriedade da denúncia. Como ele mesmo diz no início da matéria que o CFP pretende apenas "autorizar" (i.e.: permitir, e não impor) aos psicólogos eventual denúncia, e ainda assim especificamente em casos de violência contra crianças, não se há de esperar aconteça o quanto imaginado pelo ilustre professor. Afinal estamos falando de profissionais treinados para tentar curar a psique humana, e não de tresloucados que poriam em risco a própria profissão."

Marília Silvia A. M. Pinheiro - 4/10/2004

"Vergonhosa a postura do Conselho Federal de Psicologia e perfeitos os comentários do ilustre Professor sobre o assunto. Os profissionais da área não levaram em conta que a atitude individual da vítima de buscar denunciar as violências sofridas faz parte de seu próprio processo de cura, não devendo haver tal nível de dirigismo pelo terapeuta, que tem, pela lei processual penal, direito de não testemunhar sobre os fatos de que tiver conhecimento no exercício da profissão."

Ana Lucia Caurel - 4/10/2004

"Realmente não se pode sair do consultório e expor as declarações do paciente seja vitima ou autor de qualquer crime, mas como o psicólogo tem o dever de esclarecer ao seu paciente o significado de suas atitudes e suas conseqüências, mas é obvio que algo deve ser feito para evitar qualquer tipo de lesão à integridade humana, na realidade é um assunto a ser discutido entre juristas e psicólogos"

Maria Luiza Rolim - escritório Rolim Advogados Associados - 4/10/2004

"Quanto aos psicólogos denunciarem, advogado, juiz e "até mesmo outras profissões" serem consideradas confessionários fica por conta da leitora Sra. Clélia Lemos Leite Ortiz da Silva. O importante é que crimes sejam denunciados, para que os criminosos sejam punidos, e para que se evitem mortes. Para católicos talvez seja importante que o padre mantenha a confissão sob sigilo, mas mesmo assim, se se pensar no direito à vida e na necessária condenação do criminoso, nem esse sigilo eclesiástico deveria existir."

Conrado de Paulo - 8/10/2004

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