terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Esquerda e direita

de 9/11/2008 a 15/11/2008

"Afinal, o que é esquerda e o que é direita, salvo mãos e contra-mãos de trânsito? Mais ainda: o que é ser da esquerda e o que é ser da direita? No tempo da 'guerra fria', ser da esquerda era ser simpatizante do bloco da extinta URSS e ser da direita era ser simpatizante do bloco dos EUA? E agora, que o bloco soviético não mais existe e que só restou a Rússia com idéias e hábitos, como o capitalismo, que antes eram exclusividade da direita? Não se pode nem mesmo dizer que a 'moderna' China, fartamente exibida nos últimos jogos olímpicos, também com idéias e hábitos capitalistas, tenha substituído a extinta URSS. Outrossim, o que leva alguns esquerdistas a entenderem que certos hábitos e idéias são 'privativos' da esquerda e, assim, sequer devem ser pensados ou defendidos pelos rivais? Dois exemplos bem recentes, que demonstram uma ignorância descomunal, podem ser trazidos à baila. Esquerdistas, dizendo-se orgulhosos desta condição, vibraram com a vitória de dois negros, tidos como de origem humilde, em certames de realce mundial, como foram os casos de Lewis Hamilton, na Fórmula 1, e de Barak Obama, no pleito presidencial do EUA. Tais esquerdistas pretendem estabelecer uma relação entre a 'sua' esquerda, negros e origem humilde, como se, em algum lugar, estivesse escrito que supostos direitistas não podem vibrar com aquelas vitórias e se, pasmem, foram eles, direitistas, que as propiciaram! Aliás, já houve quem dissesse que as grandes obras da esquerda sempre foram realizadas pela direita. O que se nota, é que o espaço da chamada esquerda está cada vez mais reduzido, razão pela qual os esquerdistas remanescentes estão literalmente apelando, no mais amplo sentido figurado deste verbo. Nota-se, ainda, que, dentro desse reduzido espaço, pelo menos para a esquerda brasileira, só restou o regime implantado pelo agonizante Fidel Castro em Cuba, onde vige o princípio da 'absoluta igualdade na distribuição da pobreza'. Mas, isto, é o que menos querem, para si, os esquerdistas brasileiros, como bons apreciadores do genuíno 'scotch', do relógio 'Rolex' e de carros do ano, estes já não mais da cor vermelha."

Romeu A. L. Prisco - 10/11/2008

"Na realidade os 'esquerdistas' são figuraças em busca de um autor. Orfãos do muro e da fracassada utopia que sempre se transformou em cruéis regimes políticos, opressivos e sanguinários, rondam pelo mundo das idéias como 'quimeras'. 'Encostam' em qualquer um, ou em qualquer coisa, que lhes permita julgarem-se diferentes, se possível que possa dar-lhes a ilusão que há fumaças intelectualóides no equívoco do seu fanatismo ideológico. E quanto mais provincianos e de poucas luzes mais renitentes. Cultivam a ilusão que têm o monopólio das boas intenções. Só eles se apiedam do mal estar que acompanha uma parte da Humanidade desde o alvorecer da História. O futuro é visto pelo espelho retrovisor. Continuam fiéis aos pressupostos de Marx apesar da realidade da Revolução Industrial estar distante quase dois séculos. Que nome se dará a tal distorção da realidade? Aí, alcançam o poder e transformam-se numa violenta quadrilha que vai aos piores extremos para mantê-lo. E a culpa dos males que provocam sempre é dos outros. Vão de Fidel Castro a Chavez, de Evo a Barack Obama.Passam ao largo de Pol Poth e de outros abutres sanguinários, não por distância ideológica e de métodos, mas por ignorância ou má fé. Na eleição de Obama o 'orgulho esquerdista' é tão incompreensível quanto o 'orgulho gay'. Ver qualquer afinidade entre o pensamento liberal americano -e do Partido Democrata do Obama - e a esquerda cucaracha é um exercício delirante. Querem por que querem enquadrar a sociedade americana na patologia marxista. Ignoram que a explicação do Ethos e do Phatos norte-americano está na Ética Protestante e não na triste realidade social do trabalhador na Inglaterra de dois séculos atrás. No exercício do 'seu orgulho', algo paranóico,tornam-se histericamente agressivos, e sem compostura, à medida que lhes escasseia a capacidade de argumentar, sempre limitada a frases feitas, slogans ou conteúdo de gibis ideológicos. É mal incurável,não tem jeito."

Alexandre de Macedo Marques - 10/11/2008

"Ai de quem precisasse saber ideologicamente o que é direita e esquerda e viesse se socorrer do Migalhas. Coitado, só encontraria as bobagens de sempre de migalheiros de priscas eras. Nesse ponto tenho que tirar o chapéu pro Olavo de Carvalho porque ele ainda ensina tudo direitinho e alerta sempre pro perigo dos 'esquerdistas', aí incluído o Bill Clinton. Se o Muro de Berlim caiu, a recente crise financeira derrubou a 'Rua do Muro'. Quando testemunhamos pela TV os contribuintes americanos fazendo protestos em frente à Bolsa de NY e exigindo a punição dos picaretas, sabemos que a América jamais será a mesma! Só na crise aprenderam que o bônus de alguns é o ônus de milhares. É como diz o espiritismo: muitos só aprendem na dor. Marx foi desenterrado mais uma vez, mas queria descansar em paz! Então, se a velha esquerda não morreu, favor lerem a 'Carta de Marx a Annenkov' escrita em Bruxelas em 28.12.1846. Pelo menos evita que se confunda ideologia com folclore!"

Abílio Neto - 11/11/2008

"Esquerda e direita e lá vem o Zé Vasconcelos chicaneiro palpitando sobre tudo e nada dizendo. Sugiro ao palpitoso, que estude a Revolução Francesa, principalmente Albert Soubol. Calma não é comunista, apenas um dos maiores historiadores sobre a grande Revolução. Depois será aceitável seus pitacos."

Armando Silva do Prado - 11/11/2008

"É, caro Alexandre de Macedo Marques, é mal incurável, não tem jeito. Nelson Rodrigues dizia que 'não há ninguém mais bobo que um esquerdista sincero. Ele não sabe de nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer' e, arrematava, 'No Brasil, só se é intelectual, artista, cineasta, arquiteto, ciclista ou mata-mosquito com a aquiescência, com o aval das esquerdas', ou seja, daquela meia dúzia de imbecis, ou daqueles que os ouvem."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 12/11/2008

"Realmente, citar de afogadilho o reacionário Nelson Rodrigues mostra o quanto se a(pro)fundou nas ciências políticas. Como dizia Guimarães Rosa (bem melhor que o dramaturgo fã de Médici, hem?), quem fala demais dá bom dia a cavalo."

Armando Silva do Prado - 12/11/2008

"Não, migalheiro da direita predadora, não é Gertrude Stein quem diz tais asneiras, mas o grande pensador (sic) assalariado dos Civitas, o tio Reinaldo Azevedo."

Armando Silva do Prado - 12/11/2008

"Caro dr. Wilson, obrigado. Está preparado para enfrentar a dupla de mastins, orgulhosamente esquerdistas? Para mim o remédio é a gozação.Funciona melhor que a estaca no coração de vampiro. Como legítimos espécimes da exótica fauna apresentam absoluta carência de senso de humor. E sesquipedais maus e biliosos bofes. Este sesquipedal é uma homenagem a um deles que, bobamente, achava que me ofendia chamando-me de Ibrahim Sued. Veja só a safra do cara. Tive que pesquisar para entender o que o sujeito queria dizer. É um tolinho, o figuraça. A fase lírica e romântica do insigne migalheiro está privando-nos do duro e áspero lidador. Então?"

Alexandre de Macedo Marques - 12/11/2008

"Quando a recente crise financeira derrubou a 'Rua do Muro' e testemunhamos pela TV os contribuintes americanos fazendo protestos em frente à Bolsa de NY e exigindo a punição dos picaretas culpados, de imediato, os blogs de direita passaram a dizer a seus crentes leitores que a crise foi criada pela esquerda. Bill Clinton foi apontado como responsável e perigoso esquerdista. Qual o medo desse pessoal? Que a exemplo da velha Europa, a América do Norte também perca a fé no tal liberalismo econômico! Só isso já é suficiente pra se provar que as ideologias não morreram. Os direitistas finalmente aprenderam na dor que o bônus de alguns é o ônus de milhares. Que não se podem deixar jovens executivos financeiros à solta arriscando a poupança sacrificada de milhões de pessoas! É ainda neste clima de apreensão mundial com o liberalismo desenfreado que o velho Marx foi desenterrado mais uma vez. Eu aconselho a leitura de Miséria da Filosofia a fim de não se confundir ideologia com folclore."

Abílio Neto - 13/11/2008

"Em um dos seus habituais flatos de mau humor e péssima educação, provocados por má digestão das letras da 'Carta Capital', um nervosinho petralha deu mais um chutão para o mato ao recomendar (certamente em segunda mão) a leitura de um historiador francês, Alberto Soboul (não Soubol como lambançadamente escreveu). Dava como garantia o fato de ele não ser comunista. Era um bom começo... se fosse verdade! Mas, uma vez mais, tudo era falso, como de costume. O 'home' foi comunista, de carteirinha, de 1939 até á sua morte, em 1982, fiel membro do Partido Comunista Francês. A sua fixação em ver a História como um processo de luta de classes (dá-lhe Marx, dá-lhe Marx...) levou-o a defender tal característica na Revolução Francesa desprezando todo o processo filosófico, cultural e histórico que antecedeu o 1789. O seu historicismo, alicerçado, doentiamente, na dialética marxista foi severamente criticado, morrendo sem qualquer prestígio e desautorizado. Teve sorte ter partido antes de 1989, quando se comemoraram os duzentos anos da histórica mitologia. Não assistiu à demolição das lendas com que o marxismo tentou cooptar a Revolução Francesa como um 'modelito' revolucionário. Os historiadores ingleses foram implacáveis, não deixando pedra sobre pedra sobre a manipulação da mitologia revolucionária. Toda a maquiagem com que se quis esconder o terror, aperseguição religiosa, a cruel e sangrenta ditadura de uma minoria de psicopatas, o vandalismo artístico, tudo foi denunciado, rasgando-se o 'manto diáfano da fantasia' e resguardando o 'liberté, egalité, fraternité' histórico. Aliás, para quem Stalin e seus assassinos de dezenas de milhões de vitimas são paladinos da paz e da justiça, a loucura homicida e liberticida de 1789-1793 é café pequeno. Depois do meu 'pitaco', aproveito para recomendar ao confuso, irado e orgulhoso manipulador do lixo esquerdista, um livro sobre a Revolução Francesa: 'O livro negro da Revolução Francesa' lançado em fevereiro de 2008 e grande sucesso editorial. Aproveita!"

Alexandre de Macedo Marques - 14/11/2008

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