sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Poltergalhas

de 30/11/2008 a 6/12/2008

"Nenhuma das traduções que conheço sobre a Lenda Ali Babá e os 40 Ladrões, nosso herói devolve ao Poder Público o que conseguiu surrupiar dos bandidos. Inclusive, Ali Babá é qualificado como mercador, pastor, estafeta etc. Há controvérsia até mesmo sobre sua profissão. Em síntese, o que se pode concluir pela maioria das traduções é que, Ali não roubou. Tomou dos ladrões e depois se defendeu. E continuou a saquear sistematicamente a poupança daqueles abnegados cultores do assalto para manter o nível de vida que passara a considerar seu de direito. Não plantou, não construiu, não fez filantropia. Só usufruiu. A bem da verdade, os outros eram bandidos. Mas neste caso que os entregasse às autoridades. Já no Brasil da era moderna o Ali Babá teria sido cooptado pelos ladrões, que reconheceriam a utilidade de uma figura carismática e fútil e teria sido transformado em representante oficial da quadrilha, que manteria a polícia à distância, aumentando a sua capacidade de saque. Portanto, equivocada a consideração do ilustre migalheiro que vê no Ali o símbolo maior do cidadão íntegro. Sabe-se de fonte segura que autores diferentes como Voltaire, Proust, Machado de Assis, Allan Poe, Jean Porocki, Jorge Luiz Borges, Charles Nodier, fizeram de ‘Mil e Uma Noites’ uma espécie de leitura obrigatória. Também eu, embora humilde e superficialmente, conheço algumas das estórias contadas pela princesa Saharazad, ao rei Sahraiar. Com o devido acatamento do ilustre e culto migalheiro, ouso discordar de sua tese. Ali Babá, ao contrário do que alega é o símbolo maior da desonestidade. Não merece desagravo. Se este texto chegar ao conhecimento do ilustre e culto migalheiro, dr. Luiz Tomaz do Nascimento Filho, espero que seja recebido democraticamente, ou seja, dentro das perspectivas que as idéias, ainda que contrárias, convivam harmonicamente."

Nicodemos Rocha - 1/12/2008

"Mon chère Directeur, conheço bem Ali Babá. O livro e ele, pessoalmente. Poucos sabem, talvez por desinformação, que, de fato, houve um Babá encarnado, único, a inspirar a alegoria. Se um foi Babá, múltiplos sempre foram os ladrões, nas histórias, contos, poemas e, notadamente, na vida política brasileira. Babá veio cá pra cima - e cá está. Um espírito de luz, pelos seus grandes feitos! Três de meus cinco netinhos, já então com discernimento, foram inoculados com a belas mensagens e moral do livro que - também para mim - sempre trouxe gostosas memórias e reminiscências infantis. Kahyan (o Omar mesmo, amigão do Ali) estava passando por aqui e comentei com ele a crítica que recebi em Migalhas dos leitores (- "Poltergalhas" - clique aqui). O ilustre matemático persa ouviu, refletiu, fez uns rabiscos num bloquinho e me advertiu: 'não! não! Odete. Faça as contas! Faça as contas! A crítica não vinga. Há que prevalecer sobre ela a álgebra! Não se tratou de buscar macular o bom nome do Babá, até porque, incluindo Babá, a conta dos ladrões não fecha! Logo você, que irradia tanta energia boa? Imagine fazer de Babá o 41º ladrão? A questão que se põe é de erro de interpretação ou, quando menos, de confusão matemática mesmo. O Senador Arthur Virgílio e Você, em seus comentários, parecem ter deixado claro, em números, que 40 são e sempre serão os ladrões; 39 são os ladrões chefiados e, por certo, 1 dos 40 ladrões, cumulativamente, ocupa o posto de ladrão-em-chefe. Assim, quando Virgílio (não o da Eneida) afirmou que Lula seria o chefe dos 40 ladrões, parece básico que deixou de fora o querido Ali, não?' Obrigado, Omar."

Odete Roitman - 1/12/2008

"Senhor diretor, assiste plena razão ao migalheiro Luiz Tomaz Do Nascimento Filho (Migalhas dos leitores - "Poltergalhas" - clique aqui). De vero, Ali Babá nunca foi ladrão. Infelizmente há um mito acerca da fábula e, não raro, é atribuída a Ali Babá a liderança dos 40 ladrões.  Concordo em desagravar o Ali Babá."

Oswaldo Loureiro - advogado - 1/12/2008

"Sr. redator, ainda relativamente à fábula 'Ali Babá e os 40 ladrões', quero assegurar ao nobre migalheiro, dr. Nidemos Rocha que recebo suas bem-vindas observações e comentários, com o mais aberto espírito democrático, como há de, minimamente, se comportar quem quer que se árvore a externar opinião ou informação em veículo acessível a tantas inteligências como se percebe no ambiente por via do qual trocamos idéias, o nosso querido Migalhas. Contudo, dileto interlocutor, desejo fazer algumas pequenas considerações finais, de minha parte, sem pretender ser o dono da verdade. Primeiramente, devo lembrar o amigo de que, na verdade, trata-se de fábula, e não lenda, a história de Ali Babá. Como na própria definição do termo, consoante o Dicionário Aulete, fábula é 'História curta de onde se tira uma lição moral'. Que lição seria essa? Na história que se analisa, sob a ótica do destino que tiveram os 40 ladrões, que foram mortos ou presos, poderíamos dizer, por exemplo, que 'o crime não compensa', ou pelo lado contrário, do ponto de vista que defendo, louvado na história que li, qual seja, o de que Ali Babá é íntegro, probo, honesto, podemos dizer que, 'Seja honesto, pois que, no final, sempre prevalece a Justiça'. Entretanto, se tivermos como verdadeiras as afirmativas do caro amigo, acerca da personalidade de Ali Babá, em especial a de que, além de surrupiar dos bandidos, nosso herói, no final, não devolveu o tesouro aos cofres públicos, é de se perguntar: que lição moral pretendeu o Autor repassar aos leitores de tal história? Seria, por exemplo, a de que ‘ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão?’, ou no mínimo, '1.001 noites de perdão?' Ou, mais ainda: 'Seja como Ali Babá, o essssperto, e goste de levar vantagem em tudo, certo?' Teria o Autor dessa fábula desejado deixar uma dessas lições morais como legado para as gerações vindouras do mundo inteiro? Parece-me, amigo, que não lemos a mesma história, ou, pelo menos, a mesma versão. Com todo o respeito que me merece, as inúmeras versões que o Sr. afirma ter lido estão muito brasileiras para o gosto da honestidade mundial. Aprofundada sua pesquisa, atrevo-me a prever que encontrará algum 'criativo' conterrâneo não somente a se auto-denominar legítimo autor da história, como até a cobrar pela leitura de sua 'inédita' obra... Abre-te Sésamo e fecha-te boca."

Luiz Tomaz do Nascimento Filho - 1/12/2008

"Não creio que a chic Madame Roitman, com toda a sua noblesse e vivência parisiense tratasse o feroz diretor migalheiro de 'chère'. Acho que é coisa de cambono petista que psicografou mal a mensagem. Possivelmente depois de uns birinaites com o chefe. Outra hipótese viável é um persistente estado confusional pós dois parágrafos de Marx mal traduzido. Todos sabemos que o dileto diretor é um símbolo sem jaça dos héteros migalheiros."

Alexandre de Macedo Marques - 1/12/2008

"Madame Roitman, pelo jeito, não gostou da gozada que dei pelo seu mediúnico deslize ao chamar o fero diretor migalheiro de 'chère' ('querida' por 'cher' querido). Querendo salvá-la da possível justa ira chibateira do 'nosso líder' aventei a hipótese de um cambono ter trocado as bolas inluênciado pela Pitú de ritual petista. Enfim, a migalha sumiu, amantíssimo 'Cher Directeur'. Certamente por artes etéreas da ferina dama. Pas grave, como diria Madame Roitman ao seu fiel mordomo."

Alexandre de Macedo Marques - 2/12/2008

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