terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

SC

de 30/11/2008 a 6/12/2008

"Jornalismo preparado. Li no UOL (Cotidiano) de 28/11 uma matéria que começava assim:

'Promotores criminais de todo o Brasil pretendem apresentar em breve ao Congresso Nacional uma proposta de projeto de lei para proibir a prática de crimes durante eventos de calamidade pública no país.'

Interessante, mas então por que não aproveitar e proibir a prática de crimes em períodos de normalidade também? Seria a solução dos nossos problemas. Poderiam proibir também os jornalistas de escrever sem um mínimo de noção jurídica. Se bem que 'proibir a prática de crimes' é algo que transcende o conhecimento jurídico..."

Nelson Zunino Neto - escritório Zunino Advogados Associados - 1/12/2008

"Enquanto todos assistem, estarrecidos, à tragédia de Santa Catarina, cada um ajudando como pode, assisto pela televisão a incrível prova de carinho de Rubinho Barichello para com aquela parte do povo brasileiro. Depois de amealhar milhões de dólares sem justificá-los com conseqüentes vitórias, ofereceu, para 'ajudar' os desabrigados de Santa Catarina... um macacão usado. Sim, um macacão seu, um desses que já o acompanhou em suas incontáveis derrotas. Que bom, não? Tomara que sirva para, ao menos, agasalhar alguém."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 1/12/2008

"Aos textos dos ilustres migalheiros Nelson Zunino Neto e Wilson Silveira, em matéria de 'pisada na bola' sobre a catástrofe de Santa Catarina, acrescente-se, surpreendentemente, a pergunta do jornalista e apresentador do Jornal da Band, Ricardo Boechat, feita a um repórter da emissora, que se encontrava no local da tragédia, através da qual queria saber 'se as autoridades catarinenses tinham alguma explicação para aqueles terríveis acontecimentos'!"

Romeu A. L. Prisco - 1/12/2008

"Sr. diretor, leio no Estadão: 'Desmatamento avança 12 mil Km2 na Amazônia'. Para mim, se realmente está provado que as catástrofes que vemos como a de Santa Catarina, devem-se ao desmatamento, deve a comunidade internacional tomar providência contra o Brasil, porque nossas autoridades obviamente não estão preparadas para enfrentar esse problema. Ou tomam, ou adeus Amazônia. Quero saber que espécie de patriotismo é esse que protege canalhas devastadores em nome de um direito contestável de limites, que defendemos. Ao Brasil já cabia, há muito, aplicar penas rigorosas, até de morte, contra esses párias. A quem beneficiam com a devastação senão aos próprios bolsos, pouco se importando com as conseqüências, com o caos mundial. Área desmatada, em um ano, 8 vezes maior que o da Cidade de São Paulo: é possível? E aplicam multas que nem são pagas. Esses governos de direita e de esquerda, foram e são piadas de mau gosto, no Brasil."

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 1/12/2008

"Vou acrescentar a do repórter da Record, que visitando o levantamento das barracas que vão ser o hospital de campanha do exército que está sendo montado lá no meio da tragédia, entra no que será a cozinha e anuncia: 'Aqui será a parte principal do hospital...' Isso sem contar as inúmeras vezes em que pedem para os entrevistados descreverem aos telespectadores como 'se sentem' após perderem tudo. A uma senhora, que chorava copiosamente, foi solicitado que contasse quantas pessoas de sua família havia perdido e, como ela estava acompanhada de outra velhinha que também chorava, ambas em dúvida sobre quantos parentes a primeira havia perdido, a repórter as incentivava a contar, uma a uma, as vítimas, para conhecimento dos telespectadores. Tudo isso e, 'depois do intervalo comercial, mais tragédia em Santa Catarina'."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 1/12/2008

"Sr. diretor, leio que há migalheiros que usam a velha fórmula: faça o que eu digo, não o que faço. Defendem, por exemplo o regime que passou, de autoritarismo; de leis anacrônicas, até dando exemplos de serem cúmplices do autoritarismo, em divagações, de os que foram fiéis a eles; mas que se anistiam, a si próprios; para criticar quando falo de leis, de leis, que podem e devem ser mudadas. Tem de ser mudadas sim, pois são a desfavor do povo e continuam a ser hipocritamente intocáveis (direitos humanos) por exemplo. Eu quero leis a favor da Justiça, na acepção da palavra, não a farsa que vemos impingidas pela direita e pela dita esquerda. Isto é hipocrisia! Por isso estou no meio termo; nem à direita e nem à esquerda. Creio que sou entendido, por eles, porque inteligentes eles são, a favor deles próprios, diga-se de passagem; e sabem que não me enganam, com a 'lenga-lenga' de suas insinuações. Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 1/12/2008

"A comunidade internacional tomar conta da Amazônia? Será que entendi bem? Ou o migalheiro Olavo Príncipe Credídio, mais uma vez se expressou mal? Primeiro, quer dar razão ao governo do Equador. Agora, quer que a comunidade internacional se encarregue da Amazônia. Então, o que acontece em Santa Catarina é resultado do que acontece na Amazônia que, convenhamos, fica bem longe? E, devemos entregar a Amazônia aos cuidados dos estrangeiros? Cáspita. A coisa anda difícil mesmo."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/12/2008

"A situação em Santa Catarina é realmente alarmante, seja pela tragédia com as chuvas, seja pelos saqueadores que estão levando das lojas, além de comida, aparelhos de som, televisores e caixas de cerveja. Este é o nosso Brasil..."

Dennis Braga - escritório Gondim Advogados e Associados - 2/12/2008

"Sr. diretor, li em Migalhas o comentário do dr. Wilson Silveira. Absolutamente eu não me expressei mal. Quanto à Amazônia, estamos defendendo o indefensável: o direito de bandidos nacionais e internacionais explorarem-na, sem escrúpulos. Nem a direita (militares), que abriu brechas para exploração, nem FHC e outros;  nem a que chamam de esquerda (Lula  etc.)  estão resolvendo; opondo  restrições, e a Amazônia está indo para o brejo,causando prejuízos não só ao Brasil; mas ao Mundo, a favor da poluição geral. Não me lembro de catástrofes tais como a de Santa Catarina, a não ser depois da derrubada das florestas, nem de fenômenos, tufões, por exemplo, destruindo cidades Sempre ouvi e li técnicos dizendo que a Amazônia era  o pulmão do mundo. Se é o pulmão do mundo, como destruí-la,deixar que destruam?  Ela não pertence só a nós. O Mundo deve reagir e agir por não tomarmos providências, deixar devastá-la. Foi isso o que eu quis dizer. Quanto à hipocrisia, ainda, eu leio em Migalhas, não só nela, defesa da ditadura, por exemplo  contra a punição  de  tortura. Defendem dizendo que houve torturas e crimes também daqueles que se opuseram à Revolução, enfim, para confundir, defendem-se. Eu não acredito nesta democracia, porque foi imposta com ressalvas: hipocritamente! Eu vi na Argentina serem processados os militares e presos, condenados, aqui não. Lá também eles se anistiaram; mas governos realmente legítimos tiveram a coragem de desmascará-los. Aqui não! Eu só acreditaria se fossem desmascarados, militares e civis que, conluiados com eles, governaram na intentona. Os militares deveriam ser punidos, sem aposentadoria e sem patentes, os civis, sem direitos civis. Aí eu acreditaria. Pois, vemos Migalheiros citarem-nos, escreverem impunemente o que pensam como se eles tivessem sido heróis, porque evitaram o comunismo. Li, não sei onde, que um Professor conhecido de Direito defendeu isso. Evitaram sim que um governo legítimo continuasse: há ou não hipocrisia? Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 2/12/2008

"Para juntar às informações de interesse no caso da tragédia de Santa Catarina, não se pode esquecer a reiterada constantemente pelos canais de televisão, no sentido de que as autoridades sanitárias insistem que a população não deve manter contato com a lama ou as águas das enchentes. É claro que esse cuidado seria necessário para evitar a contaminação e certas doenças que comumente ocorrem nessas circunstâncias. Mas, se se considerar o que se vê, com locais totalmente devastados, onde literalmente nada sobrou, nem casas, nem móveis, roupas ou documentos. Pessoas descalças, andando com a roupa do corpo, com água pela cintura, no meio da lama, sem sequer ter o que comer, o único contato que podem manter é, exatamente, com a lama e com as águas das enchentes, sem qualquer outra possibilidade."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/12/2008

"A nota de Migalhas, transcrevendo a notícia da Folha, acerca da licitação do TJ/BA para a compra de 'quatro tapetes persas', que sejam, um 'do norte da Turquia', outro 'da India' e os demais 'do Irã' foi mal compreendida (Migalhas 2.039 - 2/12/08 - "BA - I"). Trata-se do esforço do magistrados baianos em pról do povo catarinense. Tão logo esses 'mimos' cheguem ao tribunal, serão imediatamente leiloados e o resultado auferido será totalmente encaminhado à Defesa Civil de Santa Catarina. Até porque, a ninguém ocorreria, em sã consciência, que o TJ/BA estivesse licitando esse tipo de coisa para decorar a sede de sua assessoria de relações públicas e cerimonial."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/12/2008

"Você já fez sua parte para ajudar o povo de Santa Catarina? Já atendeu o chamado da OAB, ou algum dos muitos outros chamados para doar dinheiro, alimentos ou roupas para a gente sofrida que tanto precisa de nossa solidariedade? Então, tudo bem. É que ninguém ficou sabendo. Por outro lado, há intensa movimentação nas televisões, para que artistas e apresentadores também o façam, esses seres que alegram nossas vidas, dias e noites, a salários polpudos, alguns inimagináveis para nós, pobres mortais.  Ainda ontem, quem estava assistindo a Record, pode ver o apresentador Brito Jr insistindo com seus colegas para doar parte de seus salários, como forma de incentivar outros a fazer a mesma coisa. Foi bonito ver Roberto Justos anunciar a doação de R$100.000,00, enquanto outros se esquivavam constrangidamente, alguns do quais que haviam posado em recentes leilões de gado, adquirindo reprodutores para suas fazendas, a milhões de reais. Mas, 'zapeando' pelas TVs, como se diz, lá estava a Hebe, como sempre portando quilos e mais quilos de diamantes (todos verdadeiros, como se sabe), quase aos prantos, insistindo com seu fiel público a doar o que quer que fosse (R$10,00, R$20,00, o que puder, um litro de leite, um saco de feijão), enquanto aparava lágrimas fugidias com suas mãos enfeitadas com solitários de  não sei quantos kilates, portando no pulso uma pulseira de diamantes que mais parecia um campo de pouso de aviões de grande porte. Brito Jr, na Record, instava com os seus a doarem parte de seus salários. Foi quando me lembrei da indignação de Hebe com a intenção do Sílvio Santos de reduzir seu salário, atualmente, dizem, em R$1.500.000,00 mensais. Se a campanha de Brito Jr der certo, e se atingir, também, a classe política, e fizer com que nossos deputados desistirem (ao menos por agora) da compra de 40 milhões em móveis para os apartamentos funcionais onde não vivem, o povo catarinense vai ver suas cidades reconstruídas a toque de caixa."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 2/12/2008

"Pensei que a divisão em tópicos que Migalhas faz deveria servir exatamente para que houvesse uma divisão da discussão... em tópicos. Mas, ao que parece, para alguns, a coisa está se transformando em uma espécie de 'samba do crioulo doido', em que entra um pouco de tudo, uma espécie de catarse, apta a resolver problemas d'alma, mas pouco útil à informação acerca  dos assuntos tratados em cada tópico específico. Este é o tópico ‘SC’, de Santa Catarina. Há outros, também bons, para outros assuntos, ou novos podem ser criados, também específicos. Para correspondências pessoais, o melhor seria o uso dos correios, ou o email, tão em moda atualmente."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 3/12/2008

"Dinheiro que Lula prometeu a SC ainda não chegou. Senhor Diretor, Josias de Souza escreve hoje que o dinheiro que Lula prometeu a SC ainda não chegou. Este é o des-governo dos detentores do monopólio da ética e da transparência. Grande parte de nossos políticos são demagogos, incompetentes e corruptos. Nossa 'oposição', em sua maioria, não é confiável, porque já blindou lula. O Brasil é o paraíso da bandidagem. Foi para esse fim que nossa classe política sucateou o Poder Judiciário e a Polícia Civil, por exemplo, para que o povo não mais se socorresse dessas Instituições, não mais acreditasse, não exigisse seus direitos, conformando-se com o clássico adágio 'não adianta, não vai dar nada'. O cidadão tem sua casa desapropriada pelo Poder Público e espera às vezes 15 anos para receber a indenização. O cidadão vence ação contra o Estado-ladrão, que surrupiou parte de seus vencimentos, e mesmo em se tratando de Precatório de Natureza Alimentar, aquele somente vai receber após longos anos de espera. Governadores fazem lobby no Parlamento para piorar ainda mais essa injustiça. Lula promete, promete, promete, mas o dinheiro não chega a SC. Não me venham com chorumelas, justificativas baseadas em entraves burocráticos. Para socorrer os amigos do Meirelles, os banqueiros, as verbas saem à velocidade da luz. No ano 2010, ano da eleição, Lula cumprirá essas promessas, com toda a certeza! A realidade mais cruel consiste em que se Lula pudesse ser novamente candidato, seria trieleito.  Os semelhantes se atraem. A maioria do nosso eleitorado só não assalta os cofres públicos por falta de oportunidades. Saudações,"

Aderbal Bacchi Bergo - magistrado aposentado - 3/12/2008

"Sr. diretor, ao deparar-me com a mensagem houve por bem analisá-la o que quis dizer o dr. Wilson Silveira? Catárse. O que quis dizer com catarse. Procurei, então em Ramiz Galvão, vocabulário grego = Catharse (?a?a?s??) = evacuação natural ou artificial, por qualquer via. Fui então ao BH que diz: purificação, limpeza. Efeito salutar provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional e ou traumatizante, até então reprimida. 4 - Teatro. O efeito moral e purificador da tragédia clássica, conceituado por Aristóteles (aristotelismo), cujas situações dramáticas, de extrema intensidade e violência, trazem à tona os sentimentos de terror e piedade dos espectadores, proporcionando-lhes o alívio e purgação, desses sentimentos/Hamlet de Shakespeare, sem catarse, que ao lento cair do pano, só nos deixa como objeto de meditação e fruto amargo, uma interminável fila de interrogações. Só o culto migalheiro poderá explicar-nos o que quis dizer. Para mim, espelhando-me, como hermeneuta, no vocábulo, será difícil, para qualquer um fugir, na argumentação desses parâmetros, um ou outro, mesmo que queiramos. Há sempre dependência de ligação (elo) entre um assunto e outro, logo a catarse é inevitável, desculpe-me. Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 3/12/2008

"Há uma corrente de 'palpiteiros' que, em vez de procurar estudar as causas da tragédia de Santa Catarina, determinam, sem qualquer conhecimento de causa, que os problemas lá ocorridos seriam conseqüência direta das 'mudanças climáticas' provocadas pelo 'aquecimento global', que hoje é a justificativa para qualquer problema ambiental no mundo, ou do desmatamento da Amazônia, quando qualquer problema ambiental acontece no Brasil, e é mais fácil apontar como culpados governos atuais ou passados, o que torna mais fácil a arte de palpitar sem ter que estudar ou ler a respeito. Outros há, com mais discernimento, e mais pé no chão, que responsabilizam o descaso com a defesa civil, como o Editorial de O Globo de 27/11, que lembra que:'No balaio da irresponsabilidade misturam-se a omissão do poder púbico e manifestações de irresponsabilidade civil como, por exemplo, a ocupação de encostas e as agressões urbanísticas, cujas conseqüências só são percebidas quando a natureza cobra sua parte nesses abusos'. Professores universitários catarinenses publicaram um Manifesto no qual apontam as causas das enchentes e dos deslizamentos que causaram mais de uma centena de mortes e questionam como vem sendo conduzida a política ambiental do Estado. Abaixo, um trecho do referido Manifesto, bastante esclarecedor:

'É preciso compreender que chuvas intensas são parte do clima subtropical em que vivemos. E é por causa desse clima que surgiu a mata atlântica. Ela não é apenas decoração das paisagens catarinenses, tanto como as matas ciliares não existem apenas para enfeitar as margens de rios. A cobertura florestal natural das encostas, dos topos de morros, das margens de rios e córregos existe para proteger o solo da erosão provocada por chuvas, permite a alimentação dos lençóis d'água e a manutenção de nascentes e rios, e evita que a água da chuva provoque inundações rápidas (enxurradas).

A construção de habitações e estradas sem respeitar a distância de segurança dos cursos d'água acaba se voltando contra essas construções como um bumerangue, levando consigo outras infra-estruturas, como foi o caso do gasoduto. Esse é um dos componentes da tragédia.

Já os deslizamentos, ou movimentos de massa, são fenômenos da dinâmica natural da Terra. Mas não é o desmatamento que os causa. A chuva em excesso acaba com as propriedades que dão resistência aos solos e mantos de alteração para permanecerem nas encostas. O grande problema de ocupar encostas é fazer cortes e morar embaixo ou acima deles. Há certas encostas que não podem ser ocupadas por moradias, principalmente as do vale do Itajaí, onde o manto de intemperismo, pouco resistente, se apresenta muito profundo e com vários planos de possíveis rupturas (deslizamento), além da grande inclinação das encostas. E é aí que começa a explicação de outra parte da tragédia que estamos vivendo.

A ocupação dos solos nas cidades não tem sido feita levando em conta que estão assentadas sobre uma rocha antiga, degradada pelas intempéries, e cuja capacidade de suporte é baixa. Através dos cortes aumenta a instabilidade. As fortes chuvas acabaram com a resistência e assim o material deslizou.

A ocupação do solo é ordenada por leis municipais, os planos diretores urbanos. Esses planos diretores definem como as cidades crescem, que áreas vão ocupar e como se dá essa ocupação. Por falta de conhecimento ecológico dos poderes executivo, judiciário e legislativo (ou por não leva-lo em consideração), o código florestal tem sido desrespeitado pelos planos diretores em praticamente todo o Vale do Itajai, e também no litoral catarinense, sob a alegação de que o município é soberano para decidir, ou supondo que a mata é um enfeite desnecessário. Da mesma forma, as encostas têm sido ocupadas, cortadas e recortadas, à revelia das leis da Natureza.

Trata-se de uma falta de compreensão que está alicerçada na idéia, ousada e insensata, de que os terrenos devem ser remodelados para atender aos nossos projetos, em vez de adequarmos nossos projetos aos terrenos reais e sua dinâmica natural nos quais irão se assentar.

A postura não é diferente nas áreas rurais, onde a fiscalização ambiental não tem sido eficiente no controle de desmatamentos e intensidade de cultivos em locais impróprios, como mostram as denúncias freqüentes veiculadas nas redes que conectam ambientalistas e gestores ambientais de toda região. A irresponsabilidade se estende, portanto, para toda a sociedade.

Deslizamentos, erosão pela chuva e ação dos rios apresentam fatores condicionantes diferentes, mas todos fazem parte da dinâmica natural. A morfologia natural do terrreno é uma conquista da natureza, que vai lapidando e moldando a paisagem na busca de um equilíbrio dinâmico. Erode aqui, deposita ali e assim vai conquistando, ao longo de milhões de anos, uma estabilidade dinâmica. O que se deve fazer é conhecer sua forma de ação e procurar os cenários da paisagem onde sua atuação seja menos intensa ou não ocorra.

As alterações desse modelado pelo homem foram as principais causas dos movimentos de massa que ocorreram em toda a região. Portanto, precisamos evoluir muito na forma de gestão urbana e rural e encontrar mecanismos e instrumentos que permitam a convivência entre cidade, agricultura, rios e encostas.

Por isso tudo, essa catástrofe é um apelo à inteligência e à sabedoria dos novos ou reeleitos gestores municipais e ao governo estadual, que têm o desafio de conduzir seus municípios e toda Santa Catarina a uma crescente robustez aos fenômenos climáticos adversos. Não adianta reconstruir o que foi destruído, sem considerar o equívoco do paradigma que está por trás desse modelo de ocupação. É necessário pensar soluções sustentáveis. O desafio é reduzir a vulnerabilidade.

Uma estranha coincidência é que a tragédia catarinense ocorreu na semana em que a Assembléia Legislativa concluiu as audiências públicas sobre o Código Ambiental, uma lei que é o resultado da pressão de fazendeiros, fábricas de celulose, empreiteiros e outros interesses, apoiados na justa preocupação de pequenos agricultores que dispõe de pequenas extensões de terra para plantio.

Entre outras propostas altamente criticadas por renomados conhecedores do direito constitucional e ambiental, a drástica redução das áreas de preservação permanente ao longo de rios, a desconsideração de áreas declivosas, topos de morro e nascentes, além da eliminação dos campos de altitude (reconhecidas paisagens de recarga de aqüíferos) das áreas protegidas, são dispositivos que aumentam a chance de ocorrência e agravam os efeitos de catástrofes como a que estamos vivendo. Alega o deputado Moacir Sopelsa que a lei ambiental precisa se ajustar à estrutura fundiária catarinense, como se essa estrutura fundiária não fosse, ela mesma, um produto de opções anteriores, que negligenciaram a sua base de sustentação.

Sugerimos que os deputados visitem Luiz Alves, Pomerode, Blumenau, Brusque, só para citar alguns municípios, para aprender que a estrutura fundiária e a urbana é que precisam se ajustar à Natureza. Dela as leis são irrevogáveis e a tentativa de revogá-las ou ignorá-las custam muitas vidas e dinheiro público e privado.'

As enchentes do Vale do Itajaí são decorrência do desmatamento na região, em especial junto às cabeceiras dos rios afluentes do Itajaí, associada à ocupação indevida do solo. As árvores, que sustentam o solo são retiradas para dar lugar a culturas de bananas, novas fábricas e loteamentos residenciais, tudo com alvarás, todos felizes com o 'progresso'. Nada é feito com fiscalização, seja do CREA, seja da defesa civil, seja das prefeituras, como de resto em todo o Brasil. Daí, a natureza acaba cobrando seu preço. Não só em Santa Catarina, mas em todos os outros locais onde, nesta época do anos se vê essas enchentes provocarem a morte de centenas de pessoas. Até pode haver alguma influência do aquecimento global. Mas, nesses casos, isso pode até ser desconsiderado. Nietzsche, acerca de opiniões e convicções, considera que possuímos nossas opiniões como possuímos peixes, na medida em que somos proprietários de um viveiro. Temos de sair para pescar e ter sorte, então temos nossos peixes, nossas opiniões. Falo de opiniões vivas, de peixes vivos. Outros se satisfazem em possuir uma coleção de fósseis, 'convicções' em sua cabeça. São os que ouvem o galo cantar e...basta. Ficam a repetir sempre a mesma e surrada cantilena, até porque se informar cansa, dá trabalho."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 3/12/2008

"'Catarse', caro dr. Credídio, e acredito que seria bom não se ater tanto a simplificações dadas por dicionários, sempre aquela coisa de não procurar estudar, mas só de se buscar fórmulas prontas, aptas a se socorrer, em latim ou português, para dar a falsa impressão de uma grande cultura, é aquele 'colocar para fora', dito de maneira simples, por para fora o que ficamos 'remoendo', e que acabam como nossos 'fantasmas', assombrando nossas vidas. Quando se ouve falar em efeito estufa, por exemplo, não significa que isso é um demônio que resolve todos os problemas do mundo. Assim como o desmatamento da Amazônia, que é lamentável, não quer dizer que devemos entregá-la aos estrangeiros. Isso é só a argumentação dos estrangeiros, ou dos brasileiros despreparados, ou poucos patrióticos, ou desconhecedores do assunto. Ou que tem preguiça de estudar a questão e se atém às manchetes de jornais de fora. O aquecimento global existe sim. Mas é preciso levar na devida conta o vídeo do Al Gore. Nem tudo o que se transforma em vídeo, e nem tudo o que vem de fora tem de ser, necessariamente verdadeiro. Para isso, devemos ser instruídos o suficiente para analisar as notícias para, em vez de ficar repetindo slogans e palavras de ordens, podermos utilizar nossa inteligência para discernir. Nem tudo o que vem escrito em latim é, necessariamente verdadeiro, ou representa verdades absolutas. Fica chique, impressiona as mocinhas e os que estão iniciando, mas não tem efeito algum para os que estão na estrada há mais tempo. Brocardos jurídicos e frases latinas são encontradas facilmente na internet hoje em dia. Como interessar a alguém, frente à catástrofe de Santa Catarina, quem é a 'tia da Aranha', em latim ou português?"

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 4/12/2008

"Sr. diretor, leio em Migalhas o comentário do dr. Wilson. Eu estou muito velho para querer demonstrar cultura, pois, nos meus 82 anos, sei que nada sei só sei que não sou ninguém, que estou próximo da morte, provavelmente antes de V.Sª. Só exponho minhas idéias, sem pretender ensinar ou captar ninguém. Não sei sua idade, mas 'data venia' pretensão é que não lhe falta, em tudo que escreve. Acha que tem razões absolutas, e pretende dar aulas. Desculpe-me, mas falta-lhe também modéstia, porque fala em tudo como mestre, contestando o que acha: que sabe de tudo: contesta os mestres latinos, os cientistas (eu só os cito) não contesto. Contesta a etimologia dos vocábulos, Percebo que, como direitista arraigado, há por bem de achar que todos que estão fora de sua idéias, sua órbita, não têm razões, que nenhum governo presta etc. senão os de direita. Olha, cidadão, eu não vou ler mais o que escreve e mesmo porque V. Sª. não é juiz para julgar-me e, se fosse, mesmo assim eu não seria seu réu. Costumo usar uma frase para os detratores,criada pelo meu Colega dr. Geraldo Lasaro de Campos: 'Delectat-me scire omnes detratores meos mortuos esse' (Agrada-me saber que todos detratores meus estão mortos). Não vou pois perder meu tempo, e olha que escreve muito, pois você sim, pelo que escreve, presumo queira demonstrar cultura, eu não preciso disso. Em minha experiência; e tenho certeza de que V. Sª. não as tem, só procuro que as coisas melhorem, e que não caiamos nos mesmos erros, mesma teia, que caímos em 1964, aceitando aqueles que nos infelicitaram por mais de 20 anos e que V. Sª., pelo analiso, continua a defender, como se eles fossem solução, tanto que os cita como exemplos Jarbas Passarinho etc. Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 4/12/2008

"Senhor diretor, a grande quantidade de informações sobre a enorme desgraça que assola milhares de moradores de Santa Catarina chega-nos em tempo real. Surge então uma pergunta: onde estão nossas Forças Armadas? Até o momento, sabe-se que a Aeronáutica montou um pequeno hospital de campanha. Creio que nossos Militares estão desejosos de irem, em massa, participar do atendimento à população e reconstrução do que restou da tragédia. Contudo, se algum Batalhão pretender ir até lá, certamente não disporá sequer de combustível para locomover sua estrutura. É sabido que nem verbas para refeições há. O Serviço Militar é realizado em meio período porque não há almoço para os recrutas. Esse sucateamento, a Nação Brasileira deve aos lulistas. Foi depois de 2003 que as Forças Armadas do Brasil foram, intencionalmente, relatadas ao mais sórdido abandono material. Compreende-se a vendeta, porque há terroristas ocupando cargos de Ministros do atual desgoverno. Contudo, essa política resulta abominável para os interesses da Nação brasileira, como por exemplo os consectários que ocorrem agora, porque foi imposta pelos lulistas a ausência de nossas Forças Armadas de campos de batalha como os que há em Santa Catarina, nos quais a presença delas é absolutamente  indispensável. Repito que,  para auxílio aos banqueiros, amigos do Meirelles, os recursos surgem à velocidade da luz. Saudações,"

Aderbal Bacchi Bergo - magistrado aposentado - 4/12/2008

"Não é só a ausência das Forças Armadas que se nota em Santa Catarina, caro Aderbal Bacchi Bergo. Certamente nossos soldados estão ávidos para prestar seus serviços à nação, pois que preparados para isso sempre estiveram. não fosse o sucateamento que o colega se refere, notório.  Mas, não sentiu o colega a ausência do chefe da nação, em pessoa, no local da tragédia? É o que se costuma ver quando o mesmo ocorre em outros países, por exemplo na China, em que o presidente, pessoalmente, lá estava para dar uma palavra de consolo aos seus cidadãos. E os 'movimentos sociais', aqueles que se movimentam tanto, por qualquer coisa que dê notícia? Não acharam boa a tragédia de Santa Catarina para organizar trabalhos voluntários, como muitos civis estão fazendo? Onde está o Ministro Vanucchi? Não vi nenhuma caravana do MST por lá. Está muito molhado? Lá não há quilombolas? Não há disputa de terras e nem organizações religiosas insuflando indígenas? Onde está todo mundo? A turma da UNE e sua 'caravana da saúde' tão bem subvencionada pelo Ministério da Saúde? É, minha gente, uma coisa é ser solidário consigo mesmo, outra, bem diferente, é ser solidário com os outros. Fiquei esperando os senadores do PT correndo para lá, mas não vi nem o Suplicy."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 4/12/2008

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