domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Migalheiros

de 11/1/2009 a 17/1/2009

"Viva o circo e que o circo viva e sobreviva no meio de nós. Que saudade dos antigos circos que passaram céleres como uma flexa pela minha infância e juventude. Quantas recordações!... Lembro-me que a chegada do circo na minha cidade era um acontecimento festivo. Uma autêntica celebração de gente grande e da meninada. Não imaginava nem de longe que aqueles anos seriam tão efêmeros. Uma pena que naquele tempo a sensação de eternidade fez com que não aproveitássemos com mais intensidade aquele nosso cotidiano de absoluta felicidade juvenil. Só agora é que nos damos conta da imensa exiguidade daqueles anos. Saudade, saudade da alegria inconfundível do velho palhaço com suas brincadeiras arrancando da nossa tristeza o que nela havia de mais alegre e engraçado. Um deus buscando encontrar sorrisos nos semblantes das agruras sertanejas. Espetáculo circense. Sertão das artes, casimiro-coco da fantasia ambulante a carregar no seu bojo um universo de sonhos e sabedoria. Saudade do mágico a que todos como por pura inocência imaginavam fazer parte da plêiade dos super-homens... Um ser que estava muito além da compreensão humana. - Não é mágica! Diziam os espectadores. – Isso não passa de magnetismo. - Uma 'naigadinha' de uma besta ilusão feita para enganar a gente tola! Sentenciavam os mais ousados, tanto na língua quanto na idade. E nós, pouco queríamos saber de onde estava tal verdade. O circo nos era tudo. Dinheiro, cédulas novinhas pegavam fogo e viravam cinza para em seguida, bem ali na nossa frente novamente a mesma cédula ser reconstituída. Canecas derramavam água e moedas até cansar as nossas vistas. Homens engoliam tochas de fogo, quebravam lajedos nos peitos....Engoliam pregos enormes, espadas, andavam sobre brasa, em pernas de pau e em bicicletas de uma roda só. Tudo era incrível. Um constante desafio a tudo aquilo que chamávamos de impossível. Animais adestrados(coitados) também faziam sua cota de sensacionalismo. Mas os artistas de fato eram quem faziam a diferença. A condição humana nos impressionava justamente pela disposição em encarar o desafio de produzir felicidades e alegria para todos nós, esquecidos nas bibocas daquele mundo. As baianas lindas e maravilhosas requebravam seus quadris sob o tablado e até lançavam seus olhares maliciosos, assim como seus lenços vermelhos e perfumados sobre os ombros dos adultos. E nós meninos morríamos de inveja querendo também ser grandes só para poder sonhar com aquelas belezuras nos assediando. Afagando nosso olhar e curiosidade com os seus seios robustos, coxas e nádegas em total exuberância. Amávamos todas elas do mesmo modo ousado, estravagante como desejávamos a manga mais madura situada no topo mais alto da copa da mangueira. Foram elas, as baiana-dançarinas os motivos dos nossos primeiros pensamentos indecentes para os padrões da época. De dia olhávamos os bichos, os macacos principalmente.... de noite, sorríamos com os palhaços, suspirávamos com os saltos rasantes dos trapezistas. E de quebra enamorávamos, confidenciando para nós mesmos, as dançarinas. Verdadeiras minas dos olhos de uma noite negra sem muitas novidades quando sem a presença do circo no nosso meio. O circo era para todos nós o mundo que desejamos construir segundo as nossas utopias mais ingênuas e desafiadoras. O éden das nossas ilusões mais fantásticas e paradisíacas. A TV dos tempos modernos antecipada para toda uma geração de românticos provincianos vivenciando a vida possível naquele oco do mundo. A prova inconteste de que o homem era de fato, insuperável e o modelo de todas as coisas... O circo nos fazia grandes pensadores de um mundo pós-moderno quase sem nenhum compromisso com o devir. Só não sabíamos que um dia, toda aquela fantasia pudesse ter um fim tão triste e melancólico como constatamos agora, soterrado que está por uma tecnologia descompromissada com a arte e a cultura; como sendo estas, a verdadeira identidade de um povo. O circo da alegria hoje se transformara num círculo de tristeza, sobretudo quando sei que jamais poderei mostrar e, tampouco dividir com os meus filhos, toda a maravilhosa e singular experiência contidas nas velhas matinês dos espetáculos das tardes de domingos. O circo agora é um imenso baú onde guardamos para sempre nossas recordações mais felizes e inesquecíveis. O circo é parte especial da minha vida em que forçosamente tive que deixar para trás, quase perdida, abandonada nas brumas dos anos da minha meninice. Coisas que por mais que eu me esforce hoje não conseguirei experimentar de novo com o mesmo sabor e ímpeto do passado. O circo agora é apenas uma lembrança a martelar meu peito ressabiadamente. A certeza de que o tempo passou por mim como uma brisa. E que eu envelheci de verdade. O circo era um acontecimento social dos mais importantes das nossas cidades interioranas, vivendo monotonamente o seu cotidiano de calmaria. O circo instigava paixões. Ajudava a melhorar nossa auto-estima, assim como a libido de toda uma juventude que já começava a aprender gostar dos valores da rebeldia ante os eflúvios de uma arte medieva, tosca e renascentista. O circo era uma festa. Um congraçamento entre ricos e pobres, pretos e brancos... Uma alegria sem par que só terminava quando víamos com pesar(quase como atualmente) sua empanada sendo derrubada sobre o chão de barro batido do nosso vazio urbano que a partir de então voltaria a experimentar de novo seu duradouro estágio de solidão profunda.... Dando espaço ao matagal onde nós caçavamos calango e fazíamos uma série de outras travessuras próprias daquela idade. Como seu teatro de comédia e melodrama o circo era, por assim dizer, nosso cinema de época, épico e poético. Toda e qualquer possibilidade do sonho e da utopia de viver residia unicamente sob aquela empanada. O circo nos fazia acreditar no mundo e na vida de uma forma diferente. O circo era uma dádiva de Deus enviada para aplacar as dores do mundo e o sofrimento dos homens. Com ele, chorávamos e sorríamos no mesmo nível de intensidade dos que se apaixonam e amam intensamente a arte de viver feliz. Gritar palhaço pelas ruas e pelas bibocas da zona rural era o máximo: - 'Pompéu, pompéu tua mãe morreu/ e a cabeça do palhaço o urubu comeu'... 'Pipoca amedoim torrado/Carreguei tua mãe num carrinho quebrado'. 'Eu vou ali e volto já/Vou comer maracujá/Ela tem, mas eu não digo/ Carrapato no umbigo.... E arrocha negrada! Mais um pouquinhooo... Mais um bucadinhoooo... iêaaaaa...' - 'Hoje tem espetáculo! tem sim senhor às 8 horas da noite! Tem sim senhor...' A garganta da gurizada era o carro-de-som dos dias atuais e os amplificadores da daquela boa-nova para a nossa comunidade. Poucas palavras, sem nenhum ranço de apelação obscena ou duplo sentido que atentasse para a ética, moralidade e os bons costumes como diziam. Tempos idos que ainda hoje tanto ainda mexem com os nossos sentimentos e nossas reminiscências mais singelas e verdadeiras... O circo agora, além de não ser o mesmo por uma série de razões... Representa um pedaço do nosso passado que atravessando à duras penas os tenebrosos anos de tempestades conseguira chegar até nós com a sua saudade. É fato notório que a arte circense está morrendo. Por isso precisamos não apenas recordar simplesmente o memorial circense, mas sobretudo, lutar para sua preservação. Por tudo que o circo conseguiu proporcionar de bom e construtivo para toda uma imensa geração do passado recente; muito mais do que a TV tem conseguido fazer para a contemporaneidade. É urgente defendê-lo da extinção total numa luta sem trégua da memória contra o esquecimento. Viva o circo e que o circo viva para sempre no meio de nós, através dos nossos filhos."

José Cícero - professor, escritor, pesquisador e poeta - 12/1/2009

"Por um Cariri Globalizado. No sul do Estado do Ceará pontua uma região que desde os mais remotos tempos carrega em seus ombros todo um conjunto de 'habitat humano' característico desde a consolidação da diocese do Crato, ao unificador Padre Cícero Romão Batista, há todo um manancial histórico, artístico, cultural, literário centrado numa verdadeira fonte de talentos que pulverizam o Brasil nos mais diversos estados. Sempre esta região foi contemplada por pontos de unificação de sua história que é um modelo de vida para qualquer agrupamento humano. A chama de integração social deve ser uma constante para a preservação da identidade e da cultura peculiar ao povo careirense. O Ponto de coesão da estrutura social do cariri é um legado que deve ser renovado e repassado para as futuras gerações, para a continuidade do corpo vivo na história sul cearense, creio que com o advento da internet, a capilarização da unificação desta região é um imperativo para o momento, assim compreendo, que o fluxo normativo do pulsar existencial de todas as cidades que integram este eixo geográfico, poderia ter uma concentração mais uniforme e coesa, do contrário, poderemos dissipar pontos etnográficos que foram tão bem betumados, untados e unificados pela liga da religião, da cultura, da literatura, da história e finalmente pela própria arte do existir. A Unificação da Mídia Caririense desde o seu eixo central aos pontos tracejados do espaço/tempo na região é uma necessidade para dar continuidade a este corpo vivo, integrado, inteiro a bailar na pisada do poder do estrago temporal da existência do agora para o feixe de luz que haveremos de deixar para as futuras gerações, pois, o alimento intelectual do fazer no momento, com certeza será o fabrico do tipo do mel que será consumido na história futura. É dentro deste foco que entendo a necessidade de uma mídia, coesa, forte e integrada nas entranhas da própria história que levou dezenas de anos para a construção deste quadro epistemológico regional."

Luiz Domingos de Luna - 12/1/2009

"Ontem, ocasionalmente, revendo meus jornais velhos encontrei a notícia sob o título Cultura da Resistência do Estadão (clique aqui). Que saudade revendo aquelas artistas, que tanto embelezaram nosso teatro, televisão, filmes. Tônia Carrero, Eva Vilma, Odete Lara Norma Bengel e Ruth Escobar, nas Ruas: Chico elenco da Roda Viva. Lembrei-me da peça Roda Viva e tive sorte. Quando pretendi assisti-la, com minha Mulher, as entradas estavam esgotadas. Naquele dia, uma corja de direitistas covardes invadiram o teatro e expulsaram os assistentes com correntes: hoje se escondem. Imagine se lá estivéssemos! Provavelmente haveria uma tragédia, porque eu resistiria e andava armado. Não deixaria minha Mulher ser agredida sem reagir. Foi quando lembrei-me de uma frase célebre:Deus escreve certo por linha tortas; logo eu que sou ateu."

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 12/1/2009

"Maltrato espanhol. Em reportagem no jornal televisivo da Rede Bandeirantes, vimos o relato de mais uma truculência praticada por um policial espanhol contra um músico brasileiro no momento em que passava pelo detector de metais do aeroporto. Segundo o agredido, ao depositar seu casaco com celular, passaporte e outros objetos na esteira, alguém o surrupiou e ao reclamar foi agredido com um violento soco no rosto. Com tal brutalidade gratuita perdeu dois dentes e sofreu hematomas. Vários turistas brasileiros já relataram esse tratamento indigno nos aeroportos da Espanha, como publicado há algum tempo nos principais jornais. Quer me parecer que existe algum desprezo e acredito gratuito, por parte de alguns daquele país, pois há alguns anos eu, minha esposa e dois casais de amigos, ao pedirmos café em um bar de Madri, o atendente, mal educado jogava as xícaras sobre o balcão e sem que tenhamos proferido qualquer palavra, embora atônitos, dizia aos gritos que os brasileiros são muito folgados. Enquanto isso, aqui, a regra é abrir nossas portas e sempre receber bem os espanhois ou quaisquer outros turistas estrangeiros."

Fernando Joel Turella - 14/1/2009

"Meus queridos dos bastidores, da coxia e da platéia, ...fulminado pela preclusão, em razão da inação da prática do ato, já desculpando o destacado migalheiro Mano Meira, agora de há pouco, também, conhecido como o maior 'recitador da pátria chamamecera', envio eu mesmo, com as minhas próprias mãos, ...as solicitadas 'tropilhas de agosto', do poeta Ari Pinheiro, aqui do Sul da pátria continentina, ...onde vivemos às domas c'as ditas,...

Tropilhas de Agosto


Ari Pinheiro


Hai um quê de mistério

nestes ventos de agosto...

Chegam de sopetão

encrespando as flexilhas

e se aquerenciam

no verde da pampa

como um véu de mortalha

cobrindo as coxilhas...

Reviram folhagens de velhos umbus

libertando fantasmas

de antigas prisões

que se atiram de-em-pêlo

no lombo do vento

com uivos de agouros

assombrando os grotões...

Sim, hai um quê de nostalgia

nestes ventos...

Mil causos de ronda, mil ponchos molhados

mil berros de gado...

Mil almas que cruzam o vau da saudade

agarradas nas crinas

destes ventos gelados!

Me disse um patrício

que o gado que morre

é ração para os piquetes

de almas caudilhas.

Que o vento apartou

da Tropa Divina

pra deixar de posteiros

guardando as coxilhas...

Hai um pouco de certo

hai um pouco de lenda...

mas acima de tudo, hai os ventos

que me dobram o lombo

num pealo sinistro

mais duro que as mágoas

que trago nos tentos...

Arre, Hai o que matutar...

Porque será que em agosto

a garoa é tão fina

que corta-me o rosto

e me apaga o palheiro

zombando dos cortes

num carinho gelado

qual beijos sem gosto...

Chomico! Já sei o que querem

estes ventos matreiros

açoitando impiedosos

os cantos do oitão

e alargando ainda mais

as frestas do rancho

querendo apagar

o meu fogo de chão...

Mas lhes peço, não levem

a quincha já gasta

que nesta invernia

me serve de abrigo...

E, se não for pedir muito

me deixem o cusco

que há mais de dez anos

tropeia comigo!

Podem levar

da manada que tenho

a mais gorda rês

que existir no potreiro.

E da graxa amarela da ponta do peito

ofereçam holocausto

aos antigos guerreiros...

E digam lá que o velho...

O velho vai ficar mais um pouco

esperando criar

outra ruga no rosto

e quem sabe para o ano

numa noite de geada

ele se junte a manada

das tropilhas de agosto!

Cordiais saudações!"

Cleanto Farina Weidlich – migalheiro, Carazinho/RS - 14/1/2009

"Meu nome é poluição

Uso da água potável

Para lavar o chão

A água não é descartável

Não tentem me impedir, pois será em vão

Uso a floresta virgem, a devastar

Substituo por rentáveis árvores de eucalipto

Transformo o solo em imensos pastos, após incendiar

Ignoro discursos em tons apocalípticos

Uso a energia elétrica

Como melhor me provem

Sou uma egocêntrica eclética

Gasto o tanto de eletricidade que a mim convém

Lanço os detritos nos rios

Eles que tomem seu curso

Não sinto, por fazer isso, feridos brios

Foi tudo o que aprendi em meu percurso

Aos animais infernais

Prendo, mato ou ainda, vendo

Tenho lucros fenomenais

Parar pra que? não entendo .

Trabalho muito, devastando

Destruo o que não me interessa

Não dou ouvidos aos que permanecem lamentando

Para enriquecer, eu tenho pressa

Fui batizada com um nome estranho

Tenho dele orgulho, pois vivo da ambição

É um nome desprezível , por tacanho

Sou daninha, filha da Profanação

Meu nome é Poluição.'

'Ao preservar a natureza o homem está preservando a própria vida.'"

Maria Luiza Bonini - 15/1/2009

"VICK VapoRub - Segundo O Globo (14/1, p. 28), os cientistas chegaram à conclusão de que essa tradicional mezinha, de que nos empanturramos eu e os nove irmãos na infância, pode ser nociva a crianças: todos devem consultar o médico antes de usá-la. Estão ruindo todos os mitos que cultivei. 'Que reste-t-il?'"

Antônio Carlos de Martins Mello - 15/1/2009

"Meu caro Antonio Carlos, depois dessa do Vick, que aqui na campanha substituiu o sebo de ovelha, para uso tópico nas pneumonias e gripes compridas que atingem aos sulistas na invernias, só falta acharem algum desacato para a Olina (essência de vida), o Biotônico Fontoura (que o Lobato tentou exportar e até incentivar o seu fabrico nos E.U.A.), e o Óleo de Fígado de Bacalhau. Cordiais saudações!

p.s.: sobre esses recatos, vai uma poesia do Jayme, que bem ilustra como os gaúchos chegaram até os dias atuais, ...

Medicina Campeira

Eu não levo nos arquivos,

Isso é de hoje pra amanhã

Desta farmácia caseira,

Arrogância curandeira

Nem ganas de saber tudo

É apenas simples estudo

Da Medicina Campeira

É aquilo que a gente aprende

Do chiru velho e da china

Que aos manotaços da sina

Cruzaram pela existência

E trançaram a experiência

De tudo que a vida ensina!

É por demais conhecida

A farmácia campesina!

Ora grosseira,ora fina,

Mesmo rude, é coisa nossa,

E a quem diga que faz mossa

Nos tratos da medicina!

O pau de ferro é bom pra o sangue

Pra o estômago a marcela...

E se quer um sentinela

Pra cuidar o coração

Tome no mate o gervão

E a mamica de cadela!

A folha do cambará

Pra o catarro e a bronquite

É um pealo -Não é um palpite!-

De verdade se termina,

E um chá forte de Três Quina

Derruba qualquer colite!

Para a tal de coqueluche

Essa doencita atrevida

Chamada tosse - comprida

Que ataca mesmo sem trégua

Dê a criança Leite de Égua

Que fica boa em seguida 

Pra bexiga o araçá

Isso é de hoje pra amanhã;

Deixa uma pessoa sã como melhor não se viu...

E pra curar um churriu

Chá de casca de romã! 

Pra assadura de laço

Não tem gracha nem gordura,

Pois deixa uma criatura

Esperneando e dando guincho,

Só há um remédio cochincho,

É mijar na queimadura! 

A Erva de passarinho

Que solta um branco leitoso

É um remédio poderoso

Pra gripe e pneumonia...

Dor no fígado alivia

Com Raiz de Pedegoso 

Pra bouba,é fato provado,

Não adianta benzedura.

O que serve é uma mistura

Mais conhecida por massa

Que com dieta e sem cachaça

Qualquer china velha cura! 

Pra estancar sangria braba

E não perder mais um pingo,

Não é remédio de gringo!-

Pegue uma palha de milho

E faça logo um atilho

Na junta do dedo mingo! 

Pra mau olhado que botam

Em potrilho,até em cavalo

Tem um remédio que é um pealo

Barato, nem custa nada

É uma fita colorada

Atada bem no gargalo! 

Pra inchadura de íngua,

Do sovaco e da virilha,

É sistema na coxilha

Benzer numa estrela, em cruz,

Citando além de Jesus

Toda a Sagrada Família 

Cobreiro brabo,sabemos

Que médico não liquida,

São os mistérios da vida!

Procure uma benzedeira;

Pois,em duas Sexta-feira

Desaparece a ferida... 

O Açoita Cavalo,A quácia,

A sete Sangria, A Arnica,

São na rústica botica

Medicação de valor,

Que qualquer peão domador

Diz logo como se aplica! 

O Louro, o Cedro, o Marmelo, A pitangueira, o Ipê, A Alfafa e o Santa Fé,

Quebra pedra, Erva de Touro, tudo é remédio de estouro, basta que

Se tenha fé! 

A mordedura de cobra

Deixa um índio na miséria,

Chá de Casca de Romã

Não brinca que a coisa é séria;

E antes que o sangue envenene,

Tome logo Querosene

Se não tiver a Pluméria 

O tal de mel de Irapuá

Flocha um catarro qualquer,

Pode vir de aonde vier

É melhor que cataplasma

E cura um ataque de asma

Já na segunda colher! 

Pra Mandado e Raio Guacho

Não há remédio -já creio!-

Pois não escolhe rodeio

Nem respeita parentesco...

Coisa boa, é Esterco Fresco

Pra pisadura de arreio! 

Só existe um mal , meu patrício

Pra o qual não conheço cura!

Misto de dor e amargura

Que já causou tanto estrago.

Pois não se afoga num trago,

Nem se queima a ferro quente:

É aquilo que guasca sente

Quando está longe do Pago!

( De Jayme Caetano Braum )

do livro 'De Fogão em Fogão'

Cordiais saudações!"

Cleanto Farina Weidlich – migalheiro, Carazinho/RS - 16/1/2009

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