domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Big Brother Brasil

de 18/1/2009 a 24/1/2009

"Ontem, ao fim do dia, quando estava com amigos aproveitando o janeiro sem férias aos nobres advogados, não pude deixar de ouvir comentários acerca do televisivo 'Big Brother'. Em um destes comentários, ouvi sobre a tal casa de vidro, e simplesmente não pude acreditar, enfim, busquei na internet quando em casa já estava e confirmei o horror. Gostaria de deixar aqui no Migalhas, berço de nobre discussões de operadores de direito de todo Brasil, minha indignação com a condição 'animalesca' que estão sendo submetidos aqueles cidadãos. Óbvio, que eles anuíram em estar ali, mas sob que aspectos, o quanto se faz um ser humano pagar pela fama? A tal casa de vidro é um zoológico de seres humanos, uma falta de respeito a toda e qualquer declaração de direitos humanos até hoje já emanada no mundo. Sob quaisquer condições, diferentemente do programa que podemos assistir em casa, expor o ser humano em uma jaula de vidro em um shopping é o que demais bizarro e desumano que já vi na vida. Conclamo as entidades de defesa dos direitos humanos, o ministério público e a toda sociedade que tome-se providência com relação a tamanho escárnio social a que estão sendo submetidos aquelas pessoas. Enfatizando, se aceitarmos calados esse zoológico humano, com certeza os lucros alcançados com ele farão com que este seja o primeiro de muitos bizarros zoológicos que seres humanos serão submetidos. É dever do Estado e de toda sociedade intervir em tamanha zombaria as nossas leis, a moralidade e ao Estado de Democrático de Direito. A condição de ser humano não tem preço, e não pode ser moeda de troca da fama, nunca. Nunca, nunca..."

Roberto Brandão Araújo - 19/1/2009

"Faço minhas as palavras do colega Roberto, que antecedeu. Tive a mesma impressão! O pior não será o arrependimento desses 'artistas', e os eventuais processos que poderão ajuizar contra a companhia contratante. O mais perigoso disso tudo, é o exemplo da idiotia - que acaba contaminando a toda a sociedade - criando estereótipos, modelos e dando exemplos de vida, absolutamente, vazios, inúteis e despidos de quaisquer propósitos que lembre a virtude. E lembrando as boas e ternas lições dos cidadãos de Atenas, entre eles quem sabe o Sócrates, sobre cuja obra se pode atribuir qualquer dito, pois não teria deixado herança literária escrita, ... 'se não tem virtude, então é vício, já que, o vício se estabelece nos espaços, nas lacunas deixadas pela virtude', ... Assino em conjunto, qualquer iniciativa de interdição ou proibição do programa, por se tratar de encenação absolutamente carente de finalidade social edificante, que por seu conteúdo fútil, só pode servir de mau exemplo e proporcionar danos irreparáveis no seio da sociedade, além de ferir frontalmente os direitos da personalidade dos alienados, pela promessa de conquista do 'sucesso e da fama'. Cordiais saudações!

p.s.: essa empreitada pode ser bancada pela Ordem dos Advogados do Brasil, é o que me parece."

Cleanto Farina Weidlich – migalheiro, Carazinho/RS - 19/1/2009

"Vejo-me obrigado a escrever aqui algumas palavras sobre o tópico 'Big Brother Brasil'. Adianto - antes que algum desavisado questione minhas opções televisivas, minhas predileções quando desfruto de (raros) momentos de ócio ou mesmo minha capacidade intelectual - que não sou dado a perder os preciosos e parcos instantes que tenho para desfrutar do convívio com minha família para assistir ao BBB. Só que igualmente inaceitável é ouvir uma série de comentários piegas sobre o mesmo assunto no início de cada ano! E isso já acontece há nove anos (número, aliás, de edições do indigitado programa televisivo)! O problema está na mais profunda base da construção de nossa sociedade. Quem não teve qualquer oportunidade para ler nem mesmo 'O Menino Maluquinho', 'O Pequeno Príncipe', 'A Vaca Voadora', ou mesmo qualquer outra obra que fizesse nascer nas crianças o gosto pela leitura - nem parte da bibliografia de Walt Disney, por exemplo -, jamais lerá quaisquer dos clássicos, nem nunca se interessará por quaisquer discussões filosóficas, pelos ensinamentos de Sócrates, de Platão ou de quem quer que seja! É óbvio que essas pessoas se divertirão vendo os quatro enjaulados no Shopping, e vendo outros tanto pela TV logo após a novela. Aliás, que diferença faz ver quatro jovens numa casa de vidro num shopping, se ainda temos por aí outros absurdos televisivos, como as cenas de assaltos, assassinatos, corrupção e outros ilícitos de maior ou menor gravidade passando na televisão à tarde e no começo da noite, na vil desculpa do 'furo de reportagem'? Essas matérias podem ser transmitidas sem qualquer problema?! Crianças podem ouvir as porcarias que tocam no rádio (e hoje mesmo vi um guri na rua ouvindo um tal de MC Sabe-se Lá o Quê! cantando créu-créu-créu) e está tudo bem? Sem crise? Os adolescentes que hoje ouvem a poesia pornográfica emanada dos morros cariocas são as mesmas crianças de ontem que dançavam 'o tchan' e 'na boca da garrafa', sob os olhares felizes e contentes dos próprios pais. Tomar uma medida como a sugerida pelos diletos migalheiros - com a devida permissão, frise-se - é atentar contra a liberdade de fazer com a própria vida e com o próprio corpo aquilo que bem se quiser; é atentar contra a liberdade de um sem número de apedeutas ou não apedeutas que querem assistir àqueles programas de conteúdo questionabilíssimo; é, enfim, atentar contra aquilo que está na nossa legislação. Censura não se admite neste País! E, pra terminar, não me venha dizer que mesmo depois de um dia cheio de trabalho, com problemas dos mais diversos para resolver e com clientes (ou com os chefes) no pé, o camarada tem de se sentar na biblioteca de casa para ler os Diálogos de Platão. É por isso que eu digo: o melhor remédio para a indignação com a programação televisiva continua sendo o controle remoto! Plim! Plim!"

Leônidas Magalhães de Alcântara - 23/1/2009

"Perfeito o comentário de migalheiro Leônidas! Em um país onde as músicas mais ouvidas são de cunho sexual e em minha opinião um verdadeiro atentado aos ouvidos, onde apresentadores mostram todos os dias, ao bel prazer, cenas de violência em programas não melhores que o falecido jornal Noticias Populares em versão televisiva, onde o programa mais visto é uma novela, onde os livros são esquecidos em prateleiras para somente alguns poucos lerem (graças a meus pais e avós, tive a oportunidade de ter todos os livros citados pelo migalheiro Leônidas, assim como a coleção completa de Walt Disney, uma coleção da enciclopédia conhecer (por sinal alguém sabe onde está a barsa?), e outras muito instrutivas), o que poderíamos esperar? Hoje, a maioria do pouco tempo que passo em frente à tv, assisto aos canais da Discovery, ou da National Geografic, History Channel, etc. Pelo menos alguma cultura ainda temos na TV (paga)!"

Daniel Consorti - 23/1/2009

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