quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Crise financeira

de 18/1/2009 a 24/1/2009

"Na sociedade capitalista, o êxito do setor privado é relevante para o equilíbrio econômico. Houve mudança no meio pelo qual se considera possível obter progresso equilibrado, tendo mudado também a forma como o Estado se relaciona com a economia. Evoluiu de liberal não-intervencionista para Estado do bem-estar social e, por fim, antes da atual crise, para modelo intermediário conhecido como Estado subsidiário. Diante da crise, os governos vêm oferecendo ajuda à iniciativa privada como pouco se viu, o que não se ajusta a nenhum dos modelos teóricos indicados. Assim, não se tem clara noção dos efeitos desse auxílio, sendo importante refletir sobre os limites a serem impostos para que se evite desperdício de dinheiro público. Para entender sua utilidade, basta analisar a causa do problema, e a adequação dos meios empregados para solucioná-lo. Qual o motivo e o fim de toda a ajuda? Evitar o colapso do mercado, a quebra de empresas e do próprio sistema capitalista. Esse motivo é aceitável considerando que o modelo capitalista, apesar de seus defeitos, é o que se mostra mais conciliável com os anseios de liberdade. Mas a ajuda às empresas, da forma como vem sendo pensada, alcançará esse fim e condiz com o papel do Estado? As causas da atual recessão são complexas, mas não se pode ignorar que um de seus catalisadores, que tem provocado a retração dos mercados, é o receio de redução de salários e perda de emprego. A ajuda a empresas faz com que tenham menor necessidade de redução de custos, inclusive com pessoal. Entretanto, a iniciativa privada busca o maior lucro possível, podendo ocorrer que, mesmo com a ajuda, se promovam demissões. Ademais, não se pode ignorar que o risco é da essência da atividade empresarial. É o que legitima o lucro, sendo contraditório que o Estado socorra aqueles que, nessa atividade de risco, não tiveram o sucesso desejado. A ajuda do Estado deve garantir o equilíbrio da economia e promover princípios básicos, evitando o desemprego. Assim, o Governo deve condicioná-la à adoção de condutas por quem a recebe, como a manutenção de empregos, importante, para a própria iniciativa privada."

Raquel Cavalcanti Ramos Machado - advogada e professora universitária - 20/1/2009

"Parabéns à Redação pela nota "Esclarecimentos" de hoje (Migalhas 2.067 - 21/1/09). Agora pergunto: chamar os efeitos e consequências da crise econômica mundial, uma verdadeira 'tsunami' para alguns países, de 'marolinha', não é escárnio?"

Vania Guerreiro - 21/1/2009

"Ao fazer coro com a grande mídia pró-Serra, sinto um lamentável desvio em Migalhas de seu propósito (Migalhas 2.067 - 21/1/09 - "Marolinha"). Espero que não adiram ao fracassado neoliberalismo e, com isso, se esqueçam de que seus assinantes não são só da ala ultraconservadora deste país."

Frederico Binato - 21/1/2009

"O presidente Lula, ao encaminhar mensagem de felicitações pela posse de Barack Obama, ressalta que os impactos da crise econômica mundial 'não podem prejudicar os países em desenvolvimento'. Ao contrário do presidente Sarkozy e da primeira ministra Angela Merkel que anunciaram em vários canais de TV, seu irrestrito apoio ao novo presidente, Lula acha-se no direito de lembrar a Obama, numa carta que deveria ser apenas de felicitações, que, apesar de toda nossa riqueza - roubada através dos tempos por vários governantes - somos, ainda, um país em desenvolvimento. Assisti, desde às 12h30 até a madrugada, em três canais televisivos toda a cerimônia da posse. Tudo o que vi deixou-me bastante emocionada. No entanto, é preciso ter em mente, mesmo com a emoção da festa midiática, de que Obama tem que, primeiro, cumprir o dever de casa, que não é pouco. Vamos conter a beleza que vimos ontem e esperar. Sim, esperar. O próprio Barack Obama afirmou que não poderia cumprir tudo o que prometeu. O seu trabalho é árduo e aconselho o presidente Lula a cuidar da baixa real dos juros - o que deveria ter feito há muito tempo -, a fazer um escalonamento honesto das deduções do Imposto de Renda pessoa física (o que o Sr. Guido Mantega tem-se vangloriado é uma brincadeira) e outras medidas, além dos cortes das benesses em Brasília, no Congresso e tudo o mais que sabemos. O dever de Lula começou há seis anos e só tivemos escândalos econômico-financeiros. Com esse tipo de governante, seremos sempre 'um país em desenvolvimento'."

Maria Cecilia Gouvea Waechter - 21/1/2009

"Os principais efeitos da marolinha, pelo que podemos perceber, são as demissões dos trabalhadores (Migalhas 2.067 - 21/1/09 - "Marolinha"). Algumas empresas estão concedendo férias coletivas, deixando seu pessoal inseguro. Como diz o adágio, a corda arrebenta sempre do lado mais fraco... Os empresários deveriam ver nos trabalhadores seus parceiros de produção. Afinal, é a mão-de-obra deste povo que produz as riquezas de qualquer empresa. Os trabalhadores estão fazendo sua parte nisso, com as passeatas realizadas hoje pedindo redução na taxa básica de juros. Penso que os empregadores deveriam, sim, tomar atitudes que atinjam o governo! Por exemplo, ficando um mês sem pagar qualquer tributo federal. Quem sabe assim o governo reage? Abraço,"

Emerson Lemes - contador trabalhista e previdenciarista - 22/1/2009

"Falta pouco para Obama conseguir debelar a crise globalizada, desde que: 1 - os agentes econômicos deixem-se influenciar por seus pronunciamentos; 2 - a divulgação dos balanços/2008  das empresas, no mundo todo e principalmente na Norte-América,  não causem sustos, uns atrás dos outros; 3 - o números, sobre PIB dos países ricos no quarto trimestre do ano passado, sejam uma agradável surpresa, não tão ruins como esperados nas estimativas atuais. Saudações,"

Aderbal Bacchi Bergo - magistrado aposentado - 22/1/2009

"Ao ler a migalha do sr. Aderbal, tenho apenas um comentário a fazer. A primeira afirmação é até possível, porém a terceira e principalmente a segunda são praticamente impossíveis. As empresas vão publicar seus balanços e cada um vai ser um susto pior que o outro. E quanto aos PIB's, creio que mais alguns países entrem na chamada definição técnica de recessão. Pode ser que a 'marolinha' atinja até alguns países 'blindados'!"

Daniel Consorti - 22/1/2009

"Migalhas, vocês são o meu jornal matinal ou noturno diário. Mas, na verdade quero comentar sobre o item 'marolinha' (Migalhas 2.067 - 21/1/09 - "Marolinha"). Adoro! É simplesmente demais... evidência a realidade. A qual me parece não estar patente aos olhos do nosso ilustríssimo Presidente."

Débora Luciana Martins Adorno - 22/1/2009

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