domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Sentença em versos

de 18/1/2009 a 24/1/2009

"Muito criativa e aliás, belíssima o Acórdão proferido (Migalhas 2.068 - 22/1/09 - "Versejar" - clique aqui) . Mas ainda assim, me pergunto: Poderia um magistrado prolatar uma decisão nestes moldes? Assim como uma Petição Inicial, não deve a sentença/acórdão seguir seu modelo 'rígido'? De qualquer forma, deixo aqui os meus Parabéns ao Magistrado, seja criatividade, seja pela maestria demonstrada."

Carlos Alberto Barbosa de Mattos - Superintendência Técnica de Seguros Corporativos/SP - Bradesco Auto/RE Companhia de Seguros - 22/1/2009

"O Judiciário brasileiro não tem quase processos para julgar, temos excesso de Juízes, nossa legislação não permite muitos recursos, então, nossos Nobres Julgadores precisam arrumar algo para preencher o tempo ocioso (Migalhas 2.068 - 22/1/09 - "Versejar" - clique aqui) . Nada melhor que uma poesia, e quem sabe não veremos em breve sentenças proferidas por mímica, teatro, e quem sabe até mesmo através de piada. Afinal tudo não passa de um circo não é? Pena é que nós, meros contribuintes somos os palhaços."

Marcelo Peres - 22/1/2009

"Depois ainda tem a coragem de escreverem em despachos, que demoram 6 meses em algumas comarcas... 'somente nesta data por excesso de trabalho que não dei causa.' (Migalhas 2.068 - 22/1/09 - "Versejar" - clique aqui) "

Roberto De Andrade Júnior - 22/1/2009

"(Migalhas 2.068 - 22/1/09 - "Versejar" - clique aqui)
Prezado magistrado,

Indignado, recorro deste fardo

De ter sido exposto

sem ter sido indenizado.

Não me preocupo com Gaza

nem com a sua casa

me conteto com a Justiça

que nem sempre é justa

e por vezes,

confunde alhos,

com bugalhos...

Isto posto, sentença não é imposto

que me cobras inutilmente

por este verso escabroso...

A omissão e a contradição

são defeitos da jurisdição

que devem ser concertados

em homenagem aos cidadãos lesados."

Leonardo Henrique Ferreira da Silva - 22/1/2009

"O advogado Afif Jorge Simões Filho, de São Sepé/RS, já falecido, tinha por hábito fazer petições em versos (Migalhas 2.068 - 22/1/09 - "Versejar" - clique aqui). Um de seus clientes foi um agricultor que, ao retornar de empreitada em local distante, agrediu a esposa porque ela fizera várias compras pessoais sem o seu conhecimento. O réu foi indiciado pelo crime de lesões corporais, mas acabou absolvido após ouvidos o réu, a vítima e as testemunhas. O caso aconteceu em 1959 (já se vai meio século). A peça – especialmente pelas duas últimas estrofes – revela muito da cultura jurídica e dos costumes sociais de uma época que ficou para trás. Ou não.

Mais uma cena de briga,

Entre um casal de campanha.

Mais um marido que espanca,

Mais uma esposa que apanha.

O réu espancou a esposa,

Porque esta, na sua ausência,

Fez uma conta comprida

No bodegão da Querência.

Ao regressar da empreitada,

Todo saudoso e folheiro,

Caiu de costas ao ver

As notas do bodegueiro.

Eram brincos e tetéias,

Riscado, lenço e chapéu,

Para os parentes da esposa,

Tudo por conta do réu.

Como da plata que trouxe

Não lhe sobrasse um vintém,

Egídio exemplou a esposa,

E, agindo assim, agiu bem.

Quem de nós não quis um dia,

Com a esposa gastadeira,

Fazer o mesmo que fez,

O réu Egídio Siqueira.

É bruto cortar arroz,

Metido no lodaçal,

E deixar todo o salário

No bolicho do Sinval.

Tá certo que se gastasse

Com erva, farinha e pão,

Mas não com brincos de orelha

E coisas sem precisão.

Mas a esposa arrependeu-se,

Conforme disse ao depor,

De haver trazido à Justiça

O marido espancador.

Se ela se diz conformada,

E arrependida da queixa,

Não vamos dizer: 'prossegue'

Quando ela mesma diz: 'deixa'.

Pobre réu. Estou convicto

De sua santa inocência.

Mas que aproveite a aprenda

Esta lição de experiência.

Se outra vez surrar a esposa

(Este é o pedido que eu faço),

Que surre de manso e de leve,

Sem deixar sinal do laço.

Ou então que surre forte,

Com toda força e vontade,

De modo que ela nem possa

Vir dar parte na cidade.

A peça faz parte do acervo do filho do advogado que a elaborou, o juiz Afif Jorge Simões Neto, atualmente em exercício na 2ª Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre."

Cleanto Farina Weidlich – migalheiro, Carazinho/RS - 22/1/2009

"Adorei (Migalhas 2.068 - 22/1/09 - "Versejar" - clique aqui). É um 'sentir' sentencial profundo, sucinto e objetivo. Serve como reflexão para novos julgados. Parabéns."

Geysa Magalhaes - 23/1/2009

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