terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Ensino jurídico, a raiz do problema

de 21/11/2004 a 27/11/2004

"Pois não é que o ilustre Dr. D'Urso tinha razão? O "mito" denunciado pelo ilustre causídico e Presidente da Honorável OAB-SP acabou de provocar quase uma hecatombe: 94% do postulantes ao título de advogado foram degolados pelo "mito" do Exame da Ordem. Nem na mitologia grega... Temos que achar um Ulisses para enfrentar tal Minotauro. Talvez uma oferenda de apostilas das Faculdades onde as vítimas prestaram vestibular acalme a fera."

Alexandre de Macedo Marques - 26/11/2004

"Prezados amigos do Migalhas: O resultado do último Exame de Ordem no Estado de SP - no qual apenas 8% dos 19.660 bacharéis passaram a 2ª fase - representou a vitória incontestável do chamado "pacto da mediocridade". Por este "pacto", alunos, Faculdades de Direito (especialmente a maioria das particulares) e Professores atuam da seguinte forma, respectivamente: os alunos fingem que assistem às aulas e fazem as provas; os Professores fingem que ensinam e que ministram as provas; as faculdades fingem que os alunos são preparados e passa-os todos de ano, invariavelmente. Pode-se chegar a resultado diverso das reiteradas catástrofes dos Exames de Ordem ? E ai do Professor exigente ! Sofrerá cerrada pressão dos alunos arruaceiros (minoria, mas que, em geral, domina as classes) e a faculdade atenderá à exigente "clientela", afastando o Professor, pois a concorrência entre as "caça-níqueis" é acirrada. Dane-se o aluno! Aqui, o Código de Defesa do Consumidor apresenta-se totalmente pervertido: o aluno paga uma polpuda mensalidade, mas o que pretende, mesmo, é ser aprovado nas matérias, a qualquer custo. O Professor responsável é visto como um obstáculo à obtenção do diploma. Ou seja, o que o alunato parece querer, muitas vezes, é a baixa qualidade do ensino. Paga e exige produto de baixa qualidade! Não pode reclamar, depois. Aliás, para que vale o diploma de "bacharel" ? Como observador há 11 anos dos Exames de Ordem, vimos o percentual de aprovados cair constantemente em S. Paulo: de cerca de 35% em 1995 para 13,21% nos penúltimos e agora, 8% nos mais recentes. Temos um site de dicas:www.examedaordem.com.br. No entanto, "dica" nenhuma substitui o aprendizado honesto que só uma minoria, dentre as 760 Faculdades de Direito do País, oferece aos alunos e deles exige uma postura acadêmica igualmente honesta. O momento exige uma reflexão: se o MEC não tem coragem de fechar faculdades "fajutas", a OAB deveria divulgar, quando da época dos vestibulares, os índices de aprovação nos Exames das faculdades. Já que não é obrigatório que as faculdades informem aos vestibulandos suas taxas de aprovação, o "vício redibitório" não aparece mesmo. E o massacre dos inocentes, pelo jeito, vai continuar! Um abraço,"

José Cretella Neto, Mestre, Doutor e Livre Docente em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da USP - 26/11/2004

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