quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Indenização - Cony

de 28/11/2004 a 4/12/2004

"A respeito da celeuma levantada na sociedade brasileira pela altíssima aposentadoria de mais de R$ 19 mil reais mensais, concedida pelo governo do PT ao jornalista Carlos Heitor Cony, que se apresentou como perseguido pelo governo militar instalado no Brasil em 31 de março de 1964, gostaria de lembrar que este jornalista, nos dias que antecederam a queda do governo de João Goulart, escreveu 2 editoriais violentos no Correio da Manhã, com os títulos de BASTA e em seguida, FORA, que provocaram a famosa passeata "com Deus e pela Liberdade" , em que milhares de cariocas , principalmente senhoras, foram as ruas , num movimento que pavimentou o caminho para que o General Mourão Filho se despencasse de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro, completando o trabalho iniciado por Cony. Eu perguntaria, para os que se lembram dessas cenas: se Jango estivesse vivo, ele concordaria com esta premiação?"

Gilberto Souza Gomes Job - 29/11/2004

"Também fiquei indignado com a indenização e aposentadoria concedida ao escritor e jornalista Carlos Heitor Cony como "vítima do regime militar". Agora, se verdadeira a informação do migalheiro Gilberto Job que dois editoriais da autoria do jornalista originaram o movimento que pôs fim à bagunça esquerdo-janguista-populista, acho que o jornalista-escritor merecia mais."

Alexandre de Macedo Marques - 30/11/2004

"Caros, na polêmica sobre a indenização do Cony, gostaria de dar uns palpites. Primeiro: os editoriais que ajudaram a derrubar um presidente constitucionalmente eleito, foram escritos pelos editores do Correio da Manhã, inclusive pelo Cony.  Principal fonte para consulta, os 5 livros do Gaspari sobre a ditadura militar. Segundo: a "vaca fardada", como se auto-intitulava o general Mourão, saiu de Juiz de Fora e não de Belo Horizonte. Terceiro: as "marchadeiras" do Rio e de S. Paulo, logo se arrependeriam, quando seus filhos começaram a ser torturados e mortos pelos golpistas. Quarto: Jango, apesar de todas as contradições, caiu muito mais por seus méritos, do que por seus defeitos. Cordialmente,"

Armando R. Silva do Prado - Banco Santander Banespa - 30/11/2004

"Caros Migalheiros, Perplexidade é eufemismo para descrever o que senti quando da decisão que concedeu ao Sr. Carlos Heitor Cony tão vultosa soma em razão dos prejuízos causados à sua pessoa durante o regime de exceção instalado no Brasil em 1964. Perplexidade pois ainda que o texto legal abarque alguma percepção de legalidade ao ato, faz-se mais uma vez que a Justiça em nosso país, seja não somente cega mas insensível às dores e mazelas que assolam nossa gente. Se o direito assiste ao nosso nobre escritor, ainda com mais razão aos filhos desta terra que em razão de sua cor, tiveram contra si perpetradas violências indizíveis e incomparáveis, por período em muito superior ao sofrido pelo ínclito Sr. Cony. Não basta pregar o direito como arauto, em altas vozes, se quando a oportunidade se afigura lembramo-nos tão somente da codificação do emérito jurisconsulto Gérson, mestre literalmente em outros "campos". Rasguemos em nossos espíritos esta lei e ressalte-se ao escritor as palavras de Camões: 'E aqueles, que por obras valerosas / Se vão da lei da morte libertando;'. Atenciosamente,"

Marcos Sabiá - Braskem S/A - 30/11/2004

"A respeito das indenizações concedidas aos brasileiros que foram perseguidos pela ditadura, gostaria de saber quando meu pai irá receber a sua pensão de 19 mil reais mensais por ter trabalhado duro (em 3 empregos) e ajudado a construir e desenvolver seu país (tudo, sem a ajuda de grupos políticos...)? Um abraço,"

Giovani Tomazoni - SP - 30/11/2004

"Sr. Gilberto Souza Gomes Job (Migalhas 1.057), Com todo respeito, o Cony jamais teria peso, prestígio e influência para mobilizar aquela marcha engendrada pela Cia seu porta-estandarte, o padre Peyton, com ajuda do Primo Carbonari e do representante dos estúdios e Hollywood, que fecharam os cinemas, deixando o povo surpreso sem poder assistir às matinês daquela tarde. Só restava aos cinéfilos -- e eram muitos, posto que a maioria não tinha TV nem o que ver em casa -- engrossar a mobilização anunciada muito antes do artigo do Cony. Se ele ler seu relato, ficará mais presunçoso, ainda. Talvez invente de cantar: "SEU coração, não sei porque, bate feliz, quando ME vê...". Cony? Pfui! Atenciosamente,"

Moacyr Castro - 30/11/2004

"Quando Fernando Henrique baixou a Medida Provisória 65 em fins do seu governo, deu uma jogada de mestre: foi o homem que atendeu a determinação da CF de 1988 mandando indenizar todas as vítimas da ditadura. Ganhou aplausos da imprensa. A tal medida provisória foi convertida em lei nas caladas da noite e na hora de sancionar a lei, FHC deu uma de "não entendi direito" e deixou que o Presidente do Congresso o fizesse. Era o apagar das luzes do seu governo e um assunto tão intrincado era bom empurrar com a barriga, ademais quando era sabido que o PT ganharia as eleições de 2002. Astuto, percebeu que a tal Lei 10.559, nas mãos do PT, iria dar no que deu. Como diz o ditado que "quem nunca comeu mel quando come se lambuza", FHC apostou suas fichas na sujeira do PT. Não deu outra, pois agora o escândalo das indenizações milionárias virou o assunto da moda na imprensa escrita. São jornalistas, ex-sindicalistas, ex-petroleiros, ex-pilotos da VARIG, políticos e ex-políticos e apadrinhados do Governo, gente que "nunca levou uma tapa" pra usar as palavras do Sr. Presidente do PT, José Genuíno. Estão crucificando o Cony, mas de jornalista não tem só ele não. Acuado, saiu atirando pra os lados e colocou na berlinda o nome de alguns jornalistas tidos até agora como "blindados na honra e na ética". Aí, mirou também em FHC e errou o alvo. Acertou o pé. O ex-presidente, aborrecido, o acusou de desinformado e de fazer referências miúdas a seu respeito. Realmente FHC só recebe dos cofres públicos o equivalente a uma aposentadoria como professor catedrático da USP, a qual incorpora os proventos proporcionais da aposentadoria compulsória de 1969, acrescidos de mais 2/3 da aposentadoria a que faria jus se tivesse permanecido na cátedra, depois das três teses que defendeu. Está tudo muito correto e ético, ao contrário do que se vê na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça deste governo. Até ACM ocupou a tribuna do Senado pra dizer que tem um "anistiado" que foi seu ex-auxiliar na Prefeitura de Salvador em 1975. A Comissão virou angu de caroço com gente de extrema direita, de extrema esquerda, de apadrinhados e aproveitadores, todos com algo em comum: devorar as tetas da vaca-mãe, o Tesouro Nacional. Agora, por exemplo, apareceu mais um petista ligado à Prefeitura de São Paulo, José Caetano Lavorato, que bateu o recorde de indenização, R$ 2.540.000,00 e pasmem, duas aposentadorias de anistiados, uma concedida pelo INSS no valor de R$ 6.600,00 e outra recente do Ministério da Justiça, que acrescenta mais R$ 12.400,00 aproximadamente. Se para a maioria dos mortais brasileiros é proibido acumular aposentadorias, pra os anistiados essa regra não vale. Isto quer dizer que, pra alguns, Lula já criou o Ministério da Bondade. Só que a conta está ficando salgada, pois já chega perto de R$ 4 bilhões e Genuíno já anda falando em teto. Mas agora seu Genuíno, depois que todos os apaniguados estão mamando? Por que não pensou nisso antes? Pois é, Lula em campanha falava tanto em maracutaia que agora a dita cuja está próxima a ele."

Abílio Neto - 1/12/2004

"Está explicada a serenidade com que o Sr. Cony vem enfrentando as críticas pela obtenção da escandalosa aposentadoria com os respectivos atrasados. Segundo a matéria que fez publicar na Folha de S. Paulo de hoje (3/12/04), segue fielmente Voltaire em sua maquiavélica definição de Ética, que seria aquilo que nós queremos que os outros não façam. Lamentavelmente o Sr. Cony se esqueceu de que uma legião incomensurável de brasileiros, porque ainda pautam sua vida por rígidos princípios, mesmo que tenham chance, também não fazem aquilo que não querem que outros, como ele, façam."

Léia A. Silveira Beraldo - advogada em São Paulo - 3/12/2004

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