São Paulo, 451 anos

24/1/2005
Celso Buzzoni, advogado

"S.Paulo! És a Cidade-Esperança, a convergência de audácias, a vitória milagrosa das improvisações!-onde as pelejas furiosas dos interesses, na volúpia dos esforços, vão edificando, numa luta sólida e indivisa, a civilização-última hora!... São Paulo! Feira de desejos insolentes, alvorada cosmopolita, surgida como uma inesperada aparição, nos horizontes da esperança bruta dos anseios de conquista de todos os indivíduos fortes- amadores do imprevisto -, simples e bons povoadores, apaixonados do acaso. Quermese de povos e de raças de curiosos passados e estranhas tendências... Brutal, espantosa, avolumas-te e resplandeces num dinamismo minaz e atrevido, erguendo-te do anônimo fermento ativo das vontades de todos os itinerantes que aqui ficaram adubando a teimosia com os sonhos incontidos de riqueza... E na conquista da Maratona da fama, norteada impavidamente rumo a todos os empreendimentos, em vésperas de possuir um milhão de almas, és bem uma colmeia liberal, que, no aproveitamento das ações valiosas, não menosprezas o concurso das abelhas desgarradas e anônimas, que, trazidas pelos ventos vários do acaso, numa permanência fecunda, ficam voejando, ávidas e buliçosas, em torno ao teu desvairado florescimento! Salve! Cidade-Esperança!Desespero ditoso das improvisações." (trechos da "Sinfonia Cosmopolita", de Slvio Floreal, pseudônimo de Domingos Alexandre, jornalista, março de 1925, "in" Ronda da Meia-Noite)

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