sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Fome zero

de 23/1/2005 a 29/1/2005

"Eu acredito que se nós tivermos juízes bem alimentados, teremos um julgamento mais "gordo", repleto de imparcialidades, inclusive com aplicação das leis. Porque passar fome dá uma dor profunda na barriga e imagina um julgamento, onde quem decide, esta com fome? Aí... essa deu fome... Fraternalmente,"

Bruno Zanim - 24/1/2005

"O amigo migalheiro Aderbal Bergo fez aí umas contas para tentar justificar a verba de R$ 360.000,00 para o lanche dos juízes do Fórum João Mendes em São Paulo. A álgebra pode até amparar esta situação, mas como estamos falando de servidores públicos - e os juízes parecem às vezes esquecer de que o são - convém lembrar o caput do art. 37 da CF. Probidade e eficiência devem estar presentes no serviço público. Assim, se R$ 15,00/dia/por juiz parece café pequeno, penso aqui para mim por que é que estes nobres julgadores não se dirigem ao 9. andar do mesmo Fórum em questão e ali, na lanchonete que serve advogados, estagiários e público em geral, comam a vontade e o que quiserem para, ao final, dirigirem-se ao caixa e pagarem pelo consumido. R$ 360 mil é ninharia? Pois se aplicado no Fórum em tela certamente traria mais benefícios à população que a mera satisfação gastronômica dos juízes. Quanto ao desmonte do Judiciário, concordo totalmente com o colega Aderbal, mas, para o bem ou para o mal, acredito piamente que devemos dar exemplo do que queremos para o mundo e não é agindo como aqueles que criticamos que vamos conseguir algo melhor. Em outros termos: se os juízes querem seriedade e respeito à coisa pública, poderiam dar sua parcela de exemplo. Abraço."

Antonio Minhoto - 24/1/2005

"Sobre as contas do leitor Aderbal Bacchi Bergo, Juiz de Direito a posentado, entendendo que os dois dias por mês em que os juízes não lancham sejam sábado e domingo, vale corrigir: 12 x 8 = 96. O que restariam cerca de 269 dias de trabalho, no mínimo... Sem contar os feriados e períodos de recessos no Judiciário. Refazendo a conta teremos efetivamente um lanche digno de um trabalhador dedicado e não o "preço que custa um lanche vagabundo num desses mac. da vida."

José Renato M. de Almeida, Salvador - Bahia - 24/1/2005

"Quanto ao pagamento do lanche dos juízes em São Paulo, quero esclarecer que em Ribeirão Preto, onde judico há quase 14 anos, os próprios juízes pagam o lanche que lhes é servido."

João Gandini, juiz de Direito em Ribeirão Preto/SP - 24/1/2005

"No que diz respeito ao custeio do lanche dos juízes em São Paulo, esclareço que em Presidente Prudente, a exemplo do que registrou o colega de Riberão Preto, os próprios juízes pagam o lanche que consomem - quando têm tempo para ir ao café - (suco, café, água e biscoito água e sal)."

Paulo Meireles - juiz substituto em Presidente Prudente - SP - 25/1/2005

"Com o Dr. Antonio Minhoto é possível dialogar, porque ele percebeu onde eu queria chegar, isto é, diz ele, em Migalhas 1.094, verbis:

"Quanto ao desmonte do Judiciário, concordo totalmente com o colega Aderbal, mas, para o bem ou para o mal, acredito piamente que devemos dar exemplo do que queremos para o mundo e não é agindo como aqueles que criticamos que vamos conseguir algo melhor. Em outros termos: se os juízes querem seriedade e respeito à coisa pública, poderiam dar sua parcela de exemplo. Abraço." Antonio Minhoto

Ora, sendo ou não a verba para o lanche dos Magistrados no Fórum João Mendes um gasto supérfluo, sendo ou não um bom exemplo, vou novamente explicar que o valor em questão é extremamente insignificante em cotejo com o que nossa classe política não destina ao poder Judiciário a fim de não se dar prosseguimento ao seu desmonte, ou sua implosão, como disse eu. Parece que agora consegui chegar onde eu pretendia, ou seja , suscitar a polêmica : as críticas, todas elas, são bem vindas, porém é necessário que sejam formuladas com valoração adequada, ou seja, como já expliquei, somente é possível valorar se for exercitada a comparação. E, com todo o respeito às opiniões contrárias, o valor desse lanche é ridículo cotejado com as necessidades estruturais do Poder Judiciário, às quais não se dá solução orçamentária, bem como se comparado com outros dispêndios, como por exemplo, os trazidos à análise recentemente pelo Jornalista Elio Gaspari. Sugiro aos amigos Migalheiros que releiam o que veio impresso em Migalhas de número 1.086, sob o título 'o luxo do lixo', publicado nos jornais Folha de São Paulo e O Globo, autor este respeitável Jornalista. Amigos Migalheiros, não vamos desviar nossa atenção do cerne da questão. Há em curso uma implosão ou desmonte do Poder Judiciário, que não será evitada se os Magistrados do Fórum João Mendes resolverem a partir de hoje tomar lanche na cantina do Fórum durante o próximo século. Abraço a todos,"

Aderbal Bacchi Bergo, juiz de Direito aposentado - 25/1/2005

"Sempre nos compraz a percepção de que no Poder Judiciário os que acreditam estar predestinados a ter mais direitos do que o resto da humanidade ainda que isto subverta elementar aforisma econômico (não existe almoço grátis, exceto para eles) podem não ser a maioria. É bom saber que alguns juízes do interior de São Paulo têm informado que não fazem parte dos comensais que sem cerimônia ajudam a devorar a minguada bolsa da viúva."

Paulo Serôdio - 28/1/2005

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