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Eleições 2020

23/11/2020
Sérgio Furquim

"Como funciona a política em pequenos Municípios. 'Política'. A palavra vem do termo grego 'pólis' que remete às cidades-estados na antiga Grécia. Em muitos municípios ainda quem comanda a política é a 'velha' política é a política dos caciques, dos coronéis. É a política da falta de povo, da falta de representação. A política em que é 'feio' participar, discutir e opinar. Esse é o velho onde quem dá às cartas são os caciques os coronéis que acham que é o dono do município. Essa velha política ainda está enraizada em muitos municípios e não é fácil mudar por conta que partes dos eleitores são subordinadas aos coronéis e caciques. Na velha política e feita uma manobra para perpetuar no poder. Os coronéis e caciques escolhem o candidato a prefeito- vice e não há resistência por parte dos convencionais porque já está tudo acertado. Acertado na escolha dos candidatos a prefeito e vice. Ponto final. Em relação aos candidatos a vereadores, este processo é mais complicado porque os caciques e coronéis fazem uma tramoia para iludir os pretensos candidatos de primeira viagem, pois os caciques e coronéis já têm seus candidatos a vereadores preferidos. Iludem os iniciantes prometendo que irão dar todo suporte para a campanha eleitoral e acabam iludindo os principiantes na política. Os principiantes ficam empolgados achando que irão ter o apoio dos caciques e coronéis dos seus partidos. Feita a convenção e sacramentada o registro na justiça eleitoral as regras mudam totalmente. Os iniciantes, ao decorrer da campanha, percebem que foram enganados, não recebem o apoio prometido. Vão dar conta que os caciques e coronéis passaram apoiar os candidatos experientes que estão disputando a reeleição. No final do processo eleitoral acaba descobrindo que foram enganados. Mesmo assim, não aprendem e daqui a quatro anos repete tudo novamente. Você é que deve entrar de vez na política e participar dela se realmente quiser mudar alguma coisa. Simplesmente votar e reclamar são como passar um cheque em branco e depois tentar convencer ao banco que você foi roubado. Não funciona mais. Não é mais um golpe 'novo'. Se você quer entrar na política tem de participar junto ao Executivo e Legislativo fiscalizando informando a população sobre o que acontece no Executivo e Legislativo. Estamos em uma situação desconfortável devido não haver interesse em participar da política. A sociedade tem que formar uma comissão de pessoas que se interesse por política e legalizar esta comissão e começar a participar – dando sugestão – fiscalizar o executivo e o legislativo. Povo tem que estar mais atento. A política faz parte da nossa vida e dar a ela a devida atenção também é uma forma de cuidar de nós. Cuidar também do outro."

25/11/2020
Eduardo Augusto de Campos Pires

"A eleição para vereadores e prefeitos é a mais importante escolha na nossa combalida democracia. Imaginem que todo Poder Legislativo tem origem, nesta fase, absolutamente ignorada pela maioria dos brasileiros. Mias de 5.000 municípios do Brasil, como uma pirâmide, irão compor a base de todo o Legislativo do país. Agora façam uma pergunta comigo: A corrupção começa onde? Preciso desenhar e colorir!"

Gramatigalhas

23/11/2020
Janaina Gabina de Oliveira

"A frase está correta: nenhuma delas teve? Ou nenhuma delas tiveram?"

26/11/2020
Laura Rocha

"Caro professor, a respeito da necessidade de repetição da preposição e/ou do artigo, qual seria a correta construção nos casos em que um dos elementos está no singular e outro no plural? Por exemplo: 'Gramática para o professor universitário e para os acadêmicos de jornalismo'; 'Gramática para o professor universitário e para acadêmicos de jornalismo' ou 'Gramática para o professor universitário e acadêmicos de jornalismo'. Gratidão."

Reflexão

25/11/2020
Cleanto Farina Weidlich

"Migalhas para um doutor? (dedicada ao mestre e doutorando - recém-classificado em banca - pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Tales Dias de Meira). O jovem de caráter Monsenhor Dr. Tihamer Toth Bispo Coadjutor de Veszprém (Hungria). Tradução feita a partir da Edição Argentina autorizada da Editorial Poblet (1940). É para você querido projeto de Doutor Tales Dias de Meira, esse livro foi achado entre os escólios do vô Cláudio, impresso em Espanhol e traduzido pelo mano Silvano. Trata-se de um tesouro muito precioso, espero firmemente que possas explorá-lo durante a tua existência. Um forte e carinhoso abraço, em Carazinho, 25 de novembro de 2020 – tua terra natal e de teus familiares, de onde irás te projetar através da pesquisa séria, do desenvolvimento das questões dialéticas associadas a maiêutica das catapultas da antiga Grécia, para o mundo, simples assim, e não esqueça: quanto mais conhecimento mais pequenez, mais humildade, mais sede de saber, pois, os mares são maiores do que os rios, por se encontrarem abaixo, ... – do amigo Cleanto. 'O melhor presente que podeis fazer a vossos filhos e filhas que chegam aos 14 anos, são os manuais de Monsenhor Toth. Fazendo-os ler repetidas vezes. Vós mesmos, pais e educadores, lê-los também: tirareis de sua leitura energias e luzes para cumprir vossa missão.' (Dr. W. Neuburg). Ao jovem leitor, Meu filho: junto à minha escrivaninha, muitas vezes, tem sentado estudantes. Ao começar o curso, chegam as visitas dos rapazes. Os novos chegam à minha porta com receio; os antigos conhecidos, com alegria mais confiada. Se sentam junto à minha mesa e, diante das paredes nuas de meu escritório silencioso, se abre o reino, pleno de riquezas, de uma alma jovem, guardado antes por mil ferrolhos. Ao expor-me suas pequenas penas, que para eles parecem terrivelmente aflitivas, ao ouvir eu as queixas de suas inumeráveis e pequenas dores, que para eles resultam em extremo sérias, ao colocar na palma de minha mão sua alma jovem com suas tempestades, com seus profundos problemas e ao dizer-me eles depois, com ávida sede em seus olhos abertos: dá-me um conselho, que hei de fazer? Pois então, nestes momentos inspirados, tenho aprendido eu, que a alma de cada jovem é uma mina de diamantes inesgotável, é uma promessa onde está latente um desenvolvimento impossível de medir; e ajudar-lhes em sua formação resulta para os homens já maduros, não só um santo dever, senão uma honra excelsa. Quem não tem contato com a juventude, não suspeita sequer quantas dúvidas, quantos tormentos, quantos tropeços - quiçá até a queda definitiva - pode levar consigo o fervor de suas almas, e quanto necessita sua frágil navezinha sentir nas tempestades que levanta a primavera da vida, a direção de uma mão poderosa que empunhe o timão. E quando nestas ocasiões tenho querido infundir-lhes força para a luta, apaziguar suas almas alvorotadas, dar-lhes conselho na dúvida, e estender-lhes uma mão forte que ajude a sair do doloroso transe, me tem parecido que não só estava sentado ante mim um dos meus estudantes, senão que buscava minha alma os olhos de milhares e milhares de jovens, de todos aqueles que lutam com idênticos problemas sérios; porém não têm, quem sabe, ninguém a quem pedir resposta, consolo, conselho e direção, e, desta sorte, hão de travar sós os duros combates dos anos de juventude. Assim nasceram estes livros. Assim é como me veio sua ideia. Sei muito bem que a letra impressa, a letra morta, mingua muito a eficácia da palavra falada; porém não será quiçá completamente inútil compor alguns livros para teu uso, reunindo os pensamentos que costumo tratar com meus estudantes. Não sei como te chamas. Não sei que escola frequentas: instituto, escola de comércio, escola normal, escola de artes e ofícios..., ou, quem sabe, já a Universidade. Tão só sei uma coisa: que és estudante, que levas em tua alma o porvir de tua nação, e que tens problemas sérios; e resolver tuas dúvidas é o dever mais santo que nos incumbe. Porque não há na vida obrigação tão sublime como dar de beber da fonte eterna da verdade às almas sedentas. Não existe mérito maior ante a humanidade, nem há nada mais grato a Deus como preservar da perdição uma só alma jovem, que é a maior esperança da pátria e o 'templo vivo' de Deus. Todas as linhas do livro foram-me ditadas pelo amor que professo a tua alma e pela convicção de que é um dever de valor perene encher uma alma jovem de nobres ideais. Este amor também merece que tu medites, com seriedade, o que lês nestes livros; e se houver algo que não compreendas, se necessitas acaso ulteriores explicações, se tens algumas observações a fazer, e, principalmente, se meus pensamentos têm te ajudado a pisar a senda do bem, escreve-me. Porque o maior galardão de minhas fadigas será o que, mediante estas linhas, haja conseguido encaminhar a um só jovem e haja prestado forças a uma só alma, para que permaneça, durante seu desenvolvimento, no caminho do reto viver. Te saúda, ainda sem conhecer-te e é teu. O autor. Os livros, sempre os livros, bons livros e suas leituras. Foi assim que te escrevi naquele rascunho de cansado e reutilizado papel. Dedica-te, pois, a leitura, leitura de livros selecionados, escolhidos e recomendados para a construção de uma base sólida de conhecimento, seguindo a receita do Doutor Eugênio Facchini, por esse rábula aprendiz endossada. Segundo preconizado por Louis de Riboulet – em seu clássico estudo com título de Rumo à Cultura, ... ESCOLHEI UM IDEAL NOBRE E ESFORÇAI-VOS, DIA A DIA, POR REALIZÁ-LO. No dia de sua recepção na Academia Francesa, Pasteur pronunciou estas magníficas palavras: 'A grandeza das ações humanas se mede pela inspiração que lhes deu origem. Feliz de quem traz em si um deus interior, um ideal de beleza, e lhe obedece: ideal de arte, ideal de ciência, ideal de pátria, ideal de belezas do Evangelho! São estas as fontes das ações heroicas e das ideias sublimes. Todas são penetradas de reflexos do Infinito. Desde já, venho convidar-vos, caros amigos, a vos propordes, nos estudos, um fim de os enobreça; que os torne fecundos e sustente vosso labor diário. Já divisastes os primeiros clarões deste ideal: talvez o tenhais contemplado em todo o seu esplendor. Vigny o tem na conta de 'uma ideia juvenil realizada no vigor dos anos'. É isso mesmo: uma representação clara do futuro, uma ideia luminosa da meta que deve ser alcançada e dos meios escolhidos para sua consecução, uma visão superior que determina a maneira de viver, organiza o procedimento, canaliza o ardor para o bem, dá, cada dia, nova coragem para prosseguir na árdua empresa encetada. "Regular e dirigir as ações", dizia um velho sábio, Papillon, "eis a força realmente poderosa, que engrandece o homem e o eleva acima dos outros". Visar à conquista de um ideal é um dever. Não permitido a um ser racional viver à toa sem jamais indagar qual a missão que lhe é destinada. Nada mais funesto do que a indiferença neste ponto. Vida sem ideal é vida falha. Esta preocupação perante o porvir é sinal de distinção e de nobreza de alma. Aos quinze anos, Victor Hugo dizia: "Serei Chateaubriand ou ninguém". (...) Aos dezesseis anos, Brunetière confiava ao seu mestre, Gustavo Merlet: Quero ser redator da Revue des Deus Mondes e professor no Colégio de França. Numa questão desse quilate, não andeis ao sabor das ilusões. Não vos pronuncieis sem madura ponderação, sem o exame atento das vossas forças físicas, de vossos recursos intelectuais, de vossas qualidades morais, tendências, gostos e antipatias. A reflexão, o exame de consciência, os conselhos de vossos pais, de vossos mestres e de vosso diretor espiritual contribuirão para o conhecimento que deveis ter de vós mesmos. Estimai-vos a vós mesmos pelo que sois em verdade, porém não receeis ter ambições elevadas. "Felizes", diz Henrique Bordeaux, "os que colocaram bem alto, o sonho da vida!". Viver satisfeito com uma honesta mediocridade, comprazer-se nela é a marca de um coração enfermiço, e não raras vezes morto. É aos jovens desta têmpera que o poeta indignado dirigia esta virulenta apóstrofe: "Dai-me vossos anos em flor, vós que os desperdiçais.". Pasteur dizia numa tertúlia de estudantes: "Meus amigos, qualquer que seja a carreira que abraceis, proponde-vos um fim nobre". Após haver determinado vosso ideal, contemplai-o longamente: deixai-vos inundar por sua luz e impregnar por seu calor. Resumi-o fórmula breve que repetireis amiúde e que repercutirá na vossa alma como um toque de clarim: Fazei-o viver nas minúcias da vida; acomodai-o às proporções restritas de vosso labor cotidiano. Acima de tudo, amai-o até o entusiasmo (que significa: estar com tu Deus). Sim, sede entusiastas como o jovem Aymerillot que Victor Hugo apresenta: Deux liards couvriraient fort bien toutes mês terres, Mais tout le grand ciel bleu n’emplirait pas mon cocur. O entusiasmo suaviza as asperezas da rota. Se passou de migalha foi por culpa de um coração transbordante de emoção e renovado de crescente admiração, feliz tropeada amigo, que os teus horizontes de pesquisador científico se apresentem sorridentes e abertos, cheios de claridade e imersos em muita reflexão e ideias que continuem conquistando os corações, assim como já fez com a banca.

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