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Vacina

ontem
Antonio B. Camargo

"Num país desgovernado, em que as autoridades, ou por preguiça, ciúme, incúria, deixam à consciência de cada um as precauções contra a covid-19, quando os previdentes recolhem-se, já os abestalhados engolfam-se em festas, encontros, num canibalismo sem precedentes. Os alucinados hospedam e multiplicam aos milhões o vírus, para semeá-los e plantá-los nos pulmões de seus entes queridos e quem mais lhes chegue ao redor. Essa tragédia humana dos afogados nos corredores dos hospitais ganha número: mais de 220 mil mortos, número em ascensão. Pode ser tamanho absurdo em pleno seculo 21? Hospitais entulhados, famílias estraçalhadas pela maior de todas as dores, a morte por asfixia de um ser querido! Então há alguém que suporte tamanha negligência, ignorância, maldade de autoridades que ainda, diante desse quadro terrificante, quedam-se indiferentes tais como estátuas de pedra, com um sorriso de desprezo brincando-lhe nos lábios – como se nada estivesse acontecendo?! Então há alguém que suporte o deboche desprezível quando, a maior autoridade do Brasil diz: 'quem tomar a vachina' corre risco de vida e sérias complicações!? Esse menosprezo bem demonstra que as Cassandras do mau agouro continuam imutáveis no formol da ignorância. Esse pronunciamento não só conspurca quem o anuncia, como ofende e irrita os fabricantes da única âncora dos brasileiros, a vacina. Diga-se, 'en passant', que a língua de trapos não percebe o que diz e só aumenta o clamor popular pedindo o impeachment desse doutoraço em saúde pública."

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