terça-feira, 1 de dezembro de 2020

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Ministro Sebastião de Oliveira Castro Filho deixa o STJ. É a compulsória

terça-feira, 28 de agosto de 2007


É a compulsória

Ministro Sebastião de Oliveira Castro Filho deixa o STJ

Ontem, o ministro Sebastião de Oliveira Castro Filho despediu-se do STJ. Depois de sete anos, ele deixa o Tribunal em virtude da aposentadoria. O ministro integrou a Terceira Turma e a Segunda Seção do Tribunal, sendo presidente de ambas. Em recente homenagem na Corte Especial, o ministro Humberto Gomes de Barros destacou seus atributos e afirmou que o ministro Castro Filho "é um juiz integral, porque humanista".

Natural de Nova Ponte/MG, o ministro Castro Filho tem sua trajetória profissional ligada ao Estado de Goiás, onde desempenhou as funções de professor de Direito Processual Civil na Universidade Católica de Goiás e diretor da Escola Superior de Magistratura daquele estado. O ministro também ocupou a presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. Além de diversos cursos de extensão universitária, o ministro Castro Filho é mestre em Direito pela Universidade Federal de Goiás e doutorando em Direito Processual Civil pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Trajetória

Na sua trajetória de vida, o ministro Castro Filho ressaltou que, muito cedo, conscientizou-se de o seu futuro estava no estudo, apesar de ter sido analfabeto até os 10 anos de idade. "Desde menino, eu tinha um ideal e fui determinado para conseguir esse objetivo. Queria ser juiz e trabalhei para isso. Nunca perdi a confiança em mim e a minha fé em Deus. Sabia que, com trabalho, força de vontade e com a ajuda de Deus, eu ia alcançar o que tanto eu almejava", lembrou.

Para o ministro, foi extremamente gratificante ter passado estes quase sete anos no STJ, levando consigo somente boas lembranças. "A vida é um misto de coisas boas e coisas não tão boas. No Tribunal, eu só encontrei praticamente coisas boas. Eu não tive decepções. Claro que houve momentos de tensão, mas a própria função judicante nos impõe isso. Aqui, aprendi muito e espero ter deixado alguma coisa, mesmo que minimamente", declarou.

O ministro destacou também que, ao chegar no STJ, surpreendeu-se com a estrutura da Corte. "Realmente, é um Tribunal muito bem estruturado, servido por pessoas capacitadas e preocupado com a cidadania.O que lamentamos é não poder, muitas vezes, penetrar na análise da prova, na sua re-análise e re-julgar o caso, pois aqui não é um Tribunal de segundo grau, e sim, superior", assinalou.

Servidores

Os servidores que trabalham com o ministro Castro Filho destacam sua simplicidade e cordialidade. Para o assessor Osvaldo Cassimiro da Silva Junior, que foi seu aluno e trabalha com o ministro desde outubro de 2004, conviver com ele é um privilégio.

"Tive o privilégio de conviver com o ministro em duas situações diferentes: fui seu aluno na Universidade Católica de Goiás e, depois, em razão de sinuosas retas que formam o caminho da vida, acabamos por nos encontrar novamente no STJ. Mais do que as primeiras lições de Direito Processual Civil ou o dia a dia da lida forense, aprendi pelo seu exemplo que é possível coexistirem, em uma só pessoa, a competência, a dedicação, a simplicidade e a cordialidade", comenta.

Outro servidor que elogia o ministro foi Olga Silva, que trabalha com ele há cinco anos. "Cordialidade, simpatia, generosidade, sabedoria, são alguns atributos do ministro Castro Filho. Trabalhar com ele foi altamente gratificante para mim, tanto sob o aspecto jurídico, como no humano, pois ele sempre esteve disposto a ajudar as pessoas. Sem dúvida irá deixar saudades em todos nós", afirmou.

Para o futuro, o ministro pretende abrir um pequeno escritório, como ponto de referência, para continuar cuidando de sua outra área: a acadêmica. "Vou continuar realizando minhas palestras, ministrando minhas aulas no IESB, em Brasília, e em Goiânia. Devo atuar também na Escola Nacional de Magistratura", destacou.

A aposentadoria do ministro Castro Filho abre vaga, no STJ, para desembargador, membro de Tribunal de Justiça.

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Por: Redação do Migalhas

Atualizado em: 28/8/2007 09:04