quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

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Ode ao Estado Brasileiro

Eu insulto o Estado brasileiro Esse Estado letárgico, inculto, impuro e espúrio Antro de corruptos, espertos e malandros Alvo de lobistas, amigos e parentes

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


Ode ao Estado Brasileiro

 

Jorge Luiz Souto Maior* 

 

Eu insulto o Estado brasileiro

Esse Estado letárgico, inculto, impuro e espúrio

Antro de corruptos, espertos e malandros

Alvo de lobistas, amigos e parentes

 

Eu o acuso pelo descaso com a coisa pública

Com a educação, a saúde e o lazer

Com o cidadão trabalhador,

E com empresas socialmente responsáveis

 

Estado que cobra, prende, mata,

Distribui privilégios e favores,

Enquanto afugenta, reprime, explora

E trai a quem suas instituições defende

 

Abaixo ao comodismo, ao favoritismo, ao conservadorismo

Ao clientelismo, ao coronelismo e a todos os ismos...

 

Eu insulto esse Estado,

Que anistia a devedores fiscais

E penaliza a quem age corretamente

Que não pune os colarinhos brancos

E prende, sem processo, o criminoso famélico

 

Não paga dívidas

Não se dá ao respeito

Cria leis e não as cumpre

 

Um Estado que sem-vergonha

Esconde-se em atos secretos

Que uma vez descobertos

Sem passar apertos, se tornam concretos

São atos espertos...

 

Um Estado em que prevalecem

Conluios, alianças e conchavos,

Para, enfim, reeleição!

 

Eu acuso esse Estado por todos os desalentos e atritos

De ser assistencial para os pobres e financiador para os ricos 

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*Professor de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da USP e Juiz do Trabalho





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Atualizado em: 11/8/2009 10:19

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