sexta-feira, 27 de novembro de 2020

MIGALHAS QUENTES

Publicidade

Operação Spoofing

PF vai abrir novos inquéritos em operação sobre roubo de mensagens de autoridades

A Polícia considera que não estão encerradas as investigações. Órgão quer apurar obstrução da Lava Jato e fraudes cibernéticas.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Um relatório da PF do dia 18 de dezembro mostra que dois novos inquéritos serão abertos no âmbito da operação Spoofing, que investiga a invasão de celulares de pelo menos mil pessoas, entre elas autoridades brasileiras.

Um dos inquéritos irá apurar a interferência da quadrilha de hackers nas investigações da Lava Jato. O outro vai investigar fraudes cibernéticas que podem ter sido feitas em mais de mil contas bancárias e operações de crédito.

t

Continuidade da operação

De acordo com o delegado da PF Luís Flávio Zampronha, a Polícia Federal não considera estarem encerradas as investigações sobre as motivações que levaram a quadrilha de hackers a interceptar e divulgar as mensagens obtidas dos Procuradores da República que atuam na Lava Jato.

De acordo com o relatório, existem elementos de prova que mostram que os investigados tinham a intenção explícita de interferir nas investigações de organizações criminosos que estão sendo conduzidas pela Lava Jato, tendo por objetivo final a obtenção de ganhos financeiros.

"Entretanto, será aberto na Polícia Federal Inquérito Policial específico para apurar o possível cometimento do crime previsto no artigo 2º, § 1º da Lei nº 12.850/2013 (impedir ou, de qualquer forma, embaraçar investigação de infração penal que envolva organização criminosa)."

Além disso, o documento aponta que foram reunidas, até o momento, informações de aproximadamente 1,5 mil contas bancárias e cartões de crédito podem ter sido objeto de fraudes cibernéticas pela organização criminosa, "motivo pelo qual também será aberto investigação própria para a investigação de tais crimes, bem como a ocultação e dissimulação da origem e destino dos recursos obtidos".

Primeira fase

A 1ª fase da operação Spoofing foi deflagrada no dia 23 de julho e resultou na prisão de quatro suspeitos de acessar, sem autorização, o telefone celular do ministro da Justiça Sergio Moro. Os detidos também são suspeitos de terem interceptado e divulgado parte das comunicações do ministro. 

Após a operação, em coletiva à imprensa, a PF informou que cerca de mil números telefônicos diferentes podem ter sido alvo da quadrilha suspeita de hackear o aplicativo de mensagens Telegram  De acordo com a polícia, o celular do presidente Jair Bolsonaro também foi alvo dos harckers. 

A PF afirmou também que a investigação é conduzida desde pelo menos abril, quando procuradores da força tarefa da Lava Jato passaram a relatar algumas ligações recebidas em seus aparelhos originadas do próprio número. Em junho, Moro e outras autoridades informaram ocorrência semelhante.  

A polícia conseguiu então chegar aos números de IP, que são relacionados à conexão à internet, dos dispositivos que supostamente executaram os ataques. 

Por: Redação do Migalhas

Atualizado em: 21/12/2019 14:10